quinta-feira, dezembro 15, 2011


uma pura transparência....um reflexo do meu próprio motivo para ser.
sem essa merda de bons costumes pra cima de mim.


...olha só que ridículo!

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Quando percebi a sala estava infestada de grilos,
pulando todos verdes pros tantos lados,
cima, baixo, lado, outro e outro e outro,
a gravidade deixou de existir,
senti meus pés desencostando do chão,
os grilos encostando em mim,
grudavam secos, mil patinhas secas,
me coçavam nas juntas e eu coçava,
até sangrar muito pros tantos lados,
e pulando os grilos ficavam todos vermelhos.

Paciência

-Virtude que faz suportar com resignação a maldade, as injúrias, as importunações etc.
-Perseverança, constância.
-Nome de certo jogo de cartas.

terça-feira, dezembro 13, 2011

fona

Estou na dúvida...
é tanta que fez mudar minha caligrafia.
Estranho ter esse tipo de consequência,
me preocupar em desenhar direito os "As",
escrever os pontos com pequenas bolinhas.
Ao final de cada frase afasto,
um pouco, do papel, o rosto
e vejo o desenho que surge
nas rebuscadas linhas que se entrelaçam
e formam laços com precisão.
Como se estivessem lá antes,
e o que se escreveu foi simplesmente
por ligar os pontos nas palavras
que não significam nada.
Na simplicidade de flutuarem,
e morrerem no ar.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Longo

Estava num apartamento vazio, e incrivelmente, mesmo paracendo o visitar pela primeira vez, sabia como era a vista daquele andar. Dali conseguia ver os trilhos do trem logo ao lado do prédio seguido de um terreno baldio descuidado.

A essa altura a chuva fina que atravessei para chegar tomara forma e formava enxurradas em qualquer sarjeta que encontrasse, os trilhos estavam já alagados e a água levou pouco tempo para arrastar qualquer tipo de coisa que pudesse atrapalhar a mobilidade do trem, e pelo que parecia, não funcionaria hoje de qualquer jeito.

A luz azul pálida que entrava pelas janelas revelava um ambiente vazio, seco e frio, causava um desconforto misturado com arrependimento que não se fazia entender facilmente. Logo abaixo da janela havia somente uma cama de solteiro sem lençol, as manchas secas no colchão mostravam um usual desleixo, como se aquilo estivesse ali para exatamente ser usado em emergências sórdidas.

Você saiu de um dos cômodos ao fundo da estreita sala principal me fazendo virar bruscamente e dar um mau jeito no pescoço, só consegui te ver de costas, você logo entrou na próxima porta, rápido, mas, o suficiente pra esclarecer o que estava acontecendo.

Fomos para nos encontrar, preparar o terreno para alguma coisa maior, seguiria o desfecho maldoso que inventamos. Não fora a primeira vez que estivemos ali, disso tinha certeza, mas qual fora a última vez que estávamos? Qualquer tentativa de lembrar parecia em vão, mas ficou claro que reconhecer aquela vista não era uma coincidência.

Olhei pela janela denovo e me espantei em como a chuva trouxera vários carros pra cima dos trilhos em tão pouco tempo, a quantidade de água era absurda. Pelo visto ficaríamos mais do que o previsto, se realmente tivesse alguma previsão. Mas, da onde vieram todos aqueles carros que eu não tinha notado antes?

Me destraí ao ouvir passos no corredor se aproximando rápido e certeiro da porta da frente, meus músculos se enrijeceram fazendo meu pescoço dar uma pontada, e então, duas batidas pesadas na porta. Hah, eu já suspeitava, mas não, não abri e você pelo visto também não se importou muito em ter qualquer tipo de reação que o revelasse.

Não sei quanto tempo se passou depois disso, pois, na minha paralisia momentânea me pareceu que o tempo nem tinha passado. Finalmente me mexi, o primeiro movimento foi passar a mão pelos cabelos, resolvi tomar um banho.

O banheiro estava bem limpo, água quente, sabonete, shampoo, toalha, tudo ali. E, sem nenhum sinal de vida em volta, simplesmente me deixei esquecer de tudo que nem sabia e fechei os olhos, deixando a quentura da água quase queimar a minha pele. Então engasguei. Me curvei forte pra frente, esquivando minha cabeça da parede por pouco.

