quarta-feira, setembro 30, 2015

Ponteiros

ontem a noite eu pensei em um monte de frases de efeito para jogar aqui, todas soltas, e ir organizando racionalmente conforme o pensamento do dia que eu estou agora, estavam claras, muitas até faziam sentido entre si, mas, a conexão que tem nessas coisas eletrônicas não serve pra criatividade espontânea, deveria, mas não, a gente só fica lá perdendo o tempo, vendo ele passar por um contador no canto da tela, as horas indo como se tivessde um relogio bem grande na sua frente, daqueles que não param o ponteiro nos segundos, e, antes de você conseguir contar 59, o ponteiro já está no 3 de novo.

Talvez eu tenha algum ataque cardiaco mais pra frente
e melhor evitar cada vez mais os momentos emocionantes,
vai que numa dessas fotos antigas eu me perco,
entro nas portas e janelas da paisagem ao fundo
e fico lá relembrando como a gente era
quando estava de costas, olhando pra câmera.

domingo, setembro 13, 2015

Loucura

Então estava eu na porta da sua casa,
de novo, de noite e um nó na garganta,
da parte escura que a árvore fazia na rua
eu ligava e ouvia seu telefone lá dentro,
e por vezes eu não tive ar, tanto que...
escrevi 37 cartas pra você...
todas diziam a mesma coisa,
hora com rabiscos puxados,
hora com curvinhas nas sobras,
Uma eu entreguei pro seu porteiro,
disse que não sabia o apartamento,
mas, sabia o seu nome e ele te conhecia.
Fui embora. Não sei se ele leu.

terça-feira, agosto 25, 2015

A paixão vem fácil entre os soluços que lembrar da dor faz,
vou tirando as casquinhas dos machucados quase cicatriz.
o coração já aberto e o olhar fixo em você,
desvio e rio pro chão, balanço a cabeça em não,
as coisas começam a rimar e daí ... já foi.


sábado, agosto 01, 2015

Sinto que a vida vai me levar pro caminho de te seguir de novo, esperando mais uma vez pra algo piscando verde ali no canto mais escuro da sala, enquanto me cubro de cobertores, cachorros e pacotes de bolacha pela metade.

sexta-feira, julho 03, 2015

Quinta nublada

O barulho da rua entrou pela janela,
Entre vozes se misturando com as gravações,
Com a musica tocando no andar de cima,
Ouço os pés pousando no chão,
Sinto a vibração dos passos dentro do peito,
Os olhos vão lentamente forçando abrir,
Quando fecham de vez me pego sonhando,
Com o que está aqui fora ecoando por dentro.

sexta-feira, abril 24, 2015

Pensando em como sempre são 4 da manhã.

terça-feira, janeiro 20, 2015

E, ao dirigir muitas horas noturnas na estrada vazia, me veio uma visão. Entre as nuvens pesadas e escuras no horizonte, apareciam mais de perto os avisos de uma tempestade por vir, os trovões silenciosos brilhavam o céu entre um azul ofuscante e um rosa escuro avermelhado, era preciso cerrar de leve os olhos para ver a mudança entre as duas cores. Sem que fosse notado, um sol pálido surgiu entre o canto da janela esquerda e o retrovisor, estranhamente não tinha raio nenhum, era simples um circulo, com o perfeito contorno visível, de luz difusa entre as neblina rala pré tormenta que cobria o amanhecer do dia. Aquilo me tirou todo o foco da chuva que começava a cair ao longe na estrada, chegando rapido a meu encontro, quando menos vi chovia pavorosamente uma leva de granizo, o calor abafado do verão entrava pelas frestas abertas da janela do carro com o início da chuva, o sol se escondeu de novo entre os barulhos que agora atordoavam dentro do carro. O amanhecer escureceu, e dirigi pela noite por mais duas horas.
E te veio a certeza de que eu era só pra olhar, só olhar de longe, enquanto eu me remexia em caras e bocas para você, que sentado no pequeno sofá da sala só olhava.  Simplesmente eu podia fazer o que quisesse, mas, preferia ficar ali, também olhando entre os cabelos que me cobriam o rosto de permeio à uma pose ou outra, os cabelos pretos e compridos emaranhando a vontade de esperar fazer o que fosse comigo. Você só olhava e eu fingia que não sabia fazer nada, eu fingia muito bem e você realmente não sabia o que fazer, afinal, duas pessoas submissas não formam nada mais que uma vitrine.