segunda-feira, outubro 06, 2025

E agora me afirmo como eu mesma, prazer em conhecê-lo.

E assim viajo nas minhas falcatruas sobre a sua inocência vaga,
distraída demais pra perceber que dentro dessa cabeça aqui,
existem planos malvados, todos apontando pra um "bem-estar maior".

Claro, a justificativa perfeita para esse tipo de caso em particular,
como todos os acasos particulares de uma tentativa em vão,
que oras, deu certo, sim, então na minha surpresa pesquisei.

Nesse vão, os motivo para minhas aflições mentais surgiram,
e ao não encontrar muita coisa que lhe considerasse culpado,
um sorrisinho de canto surgiu e está aqui se fazendo presente.

Como se eu estivesse um passo a frente, mas ops, se penso assim...
por que também não pensariam? Essa interligação de signos parece fazer pensar igual,
e eu sei que é na mínima chance do medo reprimido vir a tona.

A tentativa se concluirá do lado oposto, é a certeza feminina,
e é fato que da minha parte tentarei de novo até virar vicio,
aquele que vai me fazer esperar confiante por mais um tempo,

óbvio que não quero achar nada demais, espero que tb não achem.

quarta-feira, julho 10, 2024

Guardei no armário um copo usado,
No fundo dele os restos de suco de maracujá,
E seu cheiro misturado à madeira,
Me trouxe uma lembrança de infância,
Cheiro de doce guardado no fundo do armazém,
A luz palida entrando pelas portas da frente,
O ar parado e frio da esquina de casa,
A poeira subindo lentamente com os passos pesados da avó,
Entre os caixotes a serem organizados num canto,
Na lembranca de algo que nunca vivi.

quinta-feira, maio 11, 2023

Sinais

O dia estava arrastado... 5 da tarde, o calor parecia mais de dentro pra fora do suor que escorria na testa... Digitava loucamente tentando precificar seu esforço próprio, enfim, um ardor bem na sola do pé direito... As pernas cruzadas em cima do banquinho do jardim não possibilitava ver o motivo da pontada. Eis que, ao descruza-las com cuidado,  viu uma vespa presa pelo ferrão, ainda se debatendo contra o ataque de um pé gigante em que esbarrou. Bateu levemente no bichinho que saiu voando desorientado prestes a morrer, por é isso que vespas fazem depois que picam não é?! Morrem?! 

Ficou ali sentindo o arder cada vez mais agudo, o inchaço começando, o meia da sola do pé ficando vermelha. Por isso resolveu não sair mais cedo pra lavar a louça deixada pra mais tarde, tomar banho devagar com água fria, certificar-se de qual era a bagunça que teria que arrumar na volta. Foi bom por um lado, mas, o pé ainda doía.

sexta-feira, fevereiro 17, 2023

Deitada

Eu sou mto influenciável e pessoas insistentes me convencem… eu falo uma ou duas vezes que não posso, arranjo desculpas válidas pra não poder, mas sempre tem ali quem não se cansa de tentar convencer … e eu vou indo… vou ficando… vou fazendo pq acho que não posso decepcionar tanta intensidade … e vou ficando mais na cama. Derretendo, arrastando, cada dia que eu não faço o que quero vou ficando um pouco mais… triste, mas fico, miseravelmente.

quarta-feira, agosto 24, 2022

Sonho de vento

Sonhei que estava de férias num campo, o terreno era formado por vários níveis, caminhos de terra dividiam o gramado, interligando os casarões espaçados. Eu me via, passando ao fundo, por cima dos ombros de uns meninos que me olhavam de uma colina próxima, sentados embaixo de uma árvore com o vento vindo de trás deles em minha direção. Dava pra perceber que o eu lá longe ouvia tudo que eles falavam, mas, isso eu só sentia, porque eu mesmo não consegui ouvir nada.

segunda-feira, agosto 01, 2022

Mês de agosto

Eu avisava e ele de pronto respondia:
- pai, a blusa tá do avesso...
- é pra espantar cachorro louco.

quarta-feira, abril 20, 2022

eu gostava de ficar sozinha no seu quarto

No seu quarto mais uma vez... sempre gostei de ficar sozinha no seu quarto já de manhã. A luz entrando pelas frestas da sacada e da porta entreaberta do banheiro iluminando o canto esquerdo da cama. Não consigo te ver mas o ouço  cantar no banho. O vento traz o cheiro do seu sabonete ao passar de leve no lençol amassado de tarde da noite em que a gente mais riu do que dormiu. É a melhor hora de quando te encontro esses dez minutos parados no tempo, como uma foto que a gente imagina que se mexe de leve quando olha muito. Tipo as animações do lofi hip-hop music para estudar. Mistura a saudade ao presente fixando a lembrança de cada tom de cor. Adoro amanhecer dentro do seu quarto.

sexta-feira, outubro 29, 2021

Harry

Sua solidariedade é admirável, mas não torna sua negligência irrelevante.

quarta-feira, fevereiro 17, 2021

17 de fevereiro 2021

Hoje procurei apartamentos pra alugar e vagas para  concursos publicos.

Me imaginei velha chegando em casa depois do trabalho no escritório com uma camisa de botões de manga longa pra esconder as tatuagens.

No entanto não sei se chegarei a velhice.


sábado, fevereiro 13, 2021

perturbada

A perna esquerda despercebidamente amortecida começou a formigar no primeiro movimento de sangue passando, pensei que tinha ficado demais naquela posição. Mas quanto tempo?

Olhei para o relogio preto na parede da cozinha escura de fim de tarde que marcava 12:08, quebrado.

Fazia dois dias que era meio dia e oito nessa parte da casa... Acho.

Falar sozinha dava um ar de loucura, a pessoa que verbaliza as coisas aleatoriamente pela vida pela casa.

Cadê os cachorros?! -Assovio -

Falar com cachorros pelo menos tirava um pouco do peso de estar tirando conclusoes de discussões inexistentes.

segunda-feira, fevereiro 08, 2021

nota nova

Percebo que tenho lido coisas rasas.

Alem de rasas, muitas vezes não passa da manchete.

Assistir algo ficou praticamente impossivel.

Uma vez que dá pra correr com o controle pra frente

e chegar logo na parte importante..

Acabo não vendo o caminhar do todo.

Dai minhas frases ficam vazias de significado,

A escrita falha.

Não tem adjetivos nas descrições,

Não guardo nem comparo as cores das coisas,

Só ações, raso.

quarta-feira, janeiro 20, 2021

nota antiga

Estava reciclando meus antigos cadernos ontem e achei isso que escrevi num rascunho de carta não enviada:

"Sabe por que você não sabe quase nada sobre mim? 
Por que você não cala essa sua boca que só sabe falar sobre você."

Necessário? Talvez não.
Ameaçador? Com certeza.

domingo, janeiro 17, 2021

Papai acaba com a magia

Assistindo uma reprise de programa de talentos na televisão aberta, da qual meu pai não abre mão durante suas quatro refeições diárias, ao ver uma contorcionista fazer seu número final, embasbacado com a elásticidade e graciosidade da garota, ele comenta:

"Qualquer erro ela fica tetraplégica."

sexta-feira, maio 01, 2020

rega

Tenho conversas com você enquanto molho as plantas.
Vago.
Todas são em momentos específicos de reencontro.
Algumas maldades são ouvidas no vaso 5.
No 7 eu já desvio o olhar e penso em saídas.
Em algumas dessas conversas a minha resposta foi só bater palmas,
literalmente.
É sempre um grande show se desprender do contexto.
17 vasos depois eu desligo a torneira e saio do ambiente molhado do fim de tarde.

segunda-feira, dezembro 23, 2019

a cor de uma dor que não passa...

"Mas devagar, irresistivelmente, posso senti-la começando a dissolver-se na falsidade nebulosa da memória. Foi por isso que resolvi escrevê-la, embora ao fazer isso soubesse que só consegui falsificá-la de uma outra forma, mais artística.

Imagino se toda experiência pode mesmo ser destilada até restarem alguns poucos momentos extraordinários, talvez seis ou sete deles, concedidos a nós durante a vida inteira, e qualquer tentativa de fazer uma conexão entre eles é fútil."

sábado, novembro 30, 2019

setembro de 2020

Eu tomo remédios controlados, eles me ajudam bem à dormir. Tem umas vezes que esqueço de tomar e dai já são 4 da manhã e não quero mais por que sei que vou capotar por 8 horas seguidas. Ruim. 

Eu tinha medo que os remédios me deixasse menos criativa e sei que lá, mas, quando eu tomo certinho tenho vários picos de inspiração, até preciso me atentar aos horários de alimentação se não esqueço de comer.