Tinha alguma coisa na minha garganta, não me deixava respirar, estava se mexendo lá dentro, uma aflição misturada com ansia me fez abrir os olhos com força, como se isso fosse expulsar o mal dentro de mim.

Lacrimejando olhei em volta, não consegui levantar meu olhar pra mais do que o rodapé. Vi pequenos lagartos marrons no chão de azulejos azuis, mas, bem pequenos mesmo, pareciam brinquedos. Como foram parar ali não importava agora, se eu não fizese nada talvez sufocaria naquele banheiro limpo de um lugar que eu não sei o nome, mas, o que poderia ser feito?

Agarrando a toalha me escorei no chão e de joelhos ainda tentava por pra fora o ar que insistia em não sair, contrações me faziam curvar ainda mais, meus braços tremiam e eu não conseguiria me sustentar por mais tempo, as forças foram sumindo lentamente, cada piscada ficava mais longa.

Numa última tosse desesperada, saiu devagar, era um lagartinho igual aos outros, só que agora morto. Inspirei o mais fundo que consegui, e, atônita olhei, com a visão embaçada pelas lágrimas, o que tinha acabado de sair de mim ... um bicho morto. Todos os outros que estavam no banheiro ficaram me olhando culposamente e na língua dos mini-lagartos gritaram em coro algumas vezes: "assassina".

Onde você estava nessa hora?

segunda-feira, dezembro 05, 2011

autocondescendencia 

terça-feira, novembro 29, 2011

Oh dear!

Não que eu desenhe
corações com seu nome 
nos cantos das página.
Não.
Evito escrevê-lo
...o seu nome. 
Quase nunca te chamei
pelo nome, 
quem dirá denominar.
Chamei-o pelo olhar,
mas, se você não vê 
não tem como invocar
.... sabe? 
Aquilo de fazer presente, 
contar as horas pra chegar, 
e nas horas vagas
citar em seu favor
tudo que adoro falar,
por saber que é seu.
E assim,
suave e melancólico,
te evocar.

segunda-feira, novembro 28, 2011

PSFT

Lembra quando eu levava aquelas revistas de arte pra casa? Aquelas que vinham todas amassadas? Eu folheava no caminho de volta, marcava com uma dobra o canto de cada página que eu achava que você gostaria mais, e depois, mentia que já vieram assim....como se você não soubesse quando estou mentindo.

sexta-feira, novembro 25, 2011

tô num humor cheio de grude,
tudo me dá vontade de encostar.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Olhei,
diretamente
e me assombrei,
cruzei olhares por vezes,

continuava estático,
brilhando ao fundo,
bem ao fundo,
e na frente,

por que,
nisso se tinha
frente e verso
e fundo,

foi ai que me assombrei
e cruzei olhares
com o céu,
pra ter certeza,

refletia de um lugar?
tinha que ter
algum lugar,
mas, não, não tinha,

deixava a névoa,
simplesmente,
ir tomando conta,
transformando

tudo em ...

meu benzinho

São coisas à luz de velas,
daquelas bem clichês,
tipo melancolia de samba,
bom dia e boa tarde, boa noite, não,
por que, de noite já não é,
então, só dorme bem,
e deixa essa saudade que me dá,
pra longe de mim, deixa,
que eu desperto suspirando,
antes da música tocar.

quarta-feira, novembro 16, 2011

3

Eu te disse que essas coisas passam rápido. 
Fluem normalmente por aí sem nada de errado. 
Só parece mais uma página virada e quase nem percebo que virei umas dez. 
Depois que passa sempre dá a impressão que passou rápido demais. 
Bem no finzinho da pra ver aquele volume de folhas frente e verso, com a escrita arrastada, notas de canto de página e setas pra todos os lados. 
Complementando os espaços já preenchidos.
Aquela necessidade de virar um rascunho pra sentir que é mais real.
A esperança de ter uma arte final....até rima de mau gosto.
Claro que daí vem de novo a mesma ladainha.
Toda magia é muito convidativa, mas, sangrar sempre me atraiu mais. 
Saber que de dentro dessas criaturas mágicas verte quente, pulsando, em jatos que chegam longe
... 
não soa obsceno?!
Mas, é só sangue, tem dentro de você também.

