quinta-feira, outubro 19, 2017

Sinais

O dia estava arrastado... 5 da tarde, o calor parecia mais de dentro pra fora do suor que escorria na testa... Digitava loucamente tentando precificar seu esforço próprio, enfim, um ardor bem na sola do pé direito... As pernas cruzadas em posição de índio em cima do banquinho do jardim não possibilitava ver o motivo da pontada. Eis que, ao descruza-las com cuidado,  viu uma vespa presa pelo ferrão, ainda se debatendo contra o ataque de um pé gigante em que esbarrou. Bateu levemente no bichinho que saiu voando desorientado prestes a morrer, por é isso que vespas fazem depois que picam não é?! Morrem?! Ficou ali sentindo o arder cada vez mais agudo, o inchaço começando, o meia da sola do pé ficando vermelha.
Por isso resolveu não sair mais cedo pra lavar a louça deixada pra mais tarde, tomar banho devagar com água fria, certificar-se de qual era a bagunça que teria que arrumar na volta. Foi bom por um lado, mas, o pé ainda doía.

terça-feira, junho 06, 2017

Sua solidariedade é admirável, mas não torna sua negligência irrelevante.

terça-feira, maio 16, 2017

Don't think twice, it's all right

So long, honey bee
Where I'm bound, I can't tell
But goodbye's too good a word, babe
So I'll just say fare thee well
I ain't sayin' you treated me unkind
You could have done better but I don't mind
You just kinda wasted my precious time
But don't think twice, it's all right

quarta-feira, maio 03, 2017

Neblina

Estou arrastando a vida com essas horas longe da minha própria cama. Com esses calafrios logo antes de sair o sol na hora mais agradável pros meus olhos.

segunda-feira, abril 17, 2017

Sobre encontros inesperados.

O que dizer das horas em que não dá mais pra falar nada... Um monte de verdades jogadas na cara e alfinetes maldosos fincados nos espaços entre os dedos... traz sua pior personalidade à tona, não é mesmo queridinha?! É mesmo.

sexta-feira, abril 14, 2017

Estou um pouco mais... Desapegada... Perai... Acho que não.

quinta-feira, janeiro 19, 2017

1999

Engraçado esse meu jeito falso-super-verdadeiro de tratar as conversas. Parece que sempre quero algo a mais ... ou a menos. Dá pra perceber quando acham que falaram demais, e, pode ser prepotência da minha parte mais uma vez, mas, depois eles vão embora por achar que é muito real pra engolir, tipo uma ostra semi-viva ainda se mexendo no limão...enfim, o negócio é que as coisas sempre se vão. Talvez, e se talvez....Oh, o que será de mim apenas comigo mesmo?!

sexta-feira, dezembro 23, 2016

Torpe

E pulsam as têmporas, o coração desacelera e eu não consigo mais focar, o sono some, volta, dá voltas em mim, eu desço as escadas no escuro, abro a porta de trás, acendo dois cigarros na sequência, mando notícias pra uma amiga, espero pacientemente o sono voltar, afinal, é férias quase, quase.... Quase voltei 10 anos no tempo.

quinta-feira, dezembro 01, 2016

E aos poucos vou rompendo todos os laços... Devagar... Em silêncio... Diminuindo expectativas... Aprendendo a aguardar as coisas que batem violentamente pra sair de dentro do peito.

quarta-feira, novembro 30, 2016

Abandono

"É só a merda do ciclo de novo" ele disse tentando se convencer que, ao ter passado por isso várias vezes, conseguiria prever o que estava por vir. E então o despertador não foi ouvido, suas horas na cama se estenderam mais uma vez e o sono não pareceu tão bom como de costume. O água do banho desceu por seus cabelos como se passasse por cima de um machucado recém cicatrizado, estava tudo meio amortecido, banho quente...talvez não tenha sido essa a melhor escolha. A comida se embolou na boca e desceu travando. Levantou-se calmamente antes de qualquer outro na mesa, colocou seu prato na pia, deixou tudo como estava e saiu da cozinha tentando não fazer ecoar os passos pesados. Começara de novo então, tudo sem cor, sem gosto, horas a fio tentando sentir o vento no rosto, sem sucesso nenhum. Percebeu que o amortecido não se fazia só no calor e isso o fez estremecer levemente na ponta dos pés. Pensou que as horas voavam junto com o vento, mas quando viu se passaram só 20 minutos. Aquela sensação de que não conseguiria chorar pra aliviar um pouco o peso... um dia todo pela frente.

domingo, outubro 30, 2016

JR

O que poderia ser mais interessante do algo que está pré definido para não acontecer. Algo prestes a explodir. Uma coisa que dá um leve ar de pisar em ovos ao mesmo tempo que traz um grande foda-se ao centro da mesa. Alguns olhares, algumas gentilezas, algum "conte me mais sobre isso, querido." E então pronto.

quarta-feira, setembro 14, 2016

Hoje tive um sonho estranho... Fui visitar um conhecido no caminho para a praia, parei por lá e acabei ficando uns dias. Tinha família, mãe, pai, tios, bebes, primos e todo mundo me tratava de um jeito peculiar. Meus pais foram comigo, mas acabavam saindo bastante com a família. Enfim entendi mais ou menos o clima, estava sempre tentando ficar sozinha, mas, sempre aparecia alguém de repente, daí eu saia de canto arrumando as roupas, as pessoas fingiam que não percebiam. Me deu saudade de algo que eu nunca vivi.

quinta-feira, julho 07, 2016

Quando eu tinha 15 anos

Uma vez fui com a melhor amiga da adolescência dar uma volta pelo bairro em que ela morava. Levamos conosco uma touca cada uma, e duas camisetas tamanho G de alguma banda de metal, o que ficava bem grande em meninas magrelas de 15 anos. Fomos andando em direção ao centro da cidade e colocamos nosso disfarce. Começamos a caminhada de um jeito meio estranho tentando imitar meninos e de repente tirávamos a camisetona de cima da nossa roupa normal e o cabelo de dentro da toca , nos "revelando" então como duas meninas estranhas e bobas, que começavam e rir sem parar e corriam saltitando para sua próxima performance algumas ruas de distância. Não sei bem o que isso significa, mas depois desse dia começamos a nos fantasiar de esteriótipos e sair andando por aí, só pra ver como as pessoas reagiam.

domingo, abril 17, 2016

Então estava eu na porta da sua casa,
de novo, de noite e um nó na garganta,
da parte escura que a árvore fazia na rua
eu ligava e ouvia seu telefone lá dentro,
e por vezes eu não tive ar, tanto que...
escrevi 37 cartas pra você...
todas diziam a mesma coisa,
hora com rabiscos puxados,
hora com curvinhas nas sobras,
Uma eu entreguei pro seu porteiro,
disse que não sabia o apartamento,
mas, sabia o seu nome e ele te conhecia.
Fui embora. Não sei se ele leu.

terça-feira, abril 12, 2016

tem dias que qualquer: obrigado pelo convite, mas... faz com que meu tchau saia atravessado

domingo, abril 03, 2016

Tinha um sapinho morto no meu quarto hoje. Parecia que tinha morrido há algum tempo, as pernas compridas esticadas e imóveis, um corpinho bem pequeno redondo ressecado. olhei bem de perto enterrei na minha floreira em baixo da janela.

sexta-feira, abril 01, 2016

Um monte de choro escondido em pequenos versos, poemas inteiros, livros antigos com recado nos cantos das páginas, músicas em Ré, cheiro de chuva, cachorrinhos dormindo.... meu coração dando pulos, soluços, desesperadamente se opondo, a minha vontade de não existir vai com o vento da tempestade anunciada que invade meu quarto, meus ouvidos, meus arrepios e calafrios de medo que dá nas solas dos pés.