Quando eu esqueço de tomar fico absurdamente mais criativa, mas, nada proativa, começo a me perder nos pensamentos e sempre acaba indo pra melancolia.

Melancolia me deixa apática. Aquelas horas infinitas que vejo passar pela luz do sol, tem um monte de texto sobre isso aqui por sinal.

No fim chego sempre na conclusão que as pessoas vão morrer de um jeito ou de outro... E que eu preciso vê-las "pela ultima vez", fazer ser lindo, pois, elas vão morrer a qualquer momento.

Mas dai lembro que eu não tomei o remédio, eu sei que essa sensação é da falta da substância, está escrito na bula, efeitos psicológicos colaterais com o uso desregulado. É um processo que precisa muita disciplina.

Sair de uma depressão. Talvez eu nunca saia, mas, pelo menos agora eu tô medicada e isso não me deixa pensar por esse lado. Se ao menos eu conseguir produzir.





domingo, outubro 06, 2019

temas

-com você aprendi a falar "eu te amo" sem que isso significasse nada;

-você me ensinou a fechar o box do banheiro depois do banho;

-limpar o ralo dos outros parece demonstrar sentimentos;

-menstruei no seu rejunte - parte dois, a revanche;

-apanhar também é uma prova de amor;

-dançando aos gritos de "ninguém nunca te amou como eu, garota";

-ele disse "você é pior do que eu só que esconde melhor";

-ele fez uma musica pra mim que chama "eu gosto do jeito que você me machuca uh uuuuh";

-eu o inspirei à sua pior música;

-o primeiro dia que você gritou comigo estávamos juntos há um mês;

-ele me falou que fez macumba com a minha camiseta velha;

-esqueci de contar que a camiseta que ele me roubou era de outro homem;

-"amor da minha vida" ou "dessa vez você não foge";

-daí eu disse:"ah não, ele tá aqui de novo";

-"vamos falar sobre sentimentos" a tradução livre dos dias que eu tive medo de você.






-

sábado, setembro 07, 2019

a neblina vai abaixando, as coisas começam a ficar um pouco mais visíveis,
estou submersa, mas seguro nos galhos e começo a subir.

segunda-feira, setembro 02, 2019

cronica 01 parte 01

Pela primeira vez apareci de surpresa, como nas súplica das brigas que tínhamos. Estava com o vestido que você mais odiava e você já estava tocando com a banda logo na saída do pub escuro e úmido de fim de dia chuvoso.

Subi a ladeira dos fundos do bar margeado por grades pretas baixas e arbustos bem aparados, parei no portãozinho da estrada lateral e esperei prenderem uma pulseira de comanda no meu braço esquerdo como de costume.

Entrei, olhei fixamente pra você que me olhou de cima à baixo como quem diz que estava surpreso ...e muito.

Caminhei lentamente até o outro lado deck principal e me postei em um canto que o ângulo me escondia da vigia da banda e acendi um cigarro. Logo veio uma garçonete e me perguntou se eu iria beber algo.

Pedi um Campari com tônica e laranja, deu drink de verão preferido. Ha, tomei enquanto me enchia de coragem pra continuar a encenação.

Em muito tempo eu não ficava bonita daquele jeito, tinha passado maquiagem, feito escova no cabelo, a fenda do vestido quase longo chegava na parte de cima da coxa que era inteira tatuada. Uma correntinha no tornozelo brilhava de tempos em tempos com as nuances de luz sobre a sandália de tiras transparentes. Brincos, colar, anel. 

Comum e ao mesmo tempo peculiar pra quem andava sempre largada de tênis e camisetas rasgadas, mas se misturar com as pessoas arrumada padrão é mais fácil desse jeito.

Eis que alguém veio falar comigo, um cara querendo me pagar um drink. Demorou!!! Veio o mesmo que eu já estava bebendo e ficamos naquela conversa furada de vem sempre aqui. E no caso sim, eu ia sempre ali, eu estava sempre obrigada a estar ali, sendo vigiada.

Até que olhares fulminantes interromperam nossa conversa e ouvi no autofalante que a mulher já tinha dono. A mulher era eu.






quarta-feira, julho 24, 2019

Andar e respirar

quinta-feira, junho 06, 2019

Respirando fundo

Não sei se sei ao certo o por que,
Pode ser eu, pode ser você ...
Mas, arrisco dizer que não somos nós,
Meu coração dói,
Continuo achando que é um bom disfarce.

quinta-feira, maio 30, 2019

e eu não consigo dormir
não consigo dormir
não consigo dormir
não consigo dormir
não consigo dormir
não consigo dormir
não consigo dormir
não consigo dormir
não consigo dormir
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah

quarta-feira, maio 29, 2019

Um pedaço de mim ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar
ficou em algum lugar

sexta-feira, dezembro 07, 2018

há algumas semanas me deparei com um medo,
que não sentia faz três anos de tempo,
e o jeito de ser me fez agir,
como sempre em situações de pânico,
com a velha e boa cordialidade,
falsa intimidade e sorrisos excessivos,
me parece que essa fórmula,
funciona toda vez,
daí, eu fujo.

domingo, dezembro 02, 2018

05:03

Vou sentindo que cada ato sai errado...
O tempo desencontrando nas falas...Essa saudade de você que não passa...Chuto com força as paredes de dentro do meu peito só pra ver se aperta menos.... mas, dai aperta mais e eu sinto que nunca serei tão feliz quanto.

domingo, outubro 22, 2017

Neblina

Estou arrastando a vida com essas horas longe da minha própria cama. 

Com esses calafrios logo antes de sair o sol na hora mais agradável pros meus olhos.

sexta-feira, outubro 06, 2017

O droga de vida nova, 
todos andando juntos e indo,
na que eu vou só prefiro,
no só.

quarta-feira, julho 12, 2017

The ghost of you and I

Quanto tempo será que ele vai demorar para me contar! Quanto tempo mais essa falsa agradabilidade?

Justificativas para a distância... Uma paixão que nunca vai ser... Pensando bem... Já foi, perdeu-se o ponto em que as coisas se costuram....foi.

E agora eu sou a outra... que chega depois da meia noite e vai embora antes do sol raiar... Hah, que irônico.

sexta-feira, março 03, 2017

escrito por alguém que invadiu meu blog


Raquel costa era um gorila
que dançava nos sete mares
uma vez foi convidada
para conhecer varios lugares
entrou num avião
e voou para las vegas
para escutar o nofx
e mais varias bandas bregas

(soneto escrito em esquadro)

sábado, dezembro 10, 2016

6:11

Pela primeira vez tive dó.
Respirei fundo, decidi os proximos atos e então, certeira, taquei o resto da garrafa de alcool na barata de 5 cm que tentava saber que lugar claro, liso e rosa era aquele banheiro que ela estava.
Em desespero, ela escorregava tentando sair da pia, sem êxito.
Todas as perninhas esperniando o ressecamento entorno.
O cachorro pulava em mim por sentir. nervoso que eu exalava e o nervosismo aumentando e a barata meio tonta finalmente saindo da pia.
Exitei ao fechar a porta quando vi que ela não conseguiria voar, que estava indo pra longe de nós, um tanto quanto obvio se pararmos pra pensar que é apenas um animal fugindo da morte, com medo, repleta de cheiros e barulhos de ódio e nojo.... e dó.
Não aquela dó querendo dizer compaixão.
Dó mesmo, me sentindo superior, com a decisão na mão, vendo o bicho morrer lentamente,  e sabendo que a quantidade de alcool não seria o suficiente pra uma barata daquele tamanho.
E a irmã guinchando ao fundo.. e eu disse logo um shiiiiiiiiu, mas, a mãe já acodou.
Olhando com pesar então,  jogo mais um gole do resto de algo ao alcance, que lembrei que levava álcool na composição e insuficiente de novo.
A mãe foi buscar mais álcool.... eu sabia que podia matá-la mais rápido, agora que não tinha mais medo de olhar a morte, de chegar perto de algo morrendo e ter a certeza que não vai atacar de volta... ou tentar fugir...ela estava sufocando, não é mesmo?
Eu podia matar e não matei.  Podia acabar com o sofrimento naquele instante, mas, não  fiz. Fiquei com dó pelo desespero.. e por saber que não mataria de outro jeito, não, seria lentamente. Olhando.
Brrrr calafrios tardios agora.
Bom, no fim joguei o suficiente e então ela morreu nessa ultima tentativa, quase instantaneamente.
E eu fiquei olhando, não peguei o cadáver, não vou pegar e ninguém pegou.

quinta-feira, dezembro 01, 2016

Shh

E aos poucos vou rompendo todos os laços... Devagar... Em silêncio... Diminuindo expectativas... Aprendendo a guardar as coisas que batem violentamente pra sair de dentro do peito.