segunda-feira, novembro 14, 2011

adoro essas coisas que a gente esconde

domingo, novembro 13, 2011

releitura

Então ela abriu devagar a porta e caminhou até o centro da ante-sala, quer dizer, o que parecia uma ante-sala. Com o ouvido atento a qualquer um daqueles seus suspiros mais altos, nem percebeu à direita uma porta entre aberta e à esquerda uma arandela baixa ao lado de um vaso de flores grande, 
sem flores por sinal, mas, 
com certeza, não era só um vaso decorativo, 
não poderia ser 
....bom, 
poderia. 
Enfim, 
caminhou por um curto corredor e entrou na sala seguinte. Dava pra ver toda a casa dali, quase nenhuma divisão de ambientes, um aquario enorme no meio com peixinhos brilhantes, um piano ao fundo esquerdo.... não é preciso dizer que todo os detalhes daquela sala imensa foram totalmente esquecidos 
na hora 
em que colocou 
os olhos 
naqueles...
Então começou, 
parecia que já tinha até estado naquele lugar antes, de tanta empolgação, 
andou certeira pra cada gaveta e porta que abria. Demorou um tempo pra escolher o que queria realmente usar. Então, com a redinha de peixes, pegou varios por vez e os despejou, ajudando com as mãos, na jarra do liquidificador que tinha separado junto com alguns outros apetrechos. Girou o botão para a opção pulsar por um tempo, só pra saber se teriam consistência a mais por serem vivos 
... e, não é que tinham mesmo?! 
(pausa para mágica)
Liiiin,
de súbito 
largou o botão, 
esfregou os olhos e 
finalmente olhou de longe pro que estava fazendo. 
Não conseguiu entender muito bem, só sabia 
que alguma coisa deveria ser feita. 
Agarrou o liquidificador e saiu correndo para a porta em que tinha entrado, mas, o fio que ainda estava ligado na tomada prendeu na tampa do aquario que tombou violentamente no chão explodindo água, peixe e faiscas azuis. Paralisada, percebeu mais a frente o vaso da ante-sala, nem pensou duas vezes, jogou o suco de peixinhos lá dentro, deixou o liquidificador no chão e saiu. 
Sabia que talvez voltasse ali denovo, 
numa hora mais apropriada 
para uma conversa qualquer
com uma estranha qualquer 
e falar de alguma coisa que fica sem sal, aquele gosto de comida sem sal, que a gente nunca sente, mas, quando sente acha que falta algo e acaba colocando sal, talvez, nem seja sal o que falta e a gente nem saiba o nome.
...mas, não voltou, por que a casa pegou fogo!

quarta-feira, novembro 09, 2011

Deveria interpretar essas frases ou apenas entendê-las simples.
Na vaga interpretação, achou significados muito convidativos, mas, se for simplesmente pra acreditar no que é, provavelmente não quereria. Essa coisa de saber o que sentem ou deixam de sentir vinha um tanto complicada, mas, assumiu que procuraria saber o quanto fosse possível, mesmo que atribuisse um ar 
de perda 
de tempo 
a quase tudo
que existiu. 
Será que pensam antes? 
Será que treinam nos espelhos para saber?
Será que pensam em como pode ser interpretado? 
Será que vão acreditar piamente em cada palavra e todos os dentros vão sair pra fora de desgosto... a palavra é essa... e então achou, desgosto....não sabia se tendia a perder o gosto fisicamente ou psicologicamente, mas, com certeza tinha um bocado dos dois 
aí dentro da mistura. 
Hah! 


domingo, outubro 30, 2011

Se isso está mesmo certo, por que sinto como se estivesse cometendo o maior erro da minha vida?