sábado, outubro 31, 2015

6:11

Pela primeira vez tive dó.
Respirei fundo, decidi os proximos atos e então, certeira, taquei o resto da garrafa de alcool na barata de 5 cm que tentava saber que lugar claro, liso e rosa era aquele banheiro que ela estava.
Em desespero, ela escorregava tentando sair da pia, sem êxito.
Todas as perninhas esperniando o ressecamento entorno.
O cachorro pulava em mim por sentir. nervoso que eu exalava e o nervosismo aumentando e a barata meio tonta finalmente saindo da pia.
Exitei ao fechar a porta quando vi que ela não conseguiria voar, que estava indo pra longe de nós, um tanto quanto obvio se pararmos pra pensar que é apenas um animal fugindo da morte, com medo, repleta de cheiros e barulhos de ódio e nojo.... e dó.
Não aquela dó querendo dizer compaixão.
Dó mesmo, me sentindo superior, com a decisão na mão, vendo o bicho morrer lentamente,  e sabendo que a quantidade de alcool não seria o suficiente pra uma barata daquele tamanho.
E a irmã guinchando ao fundo.. e eu disse logo um shiiiiiiiiu, mas, a mãe já acodou.
Olhando com pesar então,  jogo mais um gole do resto de algo ao alcance, que lembrei que levava álcool na composição e insuficiente de novo.
A mãe foi buscar mais álcool.... eu sabia que podia matá-la mais rápido, agora que não tinha mais medo de olhar a morte, de chegar perto de algo morrendo e ter a certeza que não vai atacar de volta... ou tentar fugir...ela estava sufocando, não é mesmo?
Eu podia matar e não matei.  Podia acabar com o sofrimento naquele instante, mas, não  fiz. Fiquei com dó pelo desespero.. e por saber que não mataria de outro jeito, não, seria lentamente. Olhando.
Brrrr calafrios tardios agora.
Bom, no fim joguei o suficiente e então ela morreu nessa ultima tentativa, quase instantaneamente.
E eu fiquei olhando, não peguei o cadáver, não vou pegar e ninguém pegou.

domingo, outubro 18, 2015

05:03

Vou sentindo que cada ato sai errado...
O tempo desencontrando nas falas...Essa saudade de você que não passa...Chuto com força as paredes de dentro do meu peito só pra ver se aperta menos.... mas, dai aperta mais e eu sinto que nunca serei tão feliz quanto.

quarta-feira, setembro 30, 2015

ontem a noite eu pensei em um monte de frases de efeito para jogar aqui, todas soltas e ir organizando racioanlmente conforme o pensamento do dia que estou agora, estavam claras, muitas até faziam sentido entre si, mas, a conexão que tem nessas coisas eletrônicas não serve pra criatividade espontânea, deveria, mas não, a gente só fica lá perdendo o tempo, vendo ele passar por um contador no canto da tela, as horas indo como se tivessde um relogio bem grande na sua frente, daqueles que não param o ponteiro nos segundos, e, antes de você conseguir contar 59, o ponteiro já está no 3 de novo.

Talvez eu tenha algum ataque cardiaco mais pra frente
e melhor evitar cada vez mais os momentos emocionantes,
vai que numa dessas fotos antigas eu me perco,
entro nas portas e janelas da paisagem ao fundo
e fico lá relembrando como a gente era
quando estava de costas, olhando pra câmera.

terça-feira, agosto 25, 2015

A paixão vem fácil entre os soluços que lembrar da dor faz,
vou tirando as casquinhas dos machucados quase cicatriz.
o coração já aberto e o olhar fixo em você,
desvio e rio pro chão, balanço a cabeça em não,
as coisas começam a rimar e daí ... já foi.


Li em algum lugar: "como a dor de terminar com alguém que você ainda ama". Não foi um texto sobre isso, foi só essa frase, e despertou a luzinha do cliche no meu coração. Daí que luz dentro do coração dói por que lá é sempre tão escuro e cheio de sangue, pulsações ritmadas não estão acostumadas com o calor que dá ser iluminado. Essas luzinhas são é pra se ter na cabeça, que já tá cheio de lâmpadinhas de idéias, sabe?

sexta-feira, julho 17, 2015

Fim de sexta

As vezes eu queria dormir até a epoca em que eu já fiz tudo o que tinha pra fazer nessa vida e apenas lembro de poucos momentos marcantes da juventude, sem reconhecer mais ninguém, com a memória revivendo todos os dias passados como se tivesse acabado de acontecer.

E outras vezes eu queria só acordar e perceber que isso que eu vivo ainda não existiu e eu ainda tenho todo tempo do mundo pra viver tudo de novo pela primeira vez.

Essa mania que tenho de me isentar o presente, minha nossa, a minha própria vida normalmente não é a que estou vivendo.

sábado, julho 04, 2015

Mês de agosto

Eu avisava e ele de pronto respondia:
- pai, a blusa tá do avesso...
- é pra espantar cachorro louco.

sexta-feira, julho 03, 2015

Quinta nublada

O barulho da rua entrou pela janela,
Entre vozes se misturando com as gravações,
Com a musica tocando no andar de cima,
Ouço os pés pousando no chão,
Sinto a vibração dos passos dentro do peito,
Os olhos vão lentamente forçando abrir,
Quando fecham de vez me pego sonhando,
Com o que está aqui fora ecoando por dentro.

Sonho de vento

Sonhei que estava de férias num campo, o terreno era formado por vários níveis, caminhos de terra dividiam o gramado, interligando os casarões espaçados. Eu me via, passando ao fundo, por cima dos ombros de uns meninos que me olhavam de uma colina próxima, sentados embaixo de uma árvore com o vento vindo de trás deles em minha direção. Dava pra perceber que o eu lá longe ouvia tudo que eles falavam, mas, isso eu só sentia, porque eu mesmo não consegui ouvir nada.

Guardei no armário um copo usado,
No fundo dele os restos de suco de maracujá,
E seu cheiro misturado à madeira,
Me trouxe uma lembrança de infância,
Cheiro de doce guardado no fundo do armazém,
A luz palida entrando pelas portas da frente,
O ar parado e frio da esquina de casa,
A poeira subindo lentamente com os passos pesados da avó,
Entre os caixotes a serem organizados num canto,
Na lembranca de algo que nunca vivi.

quinta-feira, julho 02, 2015

...queria que minha casa fosse inteira cama e eu pudesse rolar por aí sem me levantar.

quinta-feira, maio 28, 2015

" Agora o verão  se foi
E poderia não ter vindo
No sol está quente,
Mas tem de haver mais.

Tudo aconteceu,
Tudo caiu em minhas mãos.
Como uma folha de cinco pontas
Mas tem de haver mais.

Nada de mau de perdeu,
Nada de bom foi em vão....
Uma luz clara ulumina tudo
Mas tem de haver mais.

A vida me recolheu,
À segurança de suas asas.
Minha sorte nunca falhou,
Mas tem de haver mais.

Nem uma folha queimada,
Nem um graveto partido.
Claro como um vidro é o dia...
Mas tem de haver mais."

Arseni Tarkovsky

sexta-feira, abril 24, 2015

Pensando em como sempre são 4 da manhã.
há algumas semanas me deparei com um medo,
que não sentia faz três anos de tempo,
e o jeito de ser me fez agir,
como sempre em situações de pânico,
com a velha e boa cordialidade,
falsa intimidade e sorrisos excessivos,
me parece que essa fórmula,
funciona toda vez,
daí, eu fujo.
Estou ha dois dias sem comer, não sem comer nada, mas sem vontade de comer. Preocupada com as dores de cabeça que a falta de comida sempre me causa, acabei com meio litro de leite e o resto da caixa se sucrilhos em porções esporádicas entre uma soneca e outra. Falando em soneca também fiquei sem dormir, as únicas horas de descanso se passaram entre, filmes que já vi e o trocar de lado no sofá, os olhos pesados focando aquela parte que você até já sabe a próxima fala, e então, mais meia hora de suspiros profundos.

terça-feira, janeiro 20, 2015

:OH FUCK

E, ao dirigir muitas horas noturnas na estrada vazia, me veio uma visão. Entre as nuvens pesadas e escuras no horizonte, apareciam mais de perto os avisos de uma tempestade por vir, os trovões silenciosos brilhavam o céu entre um azul ofuscante e um rosa escuro avermelhado, era preciso cerrar de leve os olhos para ver a mudança entre as duas cores. Sem que fosse notado, um sol pálido surgiu entre o canto da janela esquerda e o retrovisor, estranhamente não tinha raio nenhum, era simples um circulo, com o perfeito contorno visível, de luz difusa entre as neblina rala pré tormenta que cobria o amanhecer do dia. Aquilo me tirou todo o foco da chuva que começava a cair ao longe na estrada, chegando rapido a meu encontro, quando menos vi chovia pavorosamente uma leva de granizo, o calor abafado do verão entrava pelas frestas abertas da janela do carro com o início da chuva, o sol se escondeu de novo entre os barulhos que agora atordoavam dentro do carro. O amanhecer escureceu, e dirigi pela noite por mais duas horas.
E te veio a certeza de que eu era só pra olhar, só olhar de longe, enquanto eu me remexia em caras e bocas para você, que sentado no pequeno sofá da sala só olhava.  Simplesmente eu podia fazer o que quisesse, mas, preferia ficar ali, também olhando entre os cabelos que me cobriam o rosto de permeio à uma pose ou outra, os cabelos pretos e compridos emaranhando a vontade de esperar fazer o que fosse comigo. Você só olhava e eu fingia que não sabia fazer nada, eu fingia muito bem e você realmente não sabia o que fazer, afinal, duas pessoas submissas não formam nada mais que uma vitrine.