terça-feira, novembro 15, 2016

Torpe

E pulsam as têmporas, o coração desacelera e eu não consigo mais focar, o sono some, volta, dá voltas em mim, eu desço as escadas no escuro, abro a porta de trás, acendo dois cigarros na sequência, mando notícias pra uma amiga, espero pacientemente o sono voltar, afinal, é férias quase, quase.... Quase voltei 10 anos no tempo.

quinta-feira, outubro 20, 2016

JR

O que poderia ser mais interessante do algo que está pré definido para não acontecer. Algo prestes a explodir. Uma coisa que dá um leve ar de pisar em ovos ao mesmo tempo que traz um grande foda-se ao centro da mesa. Alguns olhares, algumas gentilezas, algum "conte me mais sobre isso, querido." E então pronto.

domingo, abril 03, 2016

Tinha um sapinho morto no meu quarto hoje. Parecia que tinha morrido há algum tempo, as pernas compridas esticadas e imóveis, um corpinho bem pequeno redondo ressecado. olhei bem de perto enterrei na minha floreira em baixo da janela.

sexta-feira, abril 01, 2016

Um monte de choro escondido em pequenos versos, poemas inteiros, livros antigos com recado nos cantos das páginas, músicas em Ré, cheiro de chuva, cachorrinhos dormindo.... meu coração dando pulos, soluços, desesperadamente se opondo, a minha vontade de não existir vai com o vento da tempestade anunciada que invade meu quarto, meus ouvidos, meus arrepios e calafrios de medo que dá nas solas dos pés.

coisas da vida

Quando criança eu queria ser garçonete.

Com doze anos queria ser uma supergostosa e morar em Paris com um velho rico que me banque, com direito à silicone e três filhos.

Aos vinte e poucos queria ser cineasta solteira e morar numa cobertura escura e fria na capital, tomar drinks no final da noite e filmar suspenses de arte.

Nos mais de trinta quero ser desenhista de historias infantis e florista.



quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Abandono

"É só a merda do ciclo de novo" ele disse tentando se convencer que, ao ter passado por isso várias vezes, conseguiria prever o que estava por vir. E então o despertador não foi ouvido, suas horas na cama se estenderam mais uma vez e o sono não pareceu tão bom como de costume. O água do banho desceu por seus cabelos como se passasse por cima de um machucado recém cicatrizado, estava tudo meio amortecido, banho quente...talvez não tenha sido essa a melhor escolha. A comida se embolou na boca e desceu travando. Levantou-se calmamente antes de qualquer outro na mesa, colocou seu prato na pia, deixou tudo como estava e saiu da cozinha tentando não fazer ecoar os passos pesados. Começara de novo então, tudo sem cor, sem gosto, horas a fio tentando sentir o vento no rosto, sem sucesso nenhum. Percebeu que o amortecido não se fazia só no calor e isso o fez estremecer levemente na ponta dos pés. Pensou que as horas voavam junto com o vento, mas quando viu se passaram só 20 minutos. Aquela sensação de que não conseguiria chorar pra aliviar um pouco o peso... um dia todo pela frente.

quarta-feira, setembro 30, 2015

Ponteiros

ontem a noite eu pensei em um monte de frases de efeito para jogar aqui, todas soltas, e ir organizando racionalmente conforme o pensamento do dia que eu estou agora, estavam claras, muitas até faziam sentido entre si, mas, a conexão que tem nessas coisas eletrônicas não serve pra criatividade espontânea, deveria, mas não, a gente só fica lá perdendo o tempo, vendo ele passar por um contador no canto da tela, as horas indo como se tivessde um relogio bem grande na sua frente, daqueles que não param o ponteiro nos segundos, e, antes de você conseguir contar 59, o ponteiro já está no 3 de novo.

Talvez eu tenha algum ataque cardiaco mais pra frente
e melhor evitar cada vez mais os momentos emocionantes,
vai que numa dessas fotos antigas eu me perco,
entro nas portas e janelas da paisagem ao fundo
e fico lá relembrando como a gente era
quando estava de costas, olhando pra câmera.

domingo, setembro 13, 2015

Loucura

Então estava eu na porta da sua casa,
de novo, de noite e um nó na garganta,
da parte escura que a árvore fazia na rua
eu ligava e ouvia seu telefone lá dentro,
e por vezes eu não tive ar, tanto que...
escrevi 37 cartas pra você...
todas diziam a mesma coisa,
hora com rabiscos puxados,
hora com curvinhas nas sobras,
Uma eu entreguei pro seu porteiro,
disse que não sabia o apartamento,
mas, sabia o seu nome e ele te conhecia.
Fui embora. Não sei se ele leu.

terça-feira, agosto 25, 2015

A paixão vem fácil entre os soluços que lembrar da dor faz,
vou tirando as casquinhas dos machucados quase cicatriz.
o coração já aberto e o olhar fixo em você,
desvio e rio pro chão, balanço a cabeça em não,
as coisas começam a rimar e daí ... já foi.


sábado, agosto 01, 2015

Sinto que a vida vai me levar pro caminho de te seguir de novo, esperando mais uma vez pra algo piscando verde ali no canto mais escuro da sala, enquanto me cubro de cobertores, cachorros e pacotes de bolacha pela metade.

sexta-feira, julho 03, 2015

Quinta nublada

O barulho da rua entrou pela janela,
Entre vozes se misturando com as gravações,
Com a musica tocando no andar de cima,
Ouço os pés pousando no chão,
Sinto a vibração dos passos dentro do peito,
Os olhos vão lentamente forçando abrir,
Quando fecham de vez me pego sonhando,
Com o que está aqui fora ecoando por dentro.

sexta-feira, abril 24, 2015

Pensando em como sempre são 4 da manhã.

terça-feira, janeiro 20, 2015

E, ao dirigir muitas horas noturnas na estrada vazia, me veio uma visão. Entre as nuvens pesadas e escuras no horizonte, apareciam mais de perto os avisos de uma tempestade por vir, os trovões silenciosos brilhavam o céu entre um azul ofuscante e um rosa escuro avermelhado, era preciso cerrar de leve os olhos para ver a mudança entre as duas cores. Sem que fosse notado, um sol pálido surgiu entre o canto da janela esquerda e o retrovisor, estranhamente não tinha raio nenhum, era simples um circulo, com o perfeito contorno visível, de luz difusa entre as neblina rala pré tormenta que cobria o amanhecer do dia. Aquilo me tirou todo o foco da chuva que começava a cair ao longe na estrada, chegando rapido a meu encontro, quando menos vi chovia pavorosamente uma leva de granizo, o calor abafado do verão entrava pelas frestas abertas da janela do carro com o início da chuva, o sol se escondeu de novo entre os barulhos que agora atordoavam dentro do carro. O amanhecer escureceu, e dirigi pela noite por mais duas horas.
E te veio a certeza de que eu era só pra olhar, só olhar de longe, enquanto eu me remexia em caras e bocas para você, que sentado no pequeno sofá da sala só olhava.  Simplesmente eu podia fazer o que quisesse, mas, preferia ficar ali, também olhando entre os cabelos que me cobriam o rosto de permeio à uma pose ou outra, os cabelos pretos e compridos emaranhando a vontade de esperar fazer o que fosse comigo. Você só olhava e eu fingia que não sabia fazer nada, eu fingia muito bem e você realmente não sabia o que fazer, afinal, duas pessoas submissas não formam nada mais que uma vitrine.

sexta-feira, dezembro 05, 2014

Ciclicamente a confirmação da minha solidão me alcança, e ingenuamente, pensava eu que cada vez que isso acontecesse seria mais fácil, por já ter acontecido num ciclo anterior, mas, parece que cada vez fica pior, cada vez a dor é mais aguda e mais profunda, percebo na superfície dos outros que não importa o que você é e sim o que você faz pra eles, com eles, tudo por eles, a mesma situação se repetindo no lidar com o mundo de humanos egocêntricos, no qual eu me encaixo com certeza, e com certeza vou me fechando no meu mundo secreto, em que conviver com animais me parece muito mais real e sincero, hoje me parece absurdamente a única coisa real e sincera que vivo.

quinta-feira, novembro 20, 2014

Fiquei olhando para frente ouvindo a mesma música por horas, não sabia mais como me mexer, era como se meus braços e pernas não obedecessem mais nada, minha mente parou de responder aos estímulos externos, não chorei nem mudei o foco do olhar, simplesmente, fiquei ali, então escureceu o dia e eu continuei parada.
Está há uma semanas sujo, o apartamento inteiro, depois que ele se mudou perdi minha vontade de mudar as coisas de lugar, parece que se continuar como está a presença permanece, mas... está sujo.