quarta-feira, outubro 26, 2011

Confissão

Desculpe-me a confusão, 
(e esse desculpe é realmente desses de tirar a culpa), 
sei que isso não se pede, 
mas, 
de repente, toda a vida que conhecia evaporou, 
minto, minto, 
não foi de repente, foi gradualmente, 
evaporando lento e triste, mas, 
uma vez vapor, as coisas foram rapidamente indo, 
uma seguindo a outra, 
sei que é assim mesmo, 
tudo se atropelando
e ... que seja, 
mas, na falta que sinto, 
nesse vazio árido, 
não sei encontrar,
nada,
o sol é muito forte, o chão é muito seco, 
tudo é quente e cheio de miragens,
e eu secando ali,
então, preciso de uma mão,
preciso,
uma mão que me guie para lá, 
pro lugar aonde vida exista, 
onde tenha água,
preciso de umidade,
de reflexo,
e essencialmente,
preciso que essa vida toda,
seja minha.
Segura aí, meu bem, por que acho que agora vai, e me segura forte aí, que na ilusão de ir já comecei a andar e fui, daqui a pouco já estou lá e nem saberei onde estava antes, por que, pro antes prefiro esquecer o caminho, não vou, não entro e não gosto, então, me segura mesmo, antes que você também comece a ir.

terça-feira, outubro 25, 2011


O que você quer
que eu fale,
se tenho nada
pra falar?

Talvez.

Não que não tenha,
mas, sim, que
não queira mais 
ter nada pra falar.

Simples assim,
é fato e sabe-se lá,
esse é o problema:
saber-se lá.

É exato.

Falar das coisas
sem citá-las,
não quer dizer que
não se fale delas.


Apenas, 
cabe a mim 
saber não falar,
e boa sorte.

Sempre.

Você, com certeza,
está pensando
bem diferente
de mim.

são dessas coisas sem pé nem cabeça, que ficam perdidas por aí, pedindo ajuda pra saber onde chegar, e, quando recebem, ouvem completamente errado e fogem pro outro lado rolando... já que não tem pé... nem cabeça... então, paro e me pergunto o por que, realmente, dessa coisa estranha passar aqui e pedir ajuda, quando percebo já tô rolando pra algum outro lugar.

terça-feira, outubro 11, 2011

O que realmente incomoda, nessa falsa solidão, é essa sensação que passo, que eles tem esse poder de confiar plenamente em mim. Isso resguardo, assumo a responsabilidade de que serei deles um eterno confidente e finalizo com um muito obrigada. Por que, realmente me lisonjeio com a sinceridade sórdida, coragem alheia, cumplicidade secreta, ou, qualquer que seja o subjetivo adjetivado. Acolho com entusiasmo e guardo tudo como se fosse meu maior crime, as mentiras reveladas em lágrimas com risos. Mas, a recíproca não é (realmente) algo que seja dito e possa ser feito, pois, a cada vez que tento confidenciar fantasmas guardados eles saem voando depressa pelas janelas, portas e tudo mais em que se for possível passar. O melhor é, estou aprendendo a reconhecer, no brilho trêmulo dos olhos assim que as revelações vão vir à tona, quando falaram demais. Por isso guardo aqui dentro, todas essas estórias que não posso contar somadas à todas as histórias que não devo contar.

segunda-feira, outubro 10, 2011

4

agora que percebi
escrevo,

como se continuasse
um assunto inacabado
que ninguém sabe,

por que
não comecei
do começo,
comecei
do meio,

pra não falar demais
sobre todas as coisas
latentes e ....

agora que percebi
sinto.

Então na dúvida me corroí levemente, mas, sei muito bem que, se realmente aguardasse por algo e isso acontecesse, não saberia o que fazer, como não soube até agora, é muito estranho a reciprocidade me assustar um tanto assim, como se na fuga desesperada do consentimento eu o espera-se mais do que nunca, isso que não chamo pelo nome de Meu por que é Seu.

quinta-feira, outubro 06, 2011

sentir me basta...
o foda é ter essa puta necessidade de falar.

quarta-feira, outubro 05, 2011

acaba nessa falta de cor,
com uma cumplicidade,
incomum e subentendida,
não preciso perguntar,
nem responder nada,
fico parada vagando,
na sua inocência obscura,
sinceramente sorrindo,
aqui dentro de mim,
ai dentro de você.