sexta-feira, dezembro 05, 2014

Ciclicamente a confirmação da minha solidão me alcança, e ingenuamente, pensava eu que cada vez que isso acontecesse seria mais fácil, por já ter acontecido num ciclo anterior, mas, parece que cada vez fica pior, cada vez a dor é mais aguda e mais profunda, percebo na superfície dos outros que não importa o que você é e sim o que você faz pra eles, com eles, tudo por eles, a mesma situação se repetindo no lidar com o mundo de humanos egocêntricos, no qual eu me encaixo com certeza, e com certeza vou me fechando no meu mundo secreto, em que conviver com animais me parece muito mais real e sincero, hoje me parece absurdamente a única coisa real e sincera que vivo.

quinta-feira, novembro 20, 2014

Fiquei olhando para frente ouvindo a mesma música por horas, não sabia mais como me mexer, era como se meus braços e pernas não obedecessem mais nada, minha mente parou de responder aos estímulos externos, não chorei nem mudei o foco do olhar, simplesmente, fiquei ali, então escureceu o dia e eu continuei parada.
Mudei cinco vezes essa semana, quando me acostumo com a nova disposição acabo pensando em você de novo.
Está há uma semanas sujo, o apartamento inteiro, depois que ele se mudou perdi minha vontade de mudar as coisas de lugar, parece que se continuar como está a presença permanece, mas... está sujo.

Não consigo visualizar os móveis em posições diferentes. Preciso me mexer, estar, pensar sobre, mudar os móveis de lugar ... me atraso.



quarta-feira, novembro 19, 2014

Debaixo da luz à pino via que os pêlos eram claros, cabelos, barba, cílios, tudo num tom dourado postos perfeitamente em um rosto liso, sem marcas.

Com aquela luz vindo de cima, seus olhos brilharam de excitação, olhava pra ele como se fosse a primeira vez estranhando perceber suas feições e cores como se as nunca tivesse notado antes, principalmente por ser tão familiar.

Gostaria de passar o tempo todo junto dele, mas, o motivo não era pela presença constante, e sim o fato do encontro ser depois de alguns bons momentos separados.

A estranheza cobria seus sentimentos como se tivesse que conhecê-lo de novo, mesmo sabendo como ele agiria aos mais variados estímulos, mesmo sabendo que poderia agir normalmente em sua presença.

Então se fez presente, o máximo que pôde. Não foi muito.

sexta-feira, outubro 31, 2014

eu sabia

Ah, aquelas promessas que só existem quando não se tem mais nada pra fazer além de ver alguém suspirando por você, é tipo uma mentira pronta pra viagem (e me vê duas, por favor), bonito por fora e mais barato por ter o prazo de validade vencendo, a vida simplesmente vai e os fungos vão tomando conta, se estiver fechado não dá pra sentir a podridão aumentando, aumentando, assim vai ficando no fundo da geladeira, enquanto coisas novas entram e saem rapidamente, só esperando pra ser jogado fora.

terça-feira, outubro 07, 2014

sinto o descolar lentamente,
e pela lentidão não se sente doer,
só decepcionar, mas, isso não dói,
por que é algo esperado e só,
a confirmação de algo que já se sabe,
dessas coisas de ser mais fácil tirar devagar,
por que tira a cola junto e não sobra nada,
ao contrario de um curativo,
que é melhor arrancar de vez,
no olhar a carne exposta que assusta mais,
do que a dor sentida instantes antes.

quarta-feira, setembro 17, 2014

O que precisa para não querer mais sair da porta de casa é bem simples. A quantidade de afazeres acaba revelando um mundo mais real aqui dentro e as pessoas vem para aumentar a atmosfera que crio com fumaça e luz indireta. Sou dessas familias que se juntam em volta duma mesa de cozinha, compartilham os momentos com petiscos e risadas até que chegue a hora de dormir. E continuando a tradição amaldiçoo minhas visitas como uma bruxa má que engorda criancinhas. A maldição é preguiça, gula, luxúria, avareza, ira, soberba e vaidade. E todos se saem muito bem, obrigada.

sábado, agosto 23, 2014

Tô com aquele agasalho que você me deu há dois dias ... acho que ele aguenta mais uns dez.
Sinto que a vida vai me levar pro caminho de te seguir de novo, esperando mais uma vez pra algo piscando verde ali no canto mais escuro da sala, enquanto me cubro de cobertores, cachorros e pacotes de bolacha pela metade.

sexta-feira, agosto 22, 2014

Afinal, os dentes rangendo não pareciam mais tão ameaçadores e qualquer quebra não estava em vista depois de todo o calcio que conseguiu acumular dentro dos seu corpo.

quinta-feira, julho 17, 2014

Enfim, a sós, re-decorando poses e plantas entre azulejos da cozinha fria que tenho no meio do inverno, me perdi na possibilidade de todos os ângulos que o ambiente me dá, e vi, lentamente o sol passando pela parede, marcando os 15 em 15 minutos de espera, respirei fundo umas quatro vezes, fundo, e se voltar pra lá, agora, antes de sair pra um horário mais quente do dia, vou acabar esquecendo de novo que, de noite, vai acontecer a mesma coisa.

quarta-feira, junho 25, 2014

"Todos aqueles que fizeram grandes coisas, fizeram-nas para sair de uma dificuldade, de um beco sem saída"

terça-feira, junho 24, 2014

Vou sentido nos dedos 
por dentro e mais me parece 
o que o frio dá no osso,
mas, acho que é só a falta, 
ou lembrança, 
do peso/apoio,
da janela abrindo,
do teso do olho,
do não querendo,
proporcionalmente
encaixando, nuns dois 
números menor que você,
perfeitamente e comprovado
em comparação no rapido
reflexo do vidro da janela,
pisco que me deu,
no suspiro e semi cerrar
dos olhos, repara só,
a luz que refletia o que
de antes e longe se via,
a esperança que dava,
algum lugar pra segurar,
quando todo resto
não se sentia muito, mais. 



ANGELA CARTER, "The Lady of the House of Love"

"Um conto de Deuses Americanos
Ela mesma é uma casa mal-assombrada.
Não é dona de si própria; seus ancestrais às vezes aparecem e
olham das janelas de seus olhos, e isso é muito assustador. "

segunda-feira, junho 16, 2014

E sentindo de novo que a preocupação é mínima diante dos atos necessários, finjo que esperança ainda existe, passeio despreocupada e atenta pelos lugares que nunca estive e que deveria ter passado antes. Penso que tenho muito o que fazer e os dias passam como os anos que se passaram até agora, com aquela sensação que só se sente a dor depois que o corte começa a sangrar, mas, o corpo está tão quente que só é uma leve ardida no braço que foi arrancado sem perceber. E se para pra pensar muito esses tais de distúrbios mentais, muito comuns nessa nova época da vida do mundo,  afloram, e meus pés não descolam do chão. Meus desenhos foram virando rabiscos empilhados no canto de uma cômoda qualquer, meus fios de cabelos brancos lutando, contra minha ainda juventude, pra sair depressa, minhas memórias ficando longe, longe.

quarta-feira, maio 07, 2014

Tenho sonhado ultimamente,
desses sonhos agitados que me fazem girar na cama,
quando acordo todos os travasseiros estão jogados por ai,
e paira aquela sensação de que tudo foi verdade,
me vem a vontade de voltar pra casa,
vem a certeza que esta não é a minha casa,
um medo me toma conta e tudo ganha chão.

terça-feira, abril 22, 2014

Não mais que de repente,
me vi metade de algo,
que, há anos, é
algo que nunca foi,
nunca foi e ainda assim é,
por que o não ser, é sim,
um estado do ser,
principalmente,
quando tanto não,
é tanto quanto o ser,
e por isso, sei que é,
daí que esse não,
se condicional ou
se ao caso um chão,
se sinto por acaso
ou se pelo o incerto,
que seja, o que for,
sinto de qualquer jeito,
e sempre é um sim.




quarta-feira, março 19, 2014

e ponto final ...

foi o que o coração disse recentemente, pra meu assombro,
usando a fala dele mesmo, em batidas ritmadas,
bem rápidas, ecoando em todas as veias,
fazendo pulsar a têmpora esquerda,
dando pulinhos de estranheza,
bem diferente de amor,
e ponto final
.