Não consigo visualizar os móveis em posições diferentes. Preciso me mexer, estar, pensar sobre, mudar os móveis de lugar ... me atraso.



quarta-feira, novembro 19, 2014

Debaixo da luz à pino via que os pêlos eram claros, cabelos, barba, cílios, tudo num tom dourado postos perfeitamente em um rosto liso, sem marcas.

Com aquela luz vindo de cima, seus olhos brilharam de excitação, olhava pra ele como se fosse a primeira vez estranhando perceber suas feições e cores como se as nunca tivesse notado antes, principalmente por ser tão familiar.

Gostaria de passar o tempo todo junto dele, mas, o motivo não era pela presença constante, e sim o fato do encontro ser depois de alguns bons momentos separados.

A estranheza cobria seus sentimentos como se tivesse que conhecê-lo de novo, mesmo sabendo como ele agiria aos mais variados estímulos, mesmo sabendo que poderia agir normalmente em sua presença.

Então se fez presente, o máximo que pôde. Não foi muito.

sexta-feira, outubro 31, 2014

eu sabia

Ah, aquelas promessas que só existem quando não se tem mais nada pra fazer além de ver alguém suspirando por você, é tipo uma mentira pronta pra viagem (e me vê duas, por favor), bonito por fora e mais barato por ter o prazo de validade vencendo, a vida simplesmente vai e os fungos vão tomando conta, se estiver fechado não dá pra sentir a podridão aumentando, aumentando, assim vai ficando no fundo da geladeira, enquanto coisas novas entram e saem rapidamente, só esperando pra ser jogado fora.

terça-feira, outubro 07, 2014

sinto o descolar lentamente,
e pela lentidão não se sente doer,
só decepcionar, mas, isso não dói,
por que é algo esperado e só,
a confirmação de algo que já se sabe,
dessas coisas de ser mais fácil tirar devagar,
por que tira a cola junto e não sobra nada,
ao contrario de um curativo,
que é melhor arrancar de vez,
no olhar a carne exposta que assusta mais,
do que a dor sentida instantes antes.

sexta-feira, agosto 22, 2014

Afinal, os dentes rangendo não pareciam mais tão ameaçadores e qualquer quebra não estava em vista depois de todo o calcio que conseguiu acumular dentro dos seu corpo.

quinta-feira, julho 17, 2014

Enfim, a sós, re-decorando poses e plantas entre azulejos da cozinha fria que tenho no meio do inverno, me perdi na possibilidade de todos os ângulos que o ambiente me dá, e vi, lentamente o sol passando pela parede, marcando os 15 em 15 minutos de espera, respirei fundo umas quatro vezes, fundo, e se voltar pra lá, agora, antes de sair pra um horário mais quente do dia, vou acabar esquecendo de novo que, de noite, vai acontecer a mesma coisa.

terça-feira, junho 24, 2014

Vou sentido nos dedos 
por dentro e mais me parece 
o que o frio dá no osso,
mas, acho que é só a falta, 
ou lembrança, 
do peso/apoio,
da janela abrindo,
do teso do olho,
do não querendo,
proporcionalmente
encaixando, nuns dois 
números menor que você,
perfeitamente e comprovado
em comparação no rapido
reflexo do vidro da janela,
pisco que me deu,
no suspiro e semi cerrar
dos olhos, repara só,
a luz que refletia o que
de antes e longe se via,
a esperança que dava,
algum lugar pra segurar,
quando todo resto
não se sentia muito, mais. 



segunda-feira, junho 16, 2014

E sentindo de novo que a preocupação é mínima diante dos atos necessários, finjo que esperança ainda existe, passeio despreocupada e atenta pelos lugares que nunca estive e que deveria ter passado antes. Penso que tenho muito o que fazer e os dias passam como os anos que se passaram até agora, com aquela sensação que só se sente a dor depois que o corte começa a sangrar, mas, o corpo está tão quente que só é uma leve ardida no braço que foi arrancado sem perceber. E se para pra pensar muito esses tais de distúrbios mentais, muito comuns nessa nova época da vida do mundo,  afloram, e meus pés não descolam do chão. Meus desenhos foram virando rabiscos empilhados no canto de uma cômoda qualquer, meus fios de cabelos brancos lutando, contra minha ainda juventude, pra sair depressa, minhas memórias ficando longe, longe.

quarta-feira, maio 07, 2014

Tenho sonhado ultimamente,
desses sonhos agitados que me fazem girar na cama,
quando acordo todos os travesseiros estão jogados por ai,
e paira aquela sensação de que tudo foi verdade,
me vem a vontade de voltar pra casa,
vem a certeza que esta não é a minha casa,
um medo me toma conta e tudo ganha chão.

terça-feira, abril 22, 2014

Não mais que de repente,
me vi metade de algo,
que, há anos, é
algo que nunca foi,
nunca foi e ainda assim é,
por que o não ser, é sim,
um estado do ser,
principalmente,
quando tanto não,
é tanto quanto o ser,
e por isso, sei que é,
daí que esse não,
se condicional ou
se ao caso um chão,
se sinto por acaso
ou se pelo o incerto,
que seja, o que for,
sinto de qualquer jeito,
e sempre é um sim.




quarta-feira, abril 16, 2014

Medo

tenho chorado por dentro
nas horas que levo
com os olhos abertos
analisando cada fresta iluminada
da cortina sem conseguir movimentar,
penso rapidamente em tudo
que me dá vontade de fugir daqui
e os mesmos motivos me dão
uma paralisia momentânea
e me fazem ficar
...

quarta-feira, março 19, 2014

e ponto final ...

foi o que o coração disse recentemente, pra meu assombro,
usando a fala dele mesmo, em batidas ritmadas,
bem rápidas, ecoando em todas as veias,
fazendo pulsar a têmpora esquerda,
dando pulinhos de estranheza,
bem diferente de amor,
e ponto final
.

terça-feira, março 11, 2014

...adultos que, debaixo de um verniz de doçura, ruminam intenções vingativas...
Levo o fardo de sentir uma alma romântica,

e não estou falando aqui em romance,
como histórias contadas e relatos baseados
em qualquer coisa real ou inventada, não,

estou falando em ter um quê de piegas
pairando o tempo todo à realidade,
transformando tudo em ridículo,

o volume todo pesando sobre
todos os amores que já tive,
sobrepondo e acumulando,

sim, mais de um, sempre foi,

ainda é e sempre será ao mesmo tempo,
por que passa da ideia definida de
que só amamos uma vez na vida,

amo o tempo todo, todo,
cada brilho formando no olho,
cada detalhe emociona forte,

e assim amo de novo e de novo,
por não saber controlar, talvez,
por não saber a hora de parar, também,

mas, não sinto vergonha por sentir vergonha,

me abalo em tratar tudo como se fosse
a última vez, e o nó na garganta vem,
quase diariamente se parar pra pensar

direito no que sou capaz de sentir,
não que o resto do mundo não seja,
sabe, não é prepotência, é amor,

sinto a reação física disso à exaustão,
um pouco diferente das pessoas a quem pergunto,
amo sem a menor dúvida, sempre,

cada momento que transformo em mágico,

e amo como amo a magia,
o fantástico sem leis naturais,
tiro da vida qualquer lei

que não seja o amor, é triste,
com o passar dos anos,
nessa virada dos quase trinta,

percebendo seres humanos
como indivíduos distintos de grupos,
não preciso mais que você saiba,

que levo isso pra sempre, desde sempre.

segunda-feira, março 10, 2014

E se eu me declarar num perdido amor, você vai acreditar ou vai embora?

terça-feira, março 04, 2014

A timidez evita muitas coisas na minha vida, trava alguns músculos bem na hora da incerteza,
faz balbuciar, com pausas dramáticas demais, palavras de aceitação e falso desdém pelos acontecimentos
momentâneos, coloca no lugar a tal cordialidade irreal e cheia de piadas sem graças, tropeços no ar,
risadinhas de desespero, uma lista ou outra de afazeres diários e planejamento de férias, enquanto o terror noturno aleatório aumenta conforme a passagem do tempo, mas, uma coisa eu aprendi com tudo isso, se a gente não ligar, provavelmente ninguém ligará também, e isso, hah, isso é uma coisa impagável, conseguir perceber, na omissão que essa timidez me causa, que o afeto era unilateral, não precisamos falar mais nada, dai é só ir embora em silencio.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

