terça-feira, janeiro 20, 2015

E, ao dirigir muitas horas noturnas na estrada vazia, me veio uma visão. Entre as nuvens pesadas e escuras no horizonte, apareciam mais de perto os avisos de uma tempestade por vir, os trovões silenciosos brilhavam o céu entre um azul ofuscante e um rosa escuro avermelhado, era preciso cerrar de leve os olhos para ver a mudança entre as duas cores. Sem que fosse notado, um sol pálido surgiu entre o canto da janela esquerda e o retrovisor, estranhamente não tinha raio nenhum, era simples um circulo, com o perfeito contorno visível, de luz difusa entre as neblina rala pré tormenta que cobria o amanhecer do dia. Aquilo me tirou todo o foco da chuva que começava a cair ao longe na estrada, chegando rapido a meu encontro, quando menos vi chovia pavorosamente uma leva de granizo, o calor abafado do verão entrava pelas frestas abertas da janela do carro com o início da chuva, o sol se escondeu de novo entre os barulhos que agora atordoavam dentro do carro. O amanhecer escureceu, e dirigi pela noite por mais duas horas.
E te veio a certeza de que eu era só pra olhar, só olhar de longe, enquanto eu me remexia em caras e bocas para você, que sentado no pequeno sofá da sala só olhava.  Simplesmente eu podia fazer o que quisesse, mas, preferia ficar ali, também olhando entre os cabelos que me cobriam o rosto de permeio à uma pose ou outra, os cabelos pretos e compridos emaranhando a vontade de esperar fazer o que fosse comigo. Você só olhava e eu fingia que não sabia fazer nada, eu fingia muito bem e você realmente não sabia o que fazer, afinal, duas pessoas submissas não formam nada mais que uma vitrine.

sexta-feira, dezembro 05, 2014

Ciclicamente a confirmação da minha solidão me alcança, e ingenuamente, pensava eu que cada vez que isso acontecesse seria mais fácil, por já ter acontecido num ciclo anterior, mas, parece que cada vez fica pior, cada vez a dor é mais aguda e mais profunda, percebo na superfície dos outros que não importa o que você é e sim o que você faz pra eles, com eles, tudo por eles, a mesma situação se repetindo no lidar com o mundo de humanos egocêntricos, no qual eu me encaixo com certeza, e com certeza vou me fechando no meu mundo secreto, em que conviver com animais me parece muito mais real e sincero, hoje me parece absurdamente a única coisa real e sincera que vivo.

quinta-feira, novembro 20, 2014

Fiquei olhando para frente ouvindo a mesma música por horas, não sabia mais como me mexer, era como se meus braços e pernas não obedecessem mais nada, minha mente parou de responder aos estímulos externos, não chorei nem mudei o foco do olhar, simplesmente, fiquei ali, então escureceu o dia e eu continuei parada.
Está há uma semanas sujo, o apartamento inteiro, depois que ele se mudou perdi minha vontade de mudar as coisas de lugar, parece que se continuar como está a presença permanece, mas... está sujo.

Não consigo visualizar os móveis em posições diferentes. Preciso me mexer, estar, pensar sobre, mudar os móveis de lugar ... me atraso.



quarta-feira, novembro 19, 2014

Debaixo da luz à pino via que os pêlos eram claros, cabelos, barba, cílios, tudo num tom dourado postos perfeitamente em um rosto liso, sem marcas.

Com aquela luz vindo de cima, seus olhos brilharam de excitação, olhava pra ele como se fosse a primeira vez estranhando perceber suas feições e cores como se as nunca tivesse notado antes, principalmente por ser tão familiar.

Gostaria de passar o tempo todo junto dele, mas, o motivo não era pela presença constante, e sim o fato do encontro ser depois de alguns bons momentos separados.

A estranheza cobria seus sentimentos como se tivesse que conhecê-lo de novo, mesmo sabendo como ele agiria aos mais variados estímulos, mesmo sabendo que poderia agir normalmente em sua presença.