terça-feira, março 11, 2014

...adultos que, debaixo de um verniz de doçura, ruminam intenções vingativas...
Levo o fardo de sentir uma alma romântica,

e não estou falando aqui em romance,
como histórias contadas e relatos baseados
em qualquer coisa real ou inventada, não,

estou falando em ter um quê de piegas
pairando o tempo todo à realidade,
transformando tudo em ridículo,

o volume todo pesando sobre
todos os amores que já tive,
sobrepondo e acumulando,

sim, mais de um, sempre foi,

ainda é e sempre será ao mesmo tempo,
por que passa da ideia definida de
que só amamos uma vez na vida,

amo o tempo todo, todo,
cada brilho formando no olho,
cada detalhe emociona forte,

e assim amo de novo e de novo,
por não saber controlar, talvez,
por não saber a hora de parar, também,

mas, não sinto vergonha por sentir vergonha,

me abalo em tratar tudo como se fosse
a última vez, e o nó na garganta vem,
quase diariamente se parar pra pensar

direito no que sou capaz de sentir,
não que o resto do mundo não seja,
sabe, não é prepotência, é amor,

sinto a reação física disso à exaustão,
um pouco diferente das pessoas a quem pergunto,
amo sem a menor dúvida, sempre,

cada momento que transformo em mágico,

e amo como amo a magia,
o fantástico sem leis naturais,
tiro da vida qualquer lei

que não seja o amor, é triste,
com o passar dos anos,
nessa virada dos quase trinta,

percebendo seres humanos
como indivíduos distintos de grupos,
não preciso mais que você saiba,

que levo isso pra sempre, desde sempre.

terça-feira, março 04, 2014

A timidez evita muitas coisas na minha vida, trava alguns músculos bem na hora da incerteza,
faz balbuciar, com pausas dramáticas demais, palavras de aceitação e falso desdém pelos acontecimentos
momentâneos, coloca no lugar a tal cordialidade irreal e cheia de piadas sem graças, tropeços no ar,
risadinhas de desespero, uma lista ou outra de afazeres diários e planejamento de férias, enquanto o terror noturno aleatório aumenta conforme a passagem do tempo, mas, uma coisa eu aprendi com tudo isso, se a gente não ligar, provavelmente ninguém ligará também, e isso, hah, isso é uma coisa impagável, conseguir perceber, na omissão que essa timidez me causa, que o afeto era unilateral, não precisamos falar mais nada, dai é só ir embora em silencio.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

E o bater de portas me fez ouvir mais alto por alguns instantes,
deve ser adrenalina que ajuda o prestar atenção no som ambiente,
e com essa super audição o ouvi respirando alto, com seus chiados,
gatinhos dentro do peito carregado, anos de fumaça morna, espessa.
Inspirou calmamente como se aqueles ruídos nem existissem, e de fato,
não existiam fora a clareza que um medo causa, clareando os cantos,
o som que ecoa com mais força pela luz rebatendo na parede branca.
O medo me é claro, um clarão para dizer bem dito, quase explosão de luz,
que cegando por instantes me faz ouvir mais claro, mais ao fundo,
mais tato, com menos sangue nas extremidades que vão ficando frias,
mais rugosidade no toque dos dedos dos pés que normalmente nada sentem,
a não ser seus macios sapatos e meias do dia a dia, a rotina que não tem medo.
Mas, no momento mesmo, da brancura ressonante cheia de calafrios,
ouço tudo aquilo que não se quis dizer e descansa com os gatinhos,
dormindo calmamente dentro do peito enlacrado e escuro.

Sem Aviso - Clarisse Lispector - Aprendendo a Viver

"...E quando nos álbuns de adolescentes eu respondia com orgulho que não acreditava no amor, era então que eu mais amava; isso eu tive que saber sozinha. Também não sabia no que dá mentir. Comecei a mentir por precaução, e ninguém me avisou do perigo de ser tão precavida; porque depois nunca mais a mentira descolou de mim. E tanto menti que comecei a mentir até a minha própria mentira. E isso - já atordoada eu sentia - isso era dizer a verdade. Até que decaí tanto que a mentira eu a dizia crua, simples, curta: eu dizia a verdade bruta."

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Ah,
na imensa capacidade
da auto-ilusão,
acabo me confundindo,
de qual parte era real,
e qual era você.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

conversa canina

Hoje fiquei por cinco horas olhando pra você, que silenciosamente gritava por ajuda enquanto tentava sem sucesso falar alguma palavra que fosse. Eu gritava alto do lado de fora da sua cabeça, te chamando pra sair dela e viver aqui fora comigo ... não deu certo.

sexta-feira, janeiro 31, 2014

Medo

Com corpo ainda quente, saiu na ponta dos pés, abriu a porta com cuidado e a fechou rapidamente atrás de si tentando não fazer nenhum som que a revelasse. Ao invés de lutar como de costume, fugiu olhando pra trás de vez em quando, correu pra longe e não, não contou pra ninguém. Durante dez dias as dores invisíveis foram sentidas em pequenas marcas pontuais, palavras foram decoradas no espelho e o escuro foi interligando os fatos nas noites que ficavam cada vez mais curtas. Por fim estava lá, como o combinado, esperando nos intermináveis minutos de coração disparado. Mas, quando chegou mesmo a hora os olhinhos foram enchendo, se desculpou por ter agora um monte de medo preso no peito, engoliu o choro e escondeu metade do rosto molhado no monte de travesseiros amassados num canto da cama recém arrumada.

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Oh, ne me faites pas pleurer pour vous.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Oh

Nada é muito risada,
é mais o nervoso.
No seu esplendor
vira um altar.
Suntuoso como não
deveria ser e jamais foi.
Fico imaginando
que acreditei.
As historias alheias
que apenas bajulam.
Que bobeira
de adulto que virei.

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Então,
ouviu-se
meu
coração
pulando
uma
batida,
por
você.
O ócio que permeia decisões prorrogadas,
a maldita mania de bater os pés no chão
esperneando pra você mesmo
que o mundo conspira e essa baboseira,
por mais que não seja, parece que é,
então de novo e de novo,
tenho preguiça e prefiro dormir
com nosso ar de auto-piedade pairando,
entre nós dois, preenchendo o que falta,
a primeira vista um sonho a parte,
a segunda, a necessidade por inteiro
da decisão certeira e agora,
ou tudo,
ou fora.

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Sobe um ar 
gelado na espinha,
a nuca força o olhar pro chão,
parece até 
de propósito,
mas, juro, 
juro mesmo,
que é incontrolável,
e olha que não sou
de jurar e prometer,
mas, o coração bate 
que quase não aguenta,
e...
presunção da minha parte,
me parece que 
sempre 
sempre esteve assim,
esperando,
sem luz.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

São apenas coisas
pra se esperar,
e eu espero
muito bem, obrigada,
consigo não me mexer
no enquanto.
Fico apenas ouvindo o leve
virar de pagina,
bater de xicaras na mesa,
voar do lado de dentro
preso no canto esquerdo,
batento violentamente contra o virdo,
veja bem, me sôa violento apenas
por que estou parada olhando.
Eu mesmo não faço barulho,
talvez de coração e
cigarro demais fazendo efeito
na traqueia cheia do ar pesado,
mas, nada que abafe
a mosca violenta, tentando
fugir de um torrão de açucar.
Ela grita de pavor e ninguem
ninguem ouve, o dia de vida
único prestes a acabar,
pro dia seguinte virar,
junto com pó da tarde, lixo.

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Do you mind?

A pesquisa foi em vão,
de certo que sem afinco,
mas, a idéia continuou,
...
então
...
um dia alguem disse
que quando se apaixonasse
não conseguiria mais fazer arte
...
e não é!?
O mais estranho,
é estarmos flutuando
no nada e em volta
de uma bola de fogo,
e tenho dito.

segunda-feira, novembro 11, 2013

Então achou que mudaria alguma coisa testada,
aquela que se preparou por anos até que tivesse coragem,
decidiu e ponto, soou como uma coisa bem mais definida,
diferente aos olhos, menos carnal talvez,
mas, percebeu que o escrito estava errado,
que a interpretação dos fatos valeu mais do que
o que, poderia ser chamado de feitos, o que
uma simples receita para deixar seu estomago
mais confortavel a todas as coisas que entram borbulhando,
gases acidos subindo dentro do pescoço,
os ossos esmigalhando de trás do rosto vermelho esquentando,
incontrolável e já se passaram das duas,
todas as coisas que achou que falaria e não.

domingo, outubro 13, 2013

Foi tocando os mesmos sons.

O barulho do ventilador oscilando de leve,
quando entra algum plastico de cigarro,
aquele que sempre acaba voando 
pra algum lugar que a gente nunca acha.

Um suspiro ou outro entre os intervalos
de algum filme plano de fundo qualquer na televisão.

O latidinho do cachorro sonhando a tarde ensolarada,
do domingo cheio de gente, com mesa farta, 
olhinhos fechando cansados, 
de amor e a quase satisfação. 