E o bater de portas me fez ouvir mais alto por alguns instantes,
deve ser adrenalina que ajuda o prestar atenção no som ambiente,
e com essa super audição o ouvi respirando alto, com seus chiados,
gatinhos dentro do peito carregado, anos de fumaça morna, espessa.
Inspirou calmamente como se aqueles ruídos nem existissem, e de fato,
não existiam fora a clareza que um medo causa, clareando os cantos,
o som que ecoa com mais força pela luz rebatendo na parede branca.
O medo me é claro, um clarão para dizer bem dito, quase explosão de luz,
que cegando por instantes me faz ouvir mais claro, mais ao fundo,
mais tato, com menos sangue nas extremidades que vão ficando frias,
mais rugosidade no toque dos dedos dos pés que normalmente nada sentem,
a não ser seus macios sapatos e meias do dia a dia, a rotina que não tem medo.
Mas, no momento mesmo, da brancura ressonante cheia de calafrios,
ouço tudo aquilo que não se quis dizer e descansa com os gatinhos,
dormindo calmamente dentro do peito enlacrado e escuro.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Ah,
na imensa capacidade
da auto-ilusão,
acabo me confundindo,
de qual parte era real,
e qual era você.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

conversa canina

Hoje fiquei por cinco horas olhando pra você, que silenciosamente gritava por ajuda enquanto tentava sem sucesso falar alguma palavra que fosse. Eu gritava alto do lado de fora da sua cabeça, te chamando pra sair dela e viver aqui fora comigo ... não deu certo.

sexta-feira, janeiro 31, 2014

Medo

Com corpo ainda quente, saiu na ponta dos pés, abriu a porta com cuidado e a fechou rapidamente atrás de si tentando não fazer nenhum som que a revelasse. Ao invés de lutar como de costume, fugiu olhando pra trás de vez em quando, correu pra longe e não, não contou pra ninguém. Durante dez dias as dores invisíveis foram sentidas em pequenas marcas pontuais, palavras foram decoradas no espelho e o escuro foi interligando os fatos nas noites que ficavam cada vez mais curtas. Por fim estava lá, como o combinado, esperando nos intermináveis minutos de coração disparado. Mas, quando chegou mesmo a hora os olhinhos foram enchendo, se desculpou por ter agora um monte de medo preso no peito, engoliu o choro e escondeu metade do rosto molhado no monte de travesseiros amassados num canto da cama recém arrumada.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Oh

Nada é muito risada,
é mais o nervoso.
No seu esplendor
vira um altar.
Suntuoso como não
deveria ser e jamais foi.
Fico imaginando
que acreditei.
As historias alheias
que apenas bajulam.
Que bobeira
de adulto que virei.

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Então,
ouviu-se
meu
coração
pulando
uma
batida,
por
você.
O ócio que permeia decisões prorrogadas,
a maldita mania de bater os pés no chão
esperneando pra você mesmo
que o mundo conspira e essa baboseira,
por mais que não seja, parece que é,
então de novo e de novo,
tenho preguiça e prefiro dormir
com nosso ar de auto-piedade pairando,
entre nós dois, preenchendo o que falta,
a primeira vista um sonho a parte,
a segunda, a necessidade por inteiro
da decisão certeira e agora,
ou tudo,
ou fora.

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Sobe um ar 
gelado na espinha,
a nuca força o olhar pro chão,
parece até 
de propósito,
mas, juro, 
juro mesmo,
que é incontrolável,
e olha que não sou
de jurar e prometer,
mas, o coração bate 
que quase não aguenta,
e...
presunção da minha parte,
me parece que 
sempre 
sempre esteve assim,
esperando,
sem luz.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

São apenas coisas
pra se esperar,
e eu espero
muito bem, obrigada,
consigo não me mexer
no enquanto.
Fico apenas ouvindo o leve
virar de pagina,
bater de xicaras na mesa,
voar do lado de dentro
preso no canto esquerdo,
batento violentamente contra o virdo,
veja bem, me sôa violento apenas
por que estou parada olhando.
Eu mesmo não faço barulho,
talvez de coração e
cigarro demais fazendo efeito
na traqueia cheia do ar pesado,
mas, nada que abafe
a mosca violenta, tentando
fugir de um torrão de açucar.
Ela grita de pavor e ninguem
ninguem ouve, o dia de vida
único prestes a acabar,
pro dia seguinte virar,
junto com pó da tarde, lixo.

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Do you mind?

A pesquisa foi em vão,
de certo que sem afinco,
mas, a idéia continuou,
...
então
...
um dia alguem disse
que quando se apaixonasse
não conseguiria mais fazer arte
...
e não é!?

quarta-feira, novembro 20, 2013

o céu se transformou em um teto almofadado de umidade densa,
com botõezinhos de luz logo acima da minha cabeça,
amarelo, azul, rosa, laranja, verde, tudo em tons pasteis,
como se um gigante de luz usasse uma roupa muito fofa,
e estivesse deitado em cima da gente com o seu casaco úmido,
tentando desesperadamente sair dele e iluminar tudo,
nisso ele umedecia em volta e a cidade perdeu suas luzes pontuais,
tudo ficou difuso e lindo, nossa, ficou lindo mesmo.

segunda-feira, novembro 11, 2013

Então achou que mudaria alguma coisa testada,
aquela que se preparou por anos até que tivesse coragem,
decidiu e ponto, soou como uma coisa bem mais definida,
diferente aos olhos, menos carnal talvez,
mas, percebeu que o escrito estava errado,
que a interpretação dos fatos valeu mais do que
o que, poderia ser chamado de feitos, o que
uma simples receita para deixar seu estomago
mais confortavel a todas as coisas que entram borbulhando,
gases acidos subindo dentro do pescoço,
os ossos esmigalhando de trás do rosto vermelho esquentando,
incontrolável e já se passaram das duas,
todas as coisas que achou que falaria e não.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Entre esses pequenos lapsos de uma memória roubada dos conhecidos,
atenuo meu lado sadico, olhando enquanto acha que sabe do que tá falando,
por que é ingenuo o outro achar que não olham enquanto olham pra baixo,
disfarçando o desespero de cada palavra jogada, transpirando,
sim, o suor escorre pelos lados do seu rostinho bonito, feito em casa,
na tentativa desesperada de parecer demais dentro dos seus jeans, normal,
traduz traços rudes de quem não sabe o que faz, de quem não sabe o que precisa fazer,
assim vai fazendo qualquer coisa-copia dos sordidos movimentos da tevê,
e a risada me ecoa por dentro que quase vaza, reparei pelas frestinhas dos olhos,
quando achou que eles estavam fechados, que quase me viu rir,
você me perguntou o por que do quase-riso, respondi entredentes,
segurando mais forte, que era nada, nada não.

domingo, outubro 13, 2013

Foi tocando os mesmos sons.

O barulho do ventilador oscilando de leve,
quando entra algum plastico de cigarro,
aquele que sempre acaba voando 
pra algum lugar que a gente nunca acha.

Um suspiro ou outro entre os intervalos
de algum filme plano de fundo qualquer na televisão.

O latidinho do cachorro sonhando a tarde ensolarada,
do domingo cheio de gente, com mesa farta, 
olhinhos fechando cansados, 
de amor e a quase satisfação. 

A luz mudando aos poucos de uma ventania clara
praquelas lampadas de luz amarela,
refletindo na parede branca,
entardecendo a sala junto.

Mais convidativo pra ficar mais,
uma horinha quem sabe...
Até ficar de noite e as luzes parecerem apenas abajures 
de um lugar que deveria ser mais claro. 

A fumaça foi com a exaustão do ar,
passando direto por mim, cheia de sustos com pulos,
fechando um dos olhos de vez em quando,
a visão escurecendo nas bordas,

e esse medo de não ver mais.

terça-feira, abril 30, 2013

Sono

No fim é apenas a sensação de perda de algo que nem se quer... o choro sem emoção apenas pela coisa em si ter um ar de acabado... o falso desespero pra sentir algo a mais... evito, desconsidero, sigo escondida fingindo que me veem. .. me vem a cabeça um leve ar resoluto e pronto...durmo

segunda-feira, abril 29, 2013

Desculpe a má educação, mas...cê tem que ver que foda-se.

quinta-feira, abril 18, 2013

Descobri que meu limite são três drinks, mas, tem que ser aqueles na taça, pra fingir o glamour da minha própria depressão, convenhamos, fica muito pior tomar drinks em canecas em baixo de um cobertor, mesmo por que, nessa situação o limite teria que diminuir.

domingo, abril 14, 2013

outch

Não sei o que senti, talvez outros textos meus se comparem melhor ao que sinto toda vez que isso acontece, e isso sempre acontece, a minha vontade é contar como tudo isso me muda por dentro, toda a necessidade de ser alguma coisa a mais, sempre me fez sentir que preciso de algo a mais no quem eu sou, no quem pareço ser, e não preciso ouvir muito, por que os momentos de silencio dizem mais do que os momentos de constrangimento e palavras erradas, movimentos errados, olhares pro chão e chutes em pedrinhas imaginarias sem saber o que passa pela cabeça, sem saber o que falar, e nisso tudo, acabo por ser perfeitamente educada e lisonjeira, hah, e fico triste a noite inteira, pensando o que não foi suficiente, por que não é e por que eu quero que seja, agora, mas, como eu fico triste com frequencia e todos os minimos detalhes me importam mais do que o total, vou acabar deixando pra lá, como sempre, por você.

quarta-feira, abril 10, 2013

Sobre encontros inesperados.