segunda-feira, outubro 03, 2011

simples assim, deixo-me assustar na simplicidade de parecer com muitos que já pareceram se encaixar na hora e lugar, perfeitamente...mas, dessa vez, tem essa sutil imperfeição somada aos poros, algo que me parece uma simples mentira, que, sem expectativas, sigo fácil. São alguns tons acima ou abaixo, tudo uma questão de ângulo. A verdade é sua, a vontade é minha, assim, simplesmente fazemos uma faísca qualquer, e, por não ter no que devêssemos acreditar, escrevo sobre você quase todos os dias e é simples.

sexta-feira, setembro 30, 2011

seguindo com os olhos

gosto do cinza,
do ar de melancolia,
da falta de coragem,
do guardado por imperfeição,
ou puro perfeccionismo,

me parece tão bonito,
tão real e palpável,
suspirável e engolível,
esse cinza que me preenche,
me esvazia logo em seguida,

e eu duvido...

respiro e reparo,
suspiro e amparo,
retiro e faro,
não é uma porta
em que se entra ou sai,

é apenas estar,
e eu estou
na delícia de doer,
quando olho você indo,
e você não me vê.

segunda-feira, setembro 26, 2011

dor nas costas

quebrei a janela
rearranjando os móveis
de um jeito que nunca esteve,
pra ver se paro de lembrar
de como eram antes,
mas agora, infelizmente,
não paro de pensar
na janela quebrada.

sexta-feira, setembro 23, 2011


é aí que deparo com,
a tentativa histérica,
de preencher algo
que não está vazio.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Fico rolando na cama 
durante horas antes de dormir 
e horas antes de acordar

terça-feira, setembro 20, 2011

tento fugir de mim para reviver o que nunca esteve na memória,
me transporto para um passado dissolvido no inventado,
reconstruo o que quero de volta ao pé do ouvido,
o tempo está parado no momento há anos,
você sai de novo pela minha porta,
e eu tenho tanto medo de você.

PASMO

Não digamos nada,
por que o som da voz
quero de olhos fechados,

nos olhares, me estranho, mas,
se devem constrangedores, pra notar
que o impreciso é prazer do riso guardado,

no impulso calo, aguardo, parece vago, mas,
é de certo um carregado que não deixa claro,
o anseio da aflição incerta é evidente,

não existe e mesmo assim me basta,
em suspiros, palavras sinceras,
e gargalhadas famintas,

de desconcerto.

segunda-feira, setembro 19, 2011

Repito em voz alta que não é real, que não é nada para se preocupar e que será como sempre, com horas a mais na cama, com refeições e quilos perdidos, com alguma olheira visível de longe.

domingo, setembro 18, 2011

extended version

Com uma falta absurda de ar,
não sorriram em retorno hoje,
nenhum reflexo que possa,
ser digno de ser entitulado como,
continuei andando pelo menos,
minuciosamente calculando passos,
a rouquidão da voz...
a pressão no peito...
o tintilar leve entre os suspiros,
traguei um choro forçado,
como uma nevoa densa,
na cor dos teus olhos,
a música ininterrupta ao infinito,
até a exaustão revelar,
indiscretamente,
uma encruzilhada deixada para trás,
onde perdi de vista,
o zelo e brio.
Eu aumento o volume e meus pés começam a seguir o ritmo, fecho meus olhos e prendo a respiração, então consigo ver você me vendo.

ombros

é simples assim, você vai faz de novo e pronto, então resta aquela poeira no ar, cheia de dúvidas e promiscuidade.
Assim se afastava e olhava bem de longe,
percebendo as marcas de expressão se esvaindo,
deixando sombras, as sobras relutantes,
a saudade de um lugar que não existe mais,
ou apenas muita química no sangue,
o que lhe pareceu convidativo, com certeza,
eu convidaria, risadas compradas, por que não,
então voltou a si com a dor presa no peito,
incapacidade ou excesso de iniciativa,
estava ao lado, como antes, como depois,
e mesmo que pareça certo, talvez não esteja,
mas, tem que doer muito até passar de vez.

sinto, sim.

quinta-feira, setembro 08, 2011

1999

Engraçado esse meu jeito falso-super-verdadeiro de tratar as conversas. Parece que sempre quero algo a mais ... ou a menos. Dá pra perceber quando acham que falaram demais, e, pode ser prepotência da minha parte mais uma vez, mas, depois eles vão embora por achar que é muito real pra engolir, tipo uma ostra semi-viva ainda se mexendo no limão...enfim, o negócio é que as coisas sempre se vão. Talvez, e se talvez....Oh, o que será de mim apenas comigo mesmo?!

quarta-feira, agosto 24, 2011

Ela não deveria revelar suas orações escondidas e percebia a cada palavra, soando pesadamente, mesmo assim não conseguia controlar o fluxo que dava voltas em assuntos inexistentes.