A luz mudando aos poucos de uma ventania clara
praquelas lampadas de luz amarela,
refletindo na parede branca,
entardecendo a sala junto.

Mais convidativo pra ficar mais,
uma horinha quem sabe...
Até ficar de noite e as luzes parecerem apenas abajures 
de um lugar que deveria ser mais claro. 

A fumaça foi com a exaustão do ar,
passando direto por mim, cheia de sustos com pulos,
fechando um dos olhos de vez em quando,
a visão escurecendo nas bordas,

e esse medo de não ver mais.

segunda-feira, maio 20, 2013

Faithless - City And Colour

Please believe in what I say

Cause i'm running out of ways to convey

This lack of faith in myself

That's becoming my own personal hell


Vicious coldness settles in

And my bones feel like they're breaking through my skin

Well god damn you, you're feeding on my loneliness

What an awful way to live

What a way to live


Get me out of this place

'Cause I'm stuck in a rut and I can't stomach the taste

My lungs are filling up with dust

I feel bruised and broken with no one left to trust


Vicious coldness settles in

And my bones feel like they're breaking through my skin

God damn you, you're feeding on my loneliness

But i will not let you

I won't let you in

segunda-feira, abril 29, 2013

Desculpe a má educação, mas...cê tem que ver que foda-se.

quinta-feira, abril 18, 2013

Descobri que meu limite são três drinks, mas, tem que ser aqueles na taça, pra fingir o glamour da minha própria depressão, convenhamos, fica muito pior tomar drinks em canecas em baixo de um cobertor, mesmo por que, nessa situação o limite teria que diminuir.

quarta-feira, março 27, 2013

saudades

Medo de não ter mais tempo.

Pra fazer o que deveria ser feito,
faz meus olhos arderem,
com lágrimas que não rolam,
mas, mostram que no mínimo
essa água salgada nos olhos,
consigo controlar sem tentar.

Entre aspas tudo isso,
me apropriando do que
já não é meu, e arrisco
que nunca mais será,
a medida que vou lendo,
e ouvindo, vou... só.

Regorgitando coisas dos outros,
idéias dos outros, outros sempre,
esses outros que tem o poder
de me fazer sentir mais
do que eu mesma me faço,
mas, seu também, mais seu.

Você olhando pra mim,
com espanto e amor,
apesar de tudo, a pesar tudo,
que é novo toda vez,
aí lembro das melodias
que saiam de você.

Por mim, tudo por mim,
o medo por mim,
o medo de esquecê-las,
as canto pelos cantos,
todas as noites que
não consigo dormir.

Preciso lembrar de você.

terça-feira, março 26, 2013

"If you see me hanging round, 
you don't know me
don't stare at me for too long."

domingo, março 03, 2013

Damn, girl!

Nada com unhas e dentes faz mais sentido.... meu unico, e solitario, amigo.

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

douchebag


An individual who has an over-inflated sense of self worth, compounded by a low level of intellegence, behaving ridiculously in front of colleagues with no sense of how moronic he appears. 

O problema que é querem que aconteça  só quando eu não quero ... isso dá pra entender? acho que dá, sempre dá...nada, finjo que não quero um pouco disso, um pouco daquilo, só pra entrar  na brincadeira de quando estou presa  fingir querer me soltar só pra alguém suspirar e dai vira rima, mas,  eu não vou, quem vai?! 

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Tadá

Gosto de assistir trailers de filmes que nunca verei,
só pra imaginar como eu viveria a história, daí,
sempre se tornam um drama romântico de merda,
e no final todo mundo morre, fim.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

I went in

A little hope tonight
It was small
But it was all I needed
A split second when
We both lost control

It wasn't just me

It wasn't just me
We stopped in the street
And you stopped breathing
Your head tilted back
Heart attack

You closed your eyes
And opened your mouth
I went in
When nothing came out
You closed your eyes


Why are you afraid of me?
Afraid to be alone with me?
You know I'll ask
And then you'll crash
Now I know why you're afraid of me

quarta-feira, janeiro 30, 2013

wearing old hoodies

Arde forte na barriga,
dá pra ouvir barulhos,
nervosismo, ansiedade,
tenho calor e frio invertidos,
de tanto, mas, tanto...
medo acho, achado,
não fecho mais os olhos,
no susto deixo-os abertos,
vejo cada detalhe,
por pior que seja, e é,
cada detalhe pior,
roubam coisas de casa,
mas, depois devolvem,
é tipo pegar emprestado,
só que não,
me força a decorar,
todos os objetos de valor,
sentimental barato,
todas as nuances e tons,
pra bater o olho e perceber,
alguma cor faltando,
nunca percebi nada,
nunca decorei nada,
na da verdade,
na da mentira,
decoro nada mesmo,
só acredito.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

enfadonho

Toda inspiração corta 

a carne com um soco.

Arde e sangra, fica dolorido 

só por um bom tempo,

Aquele espaço de tempo

da rouxidão dum hematoma,

que, no sadismo,

adoro cutucar pra me ver gritar,

contorcer por dentro até transbordar.

Porque não chega a ser um choro,

não possui a força do chorar,

contrair a barriga e dobrar,

é um preenchimento da dor,

necessidade, que passa na hora.

que vai enchendo enchendo.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Porém...

Engraçado o meu contar de tempo nos textos,
pois se fazia comum no horário da publicação.
Em poucos dias, num filtro amadurecido,
(entenda-se também como loucura),
tirei de circulação os que incomodavam.
E as datas todas mudaram, e agora
só recordo dos mais importantes.
Perdi a referência do tempo e espaço
dos últimos 6 anos e todos se confundiram.
Depois de pensar em datas e horas,
lembrar vagamente dos meses,
percebi que nisso tudo,
tudo me parece igual.

terça-feira, setembro 18, 2012

The Rotter's Club

" ... e a mensagem que ela havia escolhido era de uma simplicidade mágica e perfeita. Talvez por isso tivesse sentido que a mensagem era pra ela, só pra ela."


e agora eu deveria abrir a minha alma e me comover com a sua inesperada declaração e gotas de chuva contra o sol e arco-iris formando na minha parede e cheiro de bolinhos prontos no forno e por do sol rosa e amanhecer laranja e todas essas coisas que o amor aflora na minha mente, mas, não vou... por que sozinho ninguem sente nada além de saudades e fim.

terça-feira, setembro 11, 2012

" o sol de sábado


O sol de sábado veio cedo em uma manhã
Em um céu tão limpo e azul

O sol de sábado veio sem aviso
Então ninguém soube o que fazer

O sol de sábado trouxe pessoas e rostos
Que não pareciam estar em seus dias
Mas quando me lembro daquelas pessoas e lugares
Eles eram realmente tão bons em seus caminhos
Em seus caminhos
Em seus caminhos
Sol de sábado, não virás me ver hoje?

Pense sobre histórias sem razões e rimas
Circulando sobre seu cérebro
E pense sobre pessoas em suas estações e no tempo
Voltando novamente
E novamente
E novamente
E o sol de sábado transformou-se na chuva de domingo

Então o domingo cobriu o sol de sábado
E entristeceu-se por um dia que se foi

you shouldn't mumble when you speak


temos que entender sozinhos que boa sorte não eh um conselho

sexta-feira, julho 06, 2012

Parece brincadeira, ou muita sacanagem, nesse mesmo horário, todos os dias sem falta, o dia vai acinzentando, meu quase humor.

quinta-feira, julho 05, 2012

Finco as garras pra não deixar,
rasga a pele violentamente,
sangra a carne fresca,
sofrido não?

segunda-feira, julho 02, 2012

Tenho um problema grave de falta de pontuação na fala, provavelmente se estende para outros aspectos, que seja, acaba confundindo todos que ouvem enquanto faz os pontos finais soarem como reticências causando expressões de expectativa... sempre me obriga anunciar o fim da sentença ¬¬ 

terça-feira, junho 05, 2012

Ah, a semelhança,
me fez (e faz) gargalhar,
do formato do olho,
às poses pra gente,
quase ouço os suspiros,
vindo de mim e saindo dela,
nela, a trela daquelas,
que não é só pra olhar.

quinta-feira, maio 31, 2012

Estranho, certas coisas têm de acontecer,
mais ainda, o como é necessário lembrá-las.

De vez em quando, enquanto e quanto,
esmagando o ar que aquece meus pulmões.

Tudo vêm parecendo tão claro,
claro demais, embaçado nos cantos.

Vai arredondando, rolando fácilmente,
rapidamente dominando de novo.

Lembro-me das mãos tão bem, nunca achei 
que seria assim e assim ainda lembro.