O que dizer das horas em que não dá mais pra falar nada... Um monte de verdades jogadas na cara e alfinetes maldosos fincados nos espaços entre os dedos... traz sua pior personalidade à tona, não é mesmo queridinha?! É mesmo.

terça-feira, abril 09, 2013

O.O

Não sei,  não sei me diz você,
é que dormir virou mais um luxo
do que uma necessidade,
que acontece toda noite
só no clareando do dia,
as luzes entrando pelas frestas
das cortinas mal fechadas
por quem não sabe o que é
domir só no claro,
cinco, seis, sete da manhã,
e o despertador toca,
eu tampo os ouvidos
e continuo sonhando
que tá de noite.

domingo, março 03, 2013

Damn, girl!

Nada com unhas e dentes faz mais sentido.... meu unico, e solitario, amigo.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Tadá

Gosto de assistir trailers de filmes que nunca verei,
só pra imaginar como eu viveria a história, daí,
sempre se tornam um drama romântico de merda,
e no final todo mundo morre, fim.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Passou um bom tempo
As coisas continuam iguais
É só cutucar a ferida
Que tudo volta no lugar
Com o tempo..é  o que dizem
Por aí para o consolo alheio
Misto de compaixão com deixa disso
Bem misturado mesmo
Pra não dizer que um pouco de cada um não tem
É o que dizem

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Gastura

Tenho uma preguiça dessa cultura de ir pro bar e tomar cerveja (ofendam-se e não me chamem),
É só não ter esse combinado diário que as pessoas já começam a se coçar de nervoso, frescura.
Dessa necessidade de ingerir uma quantidade baixíssima de alcool num aguado ruim até não caber.
Dá até enjôo, e não é a ânsia do vômito, é o gosto no fundo da garganta, que dá depois, enjoando.
O abafado que é nesse país, a bexiga inchando rapidamente sem sentido, misturado me dá vertigem.
Pisco devagar, tenho sede, fome e desconforto, isso que me dá. Que preguiça...prefiro vagar pra casa.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

wearing old hoodies

Arde forte na barriga,
dá pra ouvir barulhos,
nervosismo, ansiedade,
tenho calor e frio invertidos,
de tanto, mas, tanto...
medo acho, achado,
não fecho mais os olhos,
no susto deixo-os abertos,
vejo cada detalhe,
por pior que seja, e é,
cada detalhe pior,
roubam coisas de casa,
mas, depois devolvem,
é tipo pegar emprestado,
só que não,
me força a decorar,
todos os objetos de valor,
sentimental barato,
todas as nuances e tons,
pra bater o olho e perceber,
alguma cor faltando,
nunca percebi nada,
nunca decorei nada,
na da verdade,
na da mentira,
decoro nada mesmo,
só acredito.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Porém...

Engraçado o meu contar de tempo nos textos,
pois se fazia comum no horário da publicação.
Em poucos dias, num filtro amadurecido,
(entenda-se também como loucura),
tirei de circulação os que incomodavam.
E as datas todas mudaram, e agora
só recordo dos mais importantes.
Perdi a referência do tempo e espaço
dos últimos 6 anos e todos se confundiram.
Depois de pensar em datas e horas,
lembrar vagamente dos meses,
percebi que nisso tudo,
tudo me parece igual.

quinta-feira, julho 26, 2012




Já é tarde demais e o tom amarelo do meio dia invadia minha sala, deixei todas as portas e cortinas abertas pra luz entrar, assim eu não precisava acender nenhuma lâmpada, do chuveiro não ouço quase nada no resto da pequena casa, mas, numa fração de segundo me transportei e quando percebi estava ouvindo a música que cantaram naquela manhã, e tive quase certeza que.... era verdade... mas, a brisa estava um pouco diferente, mais intensa talvez, e estava menos frio do que sempre esteve, e meu violão não era afinado a meses....enfim, estive com essa melodia o dia todo na cabeça, fiquei cantarolando pelos cantos, pareceu muito bonito pra quem ouviu... mas, é uma música muito, muito triste.

sexta-feira, julho 06, 2012

Muitas as noites que me revirei pensando na obrigação,

essa cobrança pra que eu fosse mais do que. 

Precisei jogar migalhas no chão, 

ensinar meu caminho aos poucos.

Por que foi a única coisa que conseguiram,

ver as migalhas que sobraram.

E a culpa aumentando,

por não trazer comigo.

... mas, sabe ...

Era eu quem estava seguindo,

deixando tudo de mim pelo caminho.

E essa minha presença incessante,

só perceberam quando se esvaiu.

A culpa continua sendo minha,

assim consigo ver a tal luz no fim do túnel

Pelo menos ... ou mais.

quinta-feira, julho 05, 2012

Finco as garras pra não deixar,
rasga a pele violentamente,
sangra a carne fresca,
sofrido não?

segunda-feira, julho 02, 2012

Tenho um problema grave de falta de pontuação na fala, provavelmente se estende para outros aspectos, que seja, acaba confundindo todos que ouvem enquanto faz os pontos finais soarem como reticências causando expressões de expectativa... sempre me obriga anunciar o fim da sentença ¬¬ 

terça-feira, junho 05, 2012

Ah, a semelhança,
me fez (e faz) gargalhar,
do formato do olho,
às poses pra gente,
quase ouço os suspiros,
vindo de mim e saindo dela,
nela, a trela daquelas,
que não é só pra olhar.

quinta-feira, maio 31, 2012

Estranho, certas coisas têm de acontecer,
mais ainda, o como é necessário lembrá-las.

De vez em quando, enquanto e quanto,
esmagando o ar que aquece meus pulmões.

Tudo vêm parecendo tão claro,
claro demais, embaçado nos cantos.

Vai arredondando, rolando fácilmente,
rapidamente dominando de novo.

Lembro-me das mãos tão bem, nunca achei 
que seria assim e assim ainda lembro.

Dessas coisas que nunca (ou sempre) 
vão se auto-sobrepor ... ah!

Se a necessidade da dor não fosse,
como eu queria que não fosse tanta.

quarta-feira, maio 02, 2012

Enquanto o frio dói no osso, continuo com os pés pra cima.
É realmente uma pose de descanso...mesmo com todas esses hematomas latejando.
Estranho só não conseguir dormir com tanto sono e cobertor.
Acho que é a falta do meu cachorro ao pé.

sexta-feira, abril 06, 2012

convenhamos

a música começou lenta,
veio um gosto doce
que adormeceu-me a boca,

agarrei cada frase assertiva,
e, duvidando da letra,
separei todas do contexto,

só percebi os cigarros
se acumulando no cinzeiro,
passaram quantas horas? três? cinco?

(...)
acho que se passaram mais,
bem mais.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

E quem diria, poderia ter sido eu mesmo.
Mas as lacunas que faltavam eu não fazia questão.
Viu?! Pode deixar aí ou embala pra mais tarde.
Dá muito frio isso, esse tal de ... Deus me livre,
vou te falar que consciente evito falar isso.
Invento um quem sabe pra sempre.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Meu coração tá pegando fogo .... alguem faz o favor de apagar pra mim?

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Sempre prestes a acabar

já é de manhã de novo

 o futuro ficando mais 

próximo de mim

do que o presente.

terça-feira, janeiro 24, 2012

Um pouco de açúcar,
as mãos começaram a pesar,
cresciam gigantes,
gordinhas e quentes,
os dedos não dobravam,
mover algum musculo,
parecia impossivel,
as palpebras forçaram dormir,
escurecia e embaçava,
1, 2 e 3 inchando sem parar,
turbulências subiam o estomago,
de subto despertava assustada
não conseguia dormir a noite
mas, pelomenos estava toda doce.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

8H

Reviramos em todos os dias, horário e lugar marcados. Precedemos aquelas poucas horas, arrumando por miúdo os detalhes. Bom que os gestos que apareciam, não pareceram assim tão planejados. Demos com presteza o olhar e despertamos antes do previsto. Diminuímos a dose homeopáticamente com amor. Foi simples pra parar de doer, agradecemos por faze-lo. Por que a dor passou, sim, do jeito mais bonito que já vi.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

há anos

Vem um nó tenso nos ombros
enquanto melodias novas ressoam
no nervosismo que faz bater
em quinas, paredes e portas.

Trombo com o fundo da garganta
respirando com dificuldade,
e cada palavra saindo mais rouca,
louca...pouco.

