Subi a ladeira dos fundos do bar margeado por grades pretas baixas e arbustos bem aparados, parei no portãozinho da estrada lateral e esperei prenderem uma pulseira de comanda no meu braço esquerdo como de costume.
Entrei, olhei fixamente pra você que me olhou de cima à baixo como quem diz que estava surpreso ...e muito.
Caminhei lentamente até o outro lado deck principal e me postei em um canto que o ângulo me escondia da vigia da banda e acendi um cigarro. Logo veio uma garçonete e me perguntou se eu iria beber algo.
Pedi um Campari com tônica e laranja, deu drink de verão preferido. Ha, tomei enquanto me enchia de coragem pra continuar a encenação.
Em muito tempo eu não ficava bonita daquele jeito, tinha passado maquiagem, feito escova no cabelo, a fenda do vestido quase longo chegava na parte de cima da coxa que era inteira tatuada. Uma correntinha no tornozelo brilhava de tempos em tempos com as nuances de luz sobre a sandália de tiras transparentes. Brincos, colar, anel.
Comum e ao mesmo tempo peculiar pra quem andava sempre largada de tênis e camisetas rasgadas, mas se misturar com as pessoas arrumada padrão é mais fácil desse jeito.
Eis que alguém veio falar comigo, um cara querendo me pagar um drink. Demorou!!! Veio o mesmo que eu já estava bebendo e ficamos naquela conversa furada de vem sempre aqui. E no caso sim, eu ia sempre ali, eu estava sempre obrigada a estar ali, sendo vigiada.
Até que olhares fulminantes interromperam nossa conversa e ouvi no autofalante que a mulher já tinha dono. A mulher era eu.
Até que olhares fulminantes interromperam nossa conversa e ouvi no autofalante que a mulher já tinha dono. A mulher era eu.
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