Dessas coisas que nunca (ou sempre) 
vão se auto-sobrepor ... ah!

Se a necessidade da dor não fosse,
como eu queria que não fosse tanta.

domingo, maio 13, 2012


"Haunted by the memories of things we'll never see
Guilty for the statements that we'll never get to speak"

quarta-feira, maio 02, 2012

Enquanto o frio dói no osso, continuo com os pés pra cima.
É realmente uma pose de descanso...mesmo com todas esses hematomas latejando.
Estranho só não conseguir dormir com tanto sono e cobertor.
Acho que é a falta do meu cachorro ao pé.

sexta-feira, abril 06, 2012

convenhamos

a música começou lenta,
veio um gosto doce
que adormeceu-me a boca,

agarrei cada frase assertiva,
e, duvidando da letra,
separei todas do contexto,

só percebi os cigarros
se acumulando no cinzeiro,
passaram quantas horas? três? cinco?

(...)
acho que se passaram mais,
bem mais.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

E quem diria, poderia ter sido eu mesmo.
Mas as lacunas que faltavam eu não fazia questão.
Viu?! Pode deixar aí ou embala pra mais tarde.
Dá muito frio isso, esse tal de ... Deus me livre,
vou te falar que consciente evito falar isso.
Invento um quem sabe pra sempre.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Sempre prestes a acabar

já é de manhã de novo

 o futuro ficando mais 

próximo de mim

do que o presente.

terça-feira, janeiro 24, 2012

Um pouco de açúcar,
as mãos começaram a pesar,
cresciam gigantes,
gordinhas e quentes,
os dedos não dobravam,
mover algum musculo,
parecia impossivel,
as palpebras forçaram dormir,
escurecia e embaçava,
1, 2 e 3 inchando sem parar,
turbulências subiam o estomago,
de subto despertava assustada
não conseguia dormir a noite
mas, pelomenos estava toda doce.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

8H

Reviramos em todos os dias, horário e lugar marcados. Precedemos aquelas poucas horas, arrumando por miúdo os detalhes. Bom que os gestos que apareciam, não pareceram assim tão planejados. Demos com presteza o olhar e despertamos antes do previsto. Diminuímos a dose homeopáticamente com amor. Foi simples pra parar de doer, agradecemos por faze-lo. Por que a dor passou, sim, do jeito mais bonito que já vi.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

há anos

Vem um nó tenso nos ombros
enquanto melodias novas ressoam
no nervosismo que faz bater
em quinas, paredes e portas.

Trombo com o fundo da garganta
respirando com dificuldade,
e cada palavra saindo mais rouca,
louca...pouco.

Volta ao lugar de onde se começa,
esquecendo horários marcados,
jurando tentar saber
por que o agora.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Foi em meados de setembro com a estação mudando,
as flores se abrindo, o verde se espalhando,
o dia esquentando, tudo bem nessa ordem,
com muito detalhe e pouca coisa,
nisso tudo a cor se perdeu com a luz do fim do dia, 
a noite esfriou cinza, pesada e choveu...bonito.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

ler muito me deixa assim

Dirigi como se fosse pra outro lugar,

tentamos umas duas vezes,
a escolhida foi a segunda alternativa,
(na verdade apenas por imprevisto que não foi a primeira)

enfim, chegamos em algum lugar bem agradável,
antes do algum outro lugar,
por que não parar?
andar alguns passos na terra
e sentar num muro de pedra qualquer,

rolha, cigarros e luz da lua,
que lua,
que aparecia de vez em quando
em nuvens cinzas e raios no céu,

só ao longe agora,
e nossos pés pendiam do muro alto
pra um pasto recem molhado,

o nublado deu a impressão que
você me dançava para o fim do amor,
indo ao longe em algum lugar escuro,
umido, cheio de sombras e branco difuso,

o fim do que é, simplemente,

e meu coração encheu de esperança
ao simplemente ver que existe o nada,

depois do fim,
o nada,

que simples deixa de ser algo
e passa a ser conjunto de uma coisa bem maior
perde a existencia pontual
fixa o próprio entendimento
em algo que não precisa se perder
ou entender e perceber alguma coisa que possa ser

e de branco sentava numa cadeira branca,
debaixo de um céu branco e uma tenda branca,
olhava de lá como um faraó olha de dentro
de suas vestes brancas pra um deserto seco,

sem perceber que o verde do ar a circulava inteira,
inteira pendendo levemente pro lado verde,
em todos os lados para qual olhava,

minto, minto,

atras de si estava azul,
como uma miragem bordeada de areia bege e marrom,
por que nas miragens, convenhamos,
tem que ter marrom,

(mesmo se for só aquelas fontes que jorram agua pela boca de um menino pequeno)

pelo menos tinha que ser marrom
parece mais molhado e dificil de atravessar.

quinta-feira, dezembro 15, 2011


uma pura transparência....um reflexo do meu próprio motivo para ser.
sem essa merda de bons costumes pra cima de mim.


...olha só que ridículo!

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Quando percebi a sala estava infestada de grilos,
pulando todos verdes pros tantos lados,
cima, baixo, lado, outro e outro e outro,
a gravidade deixou de existir,
senti meus pés desencostando do chão,
os grilos encostando em mim,
grudavam secos, mil patinhas secas,
me coçavam nas juntas e eu coçava,
até sangrar muito pros tantos lados,
e pulando os grilos ficavam todos vermelhos.

Paciência

-Virtude que faz suportar com resignação a maldade, as injúrias, as importunações etc.
-Perseverança, constância.
-Nome de certo jogo de cartas.

terça-feira, dezembro 13, 2011

fona

Estou na dúvida...
é tanta que fez mudar minha caligrafia.
Estranho ter esse tipo de consequência,
me preocupar em desenhar direito os "As",
escrever os pontos com pequenas bolinhas.
Ao final de cada frase afasto,
um pouco, do papel, o rosto
e vejo o desenho que surge
nas rebuscadas linhas que se entrelaçam
e formam laços com precisão.
Como se estivessem lá antes,
e o que se escreveu foi simplesmente
por ligar os pontos nas palavras
que não significam nada.
Na simplicidade de flutuarem,
e morrerem no ar.
"certamente não tinha inclinação para estímulos sem esperança nem admirava nada facilmente."

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Longo

Estava num apartamento vazio, e incrivelmente, mesmo paracendo o visitar pela primeira vez, sabia como era a vista daquele andar. Dali conseguia ver os trilhos do trem logo ao lado do prédio seguido de um terreno baldio descuidado.

A essa altura a chuva fina que atravessei para chegar tomara forma e formava enxurradas em qualquer sarjeta que encontrasse, os trilhos estavam já alagados e a água levou pouco tempo para arrastar qualquer tipo de coisa que pudesse atrapalhar a mobilidade do trem, e pelo que parecia, não funcionaria hoje de qualquer jeito.

A luz azul pálida que entrava pelas janelas revelava um ambiente vazio, seco e frio, causava um desconforto misturado com arrependimento que não se fazia entender facilmente. Logo abaixo da janela havia somente uma cama de solteiro sem lençol, as manchas secas no colchão mostravam um usual desleixo, como se aquilo estivesse ali para exatamente ser usado em emergências sórdidas.

Você saiu de um dos cômodos ao fundo da estreita sala principal me fazendo virar bruscamente e dar um mau jeito no pescoço, só consegui te ver de costas, você logo entrou na próxima porta, rápido, mas, o suficiente pra esclarecer o que estava acontecendo.

Fomos para nos encontrar, preparar o terreno para alguma coisa maior, seguiria o desfecho maldoso que inventamos. Não fora a primeira vez que estivemos ali, disso tinha certeza, mas qual fora a última vez que estávamos? Qualquer tentativa de lembrar parecia em vão, mas ficou claro que reconhecer aquela vista não era uma coincidência.

Olhei pela janela denovo e me espantei em como a chuva trouxera vários carros pra cima dos trilhos em tão pouco tempo, a quantidade de água era absurda. Pelo visto ficaríamos mais do que o previsto, se realmente tivesse alguma previsão. Mas, da onde vieram todos aqueles carros que eu não tinha notado antes?

Me destraí ao ouvir passos no corredor se aproximando rápido e certeiro da porta da frente, meus músculos se enrijeceram fazendo meu pescoço dar uma pontada, e então, duas batidas pesadas na porta. Hah, eu já suspeitava, mas não, não abri e você pelo visto também não se importou muito em ter qualquer tipo de reação que o revelasse.

Não sei quanto tempo se passou depois disso, pois, na minha paralisia momentânea me pareceu que o tempo nem tinha passado. Finalmente me mexi, o primeiro movimento foi passar a mão pelos cabelos, resolvi tomar um banho.