Para oferecer algum tipo de esconderijo, ou algo que se transformasse em uma suavidade a mais, se projetava numa repulsa aparente, mais por não querer ser um ponto de fuga do que a existência de um asco qualquer.

Então as palavras se desconectaram e nada mais sobrou para falar, na tentativa de parecer coerente percebeu pela primeira vez que nada ali a completaria por mais que ousasse.

A atenção se perdeu e ela se prendeu em alguns Us das frases, sem perceber deixou ir o enquanto sem nenhuma reação momentânea, e, descobriria depois, que não haveria nenhuma reação nunca mais.

segunda-feira, junho 13, 2011

southern sky


Era uma manhã fria com um céu azul limpo e esbranquiçado, daqueles que você sabe que na sombra fará frio. Todas as pessoas na rua carregavam os seu casacos e usavam óculos escuros, não tinha sol propriamente dito, mas, a claridade realmente incomodava e a essa altura já me arrependia de ter deixado os óculos no criado mudo ao lado da cama.

Lembro-me perfeitamente das lentes viradas para baixo com desleixo, no meio de algumas folhas amareladas e secas do lírio morrendo no vaso. A vontade de fazer algo era tão pouca que até a planta me esquecera de molhar e das 14 flores apenas 3 brotaram e as folhas já caídas combinavam com botões agora murchos e escurecidos.

De qualquer jeito ainda tinha muito para andar e não deveria agora pensar sobre as pendências cada vez maiores na minha rotina forçada. Conseguia resolver tudo ao mesmo tempo pela manhã, mas eu só queria ficar estática na minha cama, abrindo os olhos de tantos em tanto minutos apenas para perceber que a cor do dia já mudará para um azulado quente indicando que eu já deveria ter me levantado há horas e era isso que eu fazia há algum tempo, o que obviamente fazia meu dia ser absurdamente corrido, com algumas pausa para engolir qualquer coisa que me fizesse não ter uma imensa dor de cabeça no fim da tarde.

Por mais descansada que estivesse parecia que minhas pernas tinham um peso gigante, como se eu não as utiliza-se a dias, semanas quem sabe e meus passos eram penosos, a ponto de meu poder de distração com a paisagem ser impossibilitado pelo imenso cansaço de repetidamente ter que me distrair. Poucos pensamentos passavam pela minha cabeça na hora e uns dos únicos que permaneceram após a caminhada árdua era se a minha capacidade de me distrair com coisas simples ainda existia.

Me deu uma saudade intensa dos meus passeios descompromissados em bosques vizinhos, espaços pequenos embaixo de árvores, cafés, museus, cinemas de arte isolados, lugares que eu sabia que nunca encontraria ninguém conhecido e que provavelmente ninguém gostaria de me conhecer, e nisso eu passava horas sozinha conversando com meu cachorro e obtendo respostas consideráveis sobre como as coisas podem ser bem mais calmas e passíveis.

Durante todo o caminho a sensação de uma falsa melancolia me dominava quase por completo, falsa, por que eu tinha a certeza quase palpável de que não existia motivo nenhum para ela acontecer ou se manifestar por razões externas.

Não sei se dias de outono me deixam assim mesmo, enfim, o fato é que meus vinte cigarros diários acabam lá pelo fim do dia me forçando a comprar mais vinte ao voltar parar a casa pelo mesmo caminho que conheço perfeitamente, mas que cada dia mais tem se mostrado invisível, como se eu pegasse um túnel de volta pra casa e não me importasse mais com quase nada externo a mim. Tanto em minha parte racional quanto emocional o classificam como ruim, mas eu não ligo mais ... nem pra isso.