Então se fez presente, o máximo que pôde. Não foi muito.

sexta-feira, outubro 31, 2014

eu sabia

Ah, aquelas promessas que só existem quando não se tem mais nada pra fazer além de ver alguém suspirando por você, é tipo uma mentira pronta pra viagem (e me vê duas, por favor), bonito por fora e mais barato por ter o prazo de validade vencendo, a vida simplesmente vai e os fungos vão tomando conta, se estiver fechado não dá pra sentir a podridão aumentando, aumentando, assim vai ficando no fundo da geladeira, enquanto coisas novas entram e saem rapidamente, só esperando pra ser jogado fora.

terça-feira, outubro 07, 2014

sinto o descolar lentamente,
e pela lentidão não se sente doer,
só decepcionar, mas, isso não dói,
por que é algo esperado e só,
a confirmação de algo que já se sabe,
dessas coisas de ser mais fácil tirar devagar,
por que tira a cola junto e não sobra nada,
ao contrario de um curativo,
que é melhor arrancar de vez,
no olhar a carne exposta que assusta mais,
do que a dor sentida instantes antes.

sexta-feira, agosto 22, 2014

Afinal, os dentes rangendo não pareciam mais tão ameaçadores e qualquer quebra não estava em vista depois de todo o calcio que conseguiu acumular dentro dos seu corpo.

quinta-feira, julho 17, 2014

Enfim, a sós, re-decorando poses e plantas entre azulejos da cozinha fria que tenho no meio do inverno, me perdi na possibilidade de todos os ângulos que o ambiente me dá, e vi, lentamente o sol passando pela parede, marcando os 15 em 15 minutos de espera, respirei fundo umas quatro vezes, fundo, e se voltar pra lá, agora, antes de sair pra um horário mais quente do dia, vou acabar esquecendo de novo que, de noite, vai acontecer a mesma coisa.

terça-feira, junho 24, 2014

Vou sentido nos dedos 
por dentro e mais me parece 
o que o frio dá no osso,
mas, acho que é só a falta, 
ou lembrança, 
do peso/apoio,
da janela abrindo,
do teso do olho,
do não querendo,
proporcionalmente
encaixando, nuns dois 
números menor que você,
perfeitamente e comprovado
em comparação no rapido
reflexo do vidro da janela,
pisco que me deu,
no suspiro e semi cerrar
dos olhos, repara só,
a luz que refletia o que
de antes e longe se via,
a esperança que dava,
algum lugar pra segurar,
quando todo resto
não se sentia muito, mais. 



segunda-feira, junho 16, 2014

E sentindo de novo que a preocupação é mínima diante dos atos necessários, finjo que esperança ainda existe, passeio despreocupada e atenta pelos lugares que nunca estive e que deveria ter passado antes. Penso que tenho muito o que fazer e os dias passam como os anos que se passaram até agora, com aquela sensação que só se sente a dor depois que o corte começa a sangrar, mas, o corpo está tão quente que só é uma leve ardida no braço que foi arrancado sem perceber. E se para pra pensar muito esses tais de distúrbios mentais, muito comuns nessa nova época da vida do mundo,  afloram, e meus pés não descolam do chão. Meus desenhos foram virando rabiscos empilhados no canto de uma cômoda qualquer, meus fios de cabelos brancos lutando, contra minha ainda juventude, pra sair depressa, minhas memórias ficando longe, longe.

quarta-feira, maio 07, 2014

Tenho sonhado ultimamente,
desses sonhos agitados que me fazem girar na cama,
quando acordo todos os travesseiros estão jogados por ai,
e paira aquela sensação de que tudo foi verdade,
me vem a vontade de voltar pra casa,
vem a certeza que esta não é a minha casa,
um medo me toma conta e tudo ganha chão.

terça-feira, abril 22, 2014

Não mais que de repente,
me vi metade de algo,
que, há anos, é
algo que nunca foi,
nunca foi e ainda assim é,
por que o não ser, é sim,
um estado do ser,
principalmente,
quando tanto não,
é tanto quanto o ser,
e por isso, sei que é,
daí que esse não,
se condicional ou
se ao caso um chão,
se sinto por acaso
ou se pelo o incerto,
que seja, o que for,
sinto de qualquer jeito,
e sempre é um sim.




quarta-feira, abril 16, 2014

Medo

tenho chorado por dentro
nas horas que levo
com os olhos abertos
analisando cada fresta iluminada
da cortina sem conseguir movimentar,
penso rapidamente em tudo
que me dá vontade de fugir daqui
e os mesmos motivos me dão
uma paralisia momentânea
e me fazem ficar
...

quarta-feira, março 19, 2014

e ponto final ...

foi o que o coração disse recentemente, pra meu assombro,
usando a fala dele mesmo, em batidas ritmadas,
bem rápidas, ecoando em todas as veias,
fazendo pulsar a têmpora esquerda,
dando pulinhos de estranheza,
bem diferente de amor,
e ponto final
.