O banheiro estava bem limpo, água quente, sabonete, shampoo, toalha, tudo ali. E, sem nenhum sinal de vida em volta, simplesmente me deixei esquecer de tudo que nem sabia e fechei os olhos, deixando a quentura da água quase queimar a minha pele. Então engasguei. Me curvei forte pra frente, esquivando minha cabeça da parede por pouco.

Tinha alguma coisa na minha garganta, não me deixava respirar, estava se mexendo lá dentro, uma aflição misturada com ansia me fez abrir os olhos com força, como se isso fosse expulsar o mal dentro de mim.

Lacrimejando olhei em volta, não consegui levantar meu olhar pra mais do que o rodapé. Vi pequenos lagartos marrons no chão de azulejos azuis, mas, bem pequenos mesmo, pareciam brinquedos. Como foram parar ali não importava agora, se eu não fizese nada talvez sufocaria naquele banheiro limpo de um lugar que eu não sei o nome, mas, o que poderia ser feito?

Agarrando a toalha me escorei no chão e de joelhos ainda tentava por pra fora o ar que insistia em não sair, contrações me faziam curvar ainda mais, meus braços tremiam e eu não conseguiria me sustentar por mais tempo, as forças foram sumindo lentamente, cada piscada ficava mais longa.

Numa última tosse desesperada, saiu devagar, era um lagartinho igual aos outros, só que agora morto. Inspirei o mais fundo que consegui, e, atônita olhei, com a visão embaçada pelas lágrimas, o que tinha acabado de sair de mim ... um bicho morto. Todos os outros que estavam no banheiro ficaram me olhando culposamente e na língua dos mini-lagartos gritaram em coro algumas vezes: "assassina".

Onde você estava nessa hora?

segunda-feira, dezembro 05, 2011

autocondescendencia 

sexta-feira, dezembro 02, 2011

-Você me preocupa e.....
-Foda-se.
Só olhamos mesmo quando olham pro lado,
de lado, olhando pra longe de nós,
e vemos cada detalhe do perfil, e só,
difícil detalhar se o foco está nos olhos,
mais ainda focar lá mesmo,
e segurar firme sem desviar,
pelo tempo necessario,
todo mundo sabe quanto é,
e sorrir com o olhar,
sem mais.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Difícil é quando a gente não quer....quando quer fica fácil.

terça-feira, novembro 29, 2011

Oh dear!

Não que eu desenhe
corações com seu nome 
nos cantos das página.
Não.
Evito escrevê-lo
...o seu nome. 
Quase nunca te chamei
pelo nome, 
quem dirá denominar.
Chamei-o pelo olhar,
mas, se você não vê 
não tem como invocar
.... sabe? 
Aquilo de fazer presente, 
contar as horas pra chegar, 
e nas horas vagas
citar em seu favor
tudo que adoro falar,
por saber que é seu.
E assim,
suave e melancólico,
te evocar.

segunda-feira, novembro 28, 2011

PSFT

Lembra quando eu levava aquelas revistas de arte pra casa? Aquelas que vinham todas amassadas? Eu folheava no caminho de volta, marcava com uma dobra o canto de cada página que eu achava que você gostaria mais, e depois, mentia que já vieram assim....como se você não soubesse quando estou mentindo.

sexta-feira, novembro 25, 2011

tô num humor cheio de grude,
tudo me dá vontade de encostar.

quarta-feira, novembro 23, 2011

meu benzinho

São coisas à luz de velas,
daquelas bem clichês,
tipo melancolia de samba,
bom dia e boa tarde, boa noite, não,
por que, de noite já não é,
então, só dorme bem,
e deixa essa saudade que me dá,
pra longe de mim, deixa,
que eu desperto suspirando,
antes da música tocar.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Tuesday, May 29, 2007


não pense que te quero como casa
lar de vestígio, e dos poemas que rasguei
na minha casa não há espaço pra nada além do que se fez ocupar
não quero-te, bom dia,
café
cama feita.
e não quero-te, raso
pois nos meus versos não cabem mais verbos simplórios
palavra dita, banal.

não digamos nada.

quero-te apenas riso e defeito
brigas e gozo
coração, e o mundo todo dentro de um brilho no olho
que é pra saberes que de ti não espero nada além de apenas ser
apenas sentir,
apenas deixar

que é pra saberes
que ser amor me basta.
 
posted by marlboro and milk. at 6:17 AM 5 comments

quarta-feira, novembro 16, 2011

3

Eu te disse que essas coisas passam rápido. 
Fluem normalmente por aí sem nada de errado. 
Só parece mais uma página virada e quase nem percebo que virei umas dez. 
Depois que passa sempre dá a impressão que pasou rápido demais. 
Bem no finzinho da pra ver aquele volume de folhas frente e verso, com a escrita arrastada, notas de canto de página e setas pra todos os lados. 
Complementando os espaços já preenchidos.
Aquela necessidade de virar um rascunho pra sentir que é mais real.
A esperança de ter uma arte final....até rima de mau gosto.
Claro que daí vem denovo a mesma ladainha.
Toda magia é muito convidativa, mas, sangrar sempre me atraiu mais. 
Saber que de dentro dessas criaturas mágicas verte quente, pulsando, em jatos que chegam longe.... não soa obsceno?!
Mas, é só sangue, tem dentro de você também.

segunda-feira, novembro 14, 2011

adoro essas coisas que a gente esconde

domingo, novembro 13, 2011

Fico (re)pensando durante horas quando nem queria pensar, não tem mesmo como ser nada de mais? Sempre tem essa alguma coisa a perder, mas, quando se perde tudo já não sobra nada pra apostar, se for alto então, muito muito menos. Aí vem a derrota de apostar em consignação nas coisas que fogem de um controle que nem sequer existe. Todo inesperado, achei que até se baseava em algum sofrimento em vão por falta de integridade moral, hah, agora, esse futuro que poderia, uma segunda falta de qualquer coisa muito importante com todo o mundo... inclusive comigo, que me pego mentindo pros cantos das paredes enquanto me convenço do que deveria ser. Juro, que se eu tivesse um saco, ele daria uma pontada aguda de chute....agora.

releitura

Então ela abriu devagar a porta e caminhou até o centro da ante-sala, quer dizer, o que parecia uma ante-sala. Com o ouvido atento a qualquer um daqueles seus suspiros mais altos, nem percebeu à direita uma porta entre aberta e à esquerda uma arandela baixa ao lado de um vaso de flores grande, 
sem flores por sinal, mas, 
com certeza, não era só um vaso decorativo, 
não poderia ser 
....bom, 
poderia. 
Enfim, 
caminhou por um curto corredor e entrou na sala seguinte. Dava pra ver toda a casa dali, quase nenhuma divisão de ambientes, um aquario enorme no meio com peixinhos brilhantes, um piano ao fundo esquerdo.... não é preciso dizer que todo os detalhes daquela sala imensa foram totalmente esquecidos 
na hora 
em que colocou 
os olhos 
naqueles...
Então começou, 
parecia que já tinha até estado naquele lugar antes, de tanta empolgação, 
andou certeira pra cada gaveta e porta que abria. Demorou um tempo pra escolher o que queria realmente usar. Então, com a redinha de peixes, pegou varios por vez e os despejou, ajudando com as mãos, na jarra do liquidificador que tinha separado junto com alguns outros apetrechos. Girou o botão para a opção pulsar por um tempo, só pra saber se teriam consistência a mais por serem vivos 
... e, não é que tinham mesmo?! 
(pausa para mágica)
Liiiin,
de súbito 
largou o botão, 
esfregou os olhos e 
finalmente olhou de longe pro que estava fazendo. 
Não conseguiu entender muito bem, só sabia 
que alguma coisa deveria ser feita. 
Agarrou o liquidificador e saiu correndo para a porta em que tinha entrado, mas, o fio que ainda estava ligado na tomada prendeu na tampa do aquario que tombou violentamente no chão explodindo água, peixe e faiscas azuis. Paralisada, percebeu mais a frente o vaso da ante-sala, nem pensou duas vezes, jogou o suco de peixinhos lá dentro, deixou o liquidificador no chão e saiu. 
Sabia que talvez voltasse ali denovo, 
numa hora mais apropriada 
para uma conversa qualquer
com uma estranha qualquer 
e falar de alguma coisa que fica sem sal, aquele gosto de comida sem sal, que a gente nunca sente, mas, quando sente acha que falta algo e acaba colocando sal, talvez, nem seja sal o que falta e a gente nem saiba o nome.
...mas, não voltou, por que a casa pegou fogo!
Fico (re)pensando em tudo durante horas quando nem queria pensar em nada, não tem como ser simples, não tem como ser cumplice, não tem como ser nada de mais? Sempre tem essa historia de alguma coisa a perder, mas, quando se perde tudo, já não sobra nada pra apostar, se for alto muito menos hahaha bem alto pra afastar os concorrentes aposteiros então, muito muito menos. Aí vem a derrota de apostar em consignação e as coisas fogem do controle que nem sequer existe, e todo o "futuro" que achou-se que teria, que até se baseava em algum sofrimento em vão por falta de integridade moral, hah, agora, esse futuro que poderia, é uma segunda falta de integridade... com todos... inclusive comigo, que me pego mentindo pros cantos das paredes enquanto me convenço que deveria ser assim mesmo. Juro, que se eu tivesse um saco, ele daria uma pontada aguda de chute....agora.