Volta ao lugar de onde se começa,
esquecendo horários marcados,
jurando tentar saber
por que o agora.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Foi em meados de setembro com a estação mudando,
as flores se abrindo, o verde se espalhando,
o dia esquentando, tudo bem nessa ordem,
com muito detalhe e pouca coisa,
nisso tudo a cor se perdeu com a luz do fim do dia, 
a noite esfriou cinza, pesada e choveu...bonito.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

ler muito me deixa assim

Dirigi como se fosse pra outro lugar,

tentamos umas duas vezes,
a escolhida foi a segunda alternativa,
(na verdade apenas por imprevisto que não foi a primeira)

enfim, chegamos em algum lugar bem agradável,
antes do algum outro lugar,
por que não parar?
andar alguns passos na terra
e sentar num muro de pedra qualquer,

rolha, cigarros e luz da lua,
que lua,
que aparecia de vez em quando
em nuvens cinzas e raios no céu,

só ao longe agora,
e nossos pés pendiam do muro alto
pra um pasto recem molhado,

o nublado deu a impressão que
você me dançava para o fim do amor,
indo ao longe em algum lugar escuro,
umido, cheio de sombras e branco difuso,

o fim do que é, simplemente,

e meu coração encheu de esperança
ao simplemente ver que existe o nada,

depois do fim,
o nada,

que simples deixa de ser algo
e passa a ser conjunto de uma coisa bem maior
perde a existencia pontual
fixa o próprio entendimento
em algo que não precisa se perder
ou entender e perceber alguma coisa que possa ser

e de branco sentava numa cadeira branca,
debaixo de um céu branco e uma tenda branca,
olhava de lá como um faraó olha de dentro
de suas vestes brancas pra um deserto seco,

sem perceber que o verde do ar a circulava inteira,
inteira pendendo levemente pro lado verde,
em todos os lados para qual olhava,

minto, minto,

atras de si estava azul,
como uma miragem bordeada de areia bege e marrom,
por que nas miragens, convenhamos,
tem que ter marrom,

(mesmo se for só aquelas fontes que jorram agua pela boca de um menino pequeno)

pelo menos tinha que ser marrom
parece mais molhado e dificil de atravessar.

quinta-feira, dezembro 15, 2011


uma pura transparência....um reflexo do meu próprio motivo para ser.
sem essa merda de bons costumes pra cima de mim.


...olha só que ridículo!

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Quando percebi a sala estava infestada de grilos,
pulando todos verdes pros tantos lados,
cima, baixo, lado, outro e outro e outro,
a gravidade deixou de existir,
senti meus pés desencostando do chão,
os grilos encostando em mim,
grudavam secos, mil patinhas secas,
me coçavam nas juntas e eu coçava,
até sangrar muito pros tantos lados,
e pulando os grilos ficavam todos vermelhos.

Paciência

-Virtude que faz suportar com resignação a maldade, as injúrias, as importunações etc.
-Perseverança, constância.
-Nome de certo jogo de cartas.

terça-feira, dezembro 13, 2011

fona

Estou na dúvida...
é tanta que fez mudar minha caligrafia.
Estranho ter esse tipo de consequência,
me preocupar em desenhar direito os "As",
escrever os pontos com pequenas bolinhas.
Ao final de cada frase afasto,
um pouco, do papel, o rosto
e vejo o desenho que surge
nas rebuscadas linhas que se entrelaçam
e formam laços com precisão.
Como se estivessem lá antes,
e o que se escreveu foi simplesmente
por ligar os pontos nas palavras
que não significam nada.
Na simplicidade de flutuarem,
e morrerem no ar.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Longo

Estava num apartamento vazio, e incrivelmente, mesmo paracendo o visitar pela primeira vez, sabia como era a vista daquele andar. Dali conseguia ver os trilhos do trem logo ao lado do prédio seguido de um terreno baldio descuidado.

A essa altura a chuva fina que atravessei para chegar tomara forma e formava enxurradas em qualquer sarjeta que encontrasse, os trilhos estavam já alagados e a água levou pouco tempo para arrastar qualquer tipo de coisa que pudesse atrapalhar a mobilidade do trem, e pelo que parecia, não funcionaria hoje de qualquer jeito.

A luz azul pálida que entrava pelas janelas revelava um ambiente vazio, seco e frio, causava um desconforto misturado com arrependimento que não se fazia entender facilmente. Logo abaixo da janela havia somente uma cama de solteiro sem lençol, as manchas secas no colchão mostravam um usual desleixo, como se aquilo estivesse ali para exatamente ser usado em emergências sórdidas.

Você saiu de um dos cômodos ao fundo da estreita sala principal me fazendo virar bruscamente e dar um mau jeito no pescoço, só consegui te ver de costas, você logo entrou na próxima porta, rápido, mas, o suficiente pra esclarecer o que estava acontecendo.

Fomos para nos encontrar, preparar o terreno para alguma coisa maior, seguiria o desfecho maldoso que inventamos. Não fora a primeira vez que estivemos ali, disso tinha certeza, mas qual fora a última vez que estávamos? Qualquer tentativa de lembrar parecia em vão, mas ficou claro que reconhecer aquela vista não era uma coincidência.

Olhei pela janela denovo e me espantei em como a chuva trouxera vários carros pra cima dos trilhos em tão pouco tempo, a quantidade de água era absurda. Pelo visto ficaríamos mais do que o previsto, se realmente tivesse alguma previsão. Mas, da onde vieram todos aqueles carros que eu não tinha notado antes?

Me destraí ao ouvir passos no corredor se aproximando rápido e certeiro da porta da frente, meus músculos se enrijeceram fazendo meu pescoço dar uma pontada, e então, duas batidas pesadas na porta. Hah, eu já suspeitava, mas não, não abri e você pelo visto também não se importou muito em ter qualquer tipo de reação que o revelasse.

Não sei quanto tempo se passou depois disso, pois, na minha paralisia momentânea me pareceu que o tempo nem tinha passado. Finalmente me mexi, o primeiro movimento foi passar a mão pelos cabelos, resolvi tomar um banho.

O banheiro estava bem limpo, água quente, sabonete, shampoo, toalha, tudo ali. E, sem nenhum sinal de vida em volta, simplesmente me deixei esquecer de tudo que nem sabia e fechei os olhos, deixando a quentura da água quase queimar a minha pele. Então engasguei. Me curvei forte pra frente, esquivando minha cabeça da parede por pouco.

Tinha alguma coisa na minha garganta, não me deixava respirar, estava se mexendo lá dentro, uma aflição misturada com ansia me fez abrir os olhos com força, como se isso fosse expulsar o mal dentro de mim.

Lacrimejando olhei em volta, não consegui levantar meu olhar pra mais do que o rodapé. Vi pequenos lagartos marrons no chão de azulejos azuis, mas, bem pequenos mesmo, pareciam brinquedos. Como foram parar ali não importava agora, se eu não fizese nada talvez sufocaria naquele banheiro limpo de um lugar que eu não sei o nome, mas, o que poderia ser feito?

Agarrando a toalha me escorei no chão e de joelhos ainda tentava por pra fora o ar que insistia em não sair, contrações me faziam curvar ainda mais, meus braços tremiam e eu não conseguiria me sustentar por mais tempo, as forças foram sumindo lentamente, cada piscada ficava mais longa.

Numa última tosse desesperada, saiu devagar, era um lagartinho igual aos outros, só que agora morto. Inspirei o mais fundo que consegui, e, atônita olhei, com a visão embaçada pelas lágrimas, o que tinha acabado de sair de mim ... um bicho morto. Todos os outros que estavam no banheiro ficaram me olhando culposamente e na língua dos mini-lagartos gritaram em coro algumas vezes: "assassina".

Onde você estava nessa hora?

segunda-feira, dezembro 05, 2011

autocondescendencia 

terça-feira, novembro 29, 2011

Oh dear!