quarta-feira, novembro 09, 2011

Deveria interpretar essas frases ou apenas entendê-las simples.
Na vaga interpretação, achou significados muito convidativos, mas, se for simplesmente pra acreditar no que é, provavelmente não quereria. Essa coisa de saber o que sentem ou deixam de sentir vinha um tanto complicada, mas, assumiu que procuraria saber o quanto fosse possível, mesmo que atribuisse um ar 
de perda 
de tempo 
a quase tudo
que existiu. 
Será que pensam antes? 
Será que treinam nos espelhos para saber?
Será que pensam em como pode ser interpretado? 
Será que vão acreditar piamente em cada palavra e todos os dentros vão sair pra fora de desgosto... a palavra é essa... e então achou, desgosto....não sabia se tendia a perder o gosto fisicamente ou psicologicamente, mas, com certeza tinha um bocado dos dois 
aí dentro da mistura. 
Hah! 


domingo, novembro 06, 2011

and then you winked at me

domingo, outubro 30, 2011

Nessas vezes, que tento ser o que já sei que posso, nada, nunca, vai de acordo com o plano. Isso se realmente tiver um, ou qualquer um, que possa me segurar por algum objetivo. Que seja, no mínimo, ser. Mas, não parece ter nenhum, por que, no momento que meu estômago dá um pulo forte, ao invés de sorrisos, crio demônios, e isso, me diz tudo que eu preciso saber.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Confissão

Desculpe-me a confusão, 
(e esse desculpe é realmente desses de tirar a culpa), 
sei que isso não se pede, 
mas, 
de repente, toda a vida que conhecia evaporou, 
minto, minto, 
não foi de repente, foi gradualmente, 
evaporando lento e triste, mas, 
uma vez vapor, as coisas foram rapidamente indo, 
uma seguindo a outra, 
sei que é assim mesmo, 
tudo se atropelando
e ... que seja, 
mas, na falta que sinto, 
nesse vazio árido, 
não sei encontrar,
nada,
o sol é muito forte, o chão é muito seco, 
tudo é quente e cheio de miragens,
e eu secando ali,
então, preciso de uma mão,
preciso,
uma mão que me guie para lá, 
pro lugar aonde vida exista, 
onde tenha água,
preciso de umidade,
de reflexo,
e essencialmente,
preciso que essa vida toda,
seja minha.
Segura aí, meu bem, por que acho que agora vai, e me segura forte aí, que na ilusão de ir já comecei a andar e fui, daqui a pouco já estou lá e nem saberei onde estava antes, por que, pro antes prefiro esquecer o caminho, não vou, não entro e não gosto, então, me segura mesmo, antes que você também comece a ir.
a vida é uma puta daí você morre

terça-feira, outubro 25, 2011

são dessas coisas sem pé nem cabeça, que ficam perdidas por aí, pedindo ajuda pra saber onde chegar, e, quando recebem, ouvem completamente errado e fogem pro outro lado rolando... já que não tem pé... nem cabeça... então, paro e me pergunto o por que, realmente, dessa coisa estranha passar aqui e pedir ajuda, quando percebo já tô rolando pra algum outro lugar.

quarta-feira, outubro 19, 2011

"Reza por mim, minha mãe, pois não transcender é um sacrifício, e transcender era antigamente o meu esforço humano de salvação, havia uma utilidade imediata em transcender. Transcender é uma transgressão. Mas ficar dentro do que é, isso exige que eu não tenha medo!
E vou ter que ficar dentro do que é."
"Era finalmente agora. Era simplesmente agora. Era assim: o país estava em onze horas da manhã. Superficialmente como um quintal que é verde, da mais delicada superficialidade. Verde, verde - verde é um quintal. Entre mim e o verde, a água do ar. A verde água do ar. Vejo tudo através de um copo cheio. Nada se ouve. No resto da casa a sombra está toda inchada. A superficialidade madura."
"Vê, meu amor, já estou perdendo a coragem de achar o que quer que eu tiver de achar, estou perdendo a coragem de me entregar ao caminho e já estou nos prometendo que nesse inferno acharei a esperança...

...E ao quê - num gozo sem esperança - eu já cedia, ah eu já queria ceder - ter experimentado já era o começo de um inferno de querer, querer, querer... A minha vontade de querer era mais forte do que minha vontade de salvação?"
" O grande castigo neutro da vida em geral é que ela de repente pode solapar uma vida; se não lhe for dada a força dela mesma, então ela rebenta como um dique rebenta - e vem pura, sem mistura nenhuma: puramente neutra. Aí estava o grande perigo: quando essa parte neutra de coisa não embebe uma vida pessoal, a vida vem toda puramente neutra"
" É uma metamorfose em que perco tudo que tinha, e o que eu tinha era eu - só tenho o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com os seus planetas e baratas."
" A esperança de quê? pela primeira vez eu me espantava de sentir que havia fundado toda uma esperança em vir a ser o que eu não era. A esperança - que outro nome dar? - que pela primeira vez eu iria abandonar, por coragem e por curiosidade mortal. A esperança, na minha vida anterior, teria se fundado numa verdade? Com espanto, eu agora duvidava."
"Uma rapacidade toda controlada me tomara, e por ser controlada ela era potência. Até então eu nunca fora dona de meus poderes - poderes que eu não entendia nem queria entender, mas a vida em mim os havia retido para que um dia enfim desabrochasse essa matéria desconhecida e feliz e inconsciente que era finalmente: eu! eu, o que quer que seja."

domingo, outubro 16, 2011

o céu se transformou em um teto almofadadado de umidade densa,
com botõezinhos de luz logo acima da minha cabeça,
amarelo, azul, rosa, laranja, verde, tudo em tons pasteis,
como se um gigante de luz usasse uma roupa muito fofa,
e estivesse deitado em cima da gente com o seu casaco úmido,
tentando desesperadamente sair dele e iluminar tudo,
nisso ele umidecia em volta e a cidade perdeu suas luzes pontuais,
tudo ficou difuso e lindo, nossa, ficou lindo mesmo.

sábado, outubro 15, 2011

Olhei,
diretamente
e me assombrei,
cruzei olhares por vezes,

continuava estático,
brilhando ao fundo,
bem ao fundo,
e na frente,

por que,
nisso se tinha
frente e verso
e fundo,

foi ai que me assombrei
e cruzei olhares
com o céu,
pra ter certeza,

refletia de um lugar?
tinha que ter
algum lugar,
mas, não, não tinha,

deixava a névoa,
simplesmente,
ir tomando conta,
transformando

tudo em ...

quarta-feira, outubro 12, 2011

Do you mind?
Great!
So shut the fuck up,
and be nice.

terça-feira, outubro 11, 2011

O que realmente incomoda, nessa falsa solidão, é essa sensação que passo, que eles tem esse poder de confiar plenamente em mim. Isso resguardo, assumo a responsabilidade de que serei deles um eterno confidente e finalizo com um muito obrigada. Por que, realmente me lisonjeio com a sinceridade sórdida, coragem alheia, cumplicidade secreta, ou, qualquer que seja o subjetivo adjetivado. Acolho com entusiasmo e guardo tudo como se fosse meu maior crime, as mentiras reveladas em lágrimas com risos. Mas, a recíproca não é (realmente) algo que seja dito e possa ser feito, pois, a cada vez que tento confidenciar fantasmas guardados eles saem voando depressa pelas janelas, portas e tudo mais em que se for possível passar. O melhor é, estou aprendendo a reconhecer, no brilho trêmulo dos olhos assim que as revelações vem à tona, quando falei demais. Por isso guardo aqui dentro, todas essas estórias que não posso contar somadas à todas as histórias que não devo contar.

segunda-feira, outubro 10, 2011

4

agora que percebi
escrevo,

como se continuasse
um assunto inacabado
que ninguem sabe,

por que
não comecei
do começo,
comecei
do meio,

pra não falar demais
sobre todas as coisas
latentes e ....

agora que percebi
sinto.