Não que eu desenhe
corações com seu nome 
nos cantos das página.
Não.
Evito escrevê-lo
...o seu nome. 
Quase nunca te chamei
pelo nome, 
quem dirá denominar.
Chamei-o pelo olhar,
mas, se você não vê 
não tem como invocar
.... sabe? 
Aquilo de fazer presente, 
contar as horas pra chegar, 
e nas horas vagas
citar em seu favor
tudo que adoro falar,
por saber que é seu.
E assim,
suave e melancólico,
te evocar.

segunda-feira, novembro 28, 2011

PSFT

Lembra quando eu levava aquelas revistas de arte pra casa? Aquelas que vinham todas amassadas? Eu folheava no caminho de volta, marcava com uma dobra o canto de cada página que eu achava que você gostaria mais, e depois, mentia que já vieram assim....como se você não soubesse quando estou mentindo.

sexta-feira, novembro 25, 2011

tô num humor cheio de grude,
tudo me dá vontade de encostar.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Olhei,
diretamente
e me assombrei,
cruzei olhares por vezes,

continuava estático,
brilhando ao fundo,
bem ao fundo,
e na frente,

por que,
nisso se tinha
frente e verso
e fundo,

foi ai que me assombrei
e cruzei olhares
com o céu,
pra ter certeza,

refletia de um lugar?
tinha que ter
algum lugar,
mas, não, não tinha,

deixava a névoa,
simplesmente,
ir tomando conta,
transformando

tudo em ...

meu benzinho

São coisas à luz de velas,
daquelas bem clichês,
tipo melancolia de samba,
bom dia e boa tarde, boa noite, não,
por que, de noite já não é,
então, só dorme bem,
e deixa essa saudade que me dá,
pra longe de mim, deixa,
que eu desperto suspirando,
antes da música tocar.

quarta-feira, novembro 16, 2011

3

Eu te disse que essas coisas passam rápido. 
Fluem normalmente por aí sem nada de errado. 
Só parece mais uma página virada e quase nem percebo que virei umas dez. 
Depois que passa sempre dá a impressão que passou rápido demais. 
Bem no finzinho da pra ver aquele volume de folhas frente e verso, com a escrita arrastada, notas de canto de página e setas pra todos os lados. 
Complementando os espaços já preenchidos.
Aquela necessidade de virar um rascunho pra sentir que é mais real.
A esperança de ter uma arte final....até rima de mau gosto.
Claro que daí vem de novo a mesma ladainha.
Toda magia é muito convidativa, mas, sangrar sempre me atraiu mais. 
Saber que de dentro dessas criaturas mágicas verte quente, pulsando, em jatos que chegam longe
... 
não soa obsceno?!
Mas, é só sangue, tem dentro de você também.

segunda-feira, novembro 14, 2011

adoro essas coisas que a gente esconde

domingo, novembro 13, 2011

releitura

Então ela abriu devagar a porta e caminhou até o centro da ante-sala, quer dizer, o que parecia uma ante-sala. Com o ouvido atento a qualquer um daqueles seus suspiros mais altos, nem percebeu à direita uma porta entre aberta e à esquerda uma arandela baixa ao lado de um vaso de flores grande, 
sem flores por sinal, mas, 
com certeza, não era só um vaso decorativo, 
não poderia ser 
....bom, 
poderia. 
Enfim, 
caminhou por um curto corredor e entrou na sala seguinte. Dava pra ver toda a casa dali, quase nenhuma divisão de ambientes, um aquario enorme no meio com peixinhos brilhantes, um piano ao fundo esquerdo.... não é preciso dizer que todo os detalhes daquela sala imensa foram totalmente esquecidos 
na hora 
em que colocou 
os olhos 
naqueles...
Então começou, 
parecia que já tinha até estado naquele lugar antes, de tanta empolgação, 
andou certeira pra cada gaveta e porta que abria. Demorou um tempo pra escolher o que queria realmente usar. Então, com a redinha de peixes, pegou varios por vez e os despejou, ajudando com as mãos, na jarra do liquidificador que tinha separado junto com alguns outros apetrechos. Girou o botão para a opção pulsar por um tempo, só pra saber se teriam consistência a mais por serem vivos 
... e, não é que tinham mesmo?! 
(pausa para mágica)
Liiiin,
de súbito 
largou o botão, 
esfregou os olhos e 
finalmente olhou de longe pro que estava fazendo. 
Não conseguiu entender muito bem, só sabia 
que alguma coisa deveria ser feita. 
Agarrou o liquidificador e saiu correndo para a porta em que tinha entrado, mas, o fio que ainda estava ligado na tomada prendeu na tampa do aquario que tombou violentamente no chão explodindo água, peixe e faiscas azuis. Paralisada, percebeu mais a frente o vaso da ante-sala, nem pensou duas vezes, jogou o suco de peixinhos lá dentro, deixou o liquidificador no chão e saiu. 
Sabia que talvez voltasse ali denovo, 
numa hora mais apropriada 
para uma conversa qualquer
com uma estranha qualquer 
e falar de alguma coisa que fica sem sal, aquele gosto de comida sem sal, que a gente nunca sente, mas, quando sente acha que falta algo e acaba colocando sal, talvez, nem seja sal o que falta e a gente nem saiba o nome.
...mas, não voltou, por que a casa pegou fogo!

quarta-feira, novembro 09, 2011

Deveria interpretar essas frases ou apenas entendê-las simples.
Na vaga interpretação, achou significados muito convidativos, mas, se for simplesmente pra acreditar no que é, provavelmente não quereria. Essa coisa de saber o que sentem ou deixam de sentir vinha um tanto complicada, mas, assumiu que procuraria saber o quanto fosse possível, mesmo que atribuisse um ar 
de perda 
de tempo 
a quase tudo
que existiu. 
Será que pensam antes? 
Será que treinam nos espelhos para saber?
Será que pensam em como pode ser interpretado? 
Será que vão acreditar piamente em cada palavra e todos os dentros vão sair pra fora de desgosto... a palavra é essa... e então achou, desgosto....não sabia se tendia a perder o gosto fisicamente ou psicologicamente, mas, com certeza tinha um bocado dos dois 
aí dentro da mistura. 
Hah! 


domingo, outubro 30, 2011

Se isso está mesmo certo, por que sinto como se estivesse cometendo o maior erro da minha vida?

quarta-feira, outubro 26, 2011

Confissão

Desculpe-me a confusão, 
(e esse desculpe é realmente desses de tirar a culpa), 
sei que isso não se pede, 
mas, 
de repente, toda a vida que conhecia evaporou, 
minto, minto, 
não foi de repente, foi gradualmente, 
evaporando lento e triste, mas, 
uma vez vapor, as coisas foram rapidamente indo, 
uma seguindo a outra, 
sei que é assim mesmo, 
tudo se atropelando
e ... que seja, 
mas, na falta que sinto, 
nesse vazio árido, 
não sei encontrar,
nada,
o sol é muito forte, o chão é muito seco, 
tudo é quente e cheio de miragens,
e eu secando ali,
então, preciso de uma mão,
preciso,
uma mão que me guie para lá, 
pro lugar aonde vida exista, 
onde tenha água,
preciso de umidade,
de reflexo,
e essencialmente,
preciso que essa vida toda,
seja minha.
Segura aí, meu bem, por que acho que agora vai, e me segura forte aí, que na ilusão de ir já comecei a andar e fui, daqui a pouco já estou lá e nem saberei onde estava antes, por que, pro antes prefiro esquecer o caminho, não vou, não entro e não gosto, então, me segura mesmo, antes que você também comece a ir.

terça-feira, outubro 25, 2011


O que você quer
que eu fale,
se tenho nada
pra falar?

Talvez.

Não que não tenha,
mas, sim, que
não queira mais 
ter nada pra falar.

Simples assim,
é fato e sabe-se lá,
esse é o problema:
saber-se lá.

É exato.

Falar das coisas
sem citá-las,
não quer dizer que
não se fale delas.


Apenas, 
cabe a mim 
saber não falar,
e boa sorte.

Sempre.

Você, com certeza,
está pensando
bem diferente
de mim.

são dessas coisas sem pé nem cabeça, que ficam perdidas por aí, pedindo ajuda pra saber onde chegar, e, quando recebem, ouvem completamente errado e fogem pro outro lado rolando... já que não tem pé... nem cabeça... então, paro e me pergunto o por que, realmente, dessa coisa estranha passar aqui e pedir ajuda, quando percebo já tô rolando pra algum outro lugar.

terça-feira, outubro 11, 2011

O que realmente incomoda, nessa falsa solidão, é essa sensação que passo, que eles tem esse poder de confiar plenamente em mim. Isso resguardo, assumo a responsabilidade de que serei deles um eterno confidente e finalizo com um muito obrigada. Por que, realmente me lisonjeio com a sinceridade sórdida, coragem alheia, cumplicidade secreta, ou, qualquer que seja o subjetivo adjetivado. Acolho com entusiasmo e guardo tudo como se fosse meu maior crime, as mentiras reveladas em lágrimas com risos. Mas, a recíproca não é (realmente) algo que seja dito e possa ser feito, pois, a cada vez que tento confidenciar fantasmas guardados eles saem voando depressa pelas janelas, portas e tudo mais em que se for possível passar. O melhor é, estou aprendendo a reconhecer, no brilho trêmulo dos olhos assim que as revelações vão vir à tona, quando falaram demais. Por isso guardo aqui dentro, todas essas estórias que não posso contar somadas à todas as histórias que não devo contar.