terça-feira, março 11, 2014

...adultos que, debaixo de um verniz de doçura, ruminam intenções vingativas...
Levo o fardo de sentir uma alma romântica,

e não estou falando aqui em romance,
como histórias contadas e relatos baseados
em qualquer coisa real ou inventada, não,

estou falando em ter um quê de piegas
pairando o tempo todo à realidade,
transformando tudo em ridículo,

o volume todo pesando sobre
todos os amores que já tive,
sobrepondo e acumulando,

sim, mais de um, sempre foi,

ainda é e sempre será ao mesmo tempo,
por que passa da ideia definida de
que só amamos uma vez na vida,

amo o tempo todo, todo,
cada brilho formando no olho,
cada detalhe emociona forte,

e assim amo de novo e de novo,
por não saber controlar, talvez,
por não saber a hora de parar, também,

mas, não sinto vergonha por sentir vergonha,

me abalo em tratar tudo como se fosse
a última vez, e o nó na garganta vem,
quase diariamente se parar pra pensar

direito no que sou capaz de sentir,
não que o resto do mundo não seja,
sabe, não é prepotência, é amor,

sinto a reação física disso à exaustão,
um pouco diferente das pessoas a quem pergunto,
amo sem a menor dúvida, sempre,

cada momento que transformo em mágico,

e amo como amo a magia,
o fantástico sem leis naturais,
tiro da vida qualquer lei

que não seja o amor, é triste,
com o passar dos anos,
nessa virada dos quase trinta,

percebendo seres humanos
como indivíduos distintos de grupos,
não preciso mais que você saiba,

que levo isso pra sempre, desde sempre.

segunda-feira, março 10, 2014

E se eu me declarar num perdido amor, você vai acreditar ou vai embora?

terça-feira, março 04, 2014

A timidez evita muitas coisas na minha vida, trava alguns músculos bem na hora da incerteza,
faz balbuciar, com pausas dramáticas demais, palavras de aceitação e falso desdém pelos acontecimentos
momentâneos, coloca no lugar a tal cordialidade irreal e cheia de piadas sem graças, tropeços no ar,
risadinhas de desespero, uma lista ou outra de afazeres diários e planejamento de férias, enquanto o terror noturno aleatório aumenta conforme a passagem do tempo, mas, uma coisa eu aprendi com tudo isso, se a gente não ligar, provavelmente ninguém ligará também, e isso, hah, isso é uma coisa impagável, conseguir perceber, na omissão que essa timidez me causa, que o afeto era unilateral, não precisamos falar mais nada, dai é só ir embora em silencio.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

E o bater de portas me fez ouvir mais alto por alguns instantes,
deve ser adrenalina que ajuda o prestar atenção no som ambiente,
e com essa super audição o ouvi respirando alto, com seus chiados,
gatinhos dentro do peito carregado, anos de fumaça morna, espessa.
Inspirou calmamente como se aqueles ruídos nem existissem, e de fato,
não existiam fora a clareza que um medo causa, clareando os cantos,
o som que ecoa com mais força pela luz rebatendo na parede branca.
O medo me é claro, um clarão para dizer bem dito, quase explosão de luz,
que cegando por instantes me faz ouvir mais claro, mais ao fundo,
mais tato, com menos sangue nas extremidades que vão ficando frias,
mais rugosidade no toque dos dedos dos pés que normalmente nada sentem,
a não ser seus macios sapatos e meias do dia a dia, a rotina que não tem medo.
Mas, no momento mesmo, da brancura ressonante cheia de calafrios,
ouço tudo aquilo que não se quis dizer e descansa com os gatinhos,
dormindo calmamente dentro do peito enlacrado e escuro.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Ah,
na imensa capacidade
da auto-ilusão,
acabo me confundindo,
de qual parte era real,
e qual era você.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

conversa canina

Hoje fiquei por cinco horas olhando pra você, que silenciosamente gritava por ajuda enquanto tentava sem sucesso falar alguma palavra que fosse. Eu gritava alto do lado de fora da sua cabeça, te chamando pra sair dela e viver aqui fora comigo ... não deu certo.

sexta-feira, janeiro 31, 2014

Medo

Com corpo ainda quente, saiu na ponta dos pés, abriu a porta com cuidado e a fechou rapidamente atrás de si tentando não fazer nenhum som que a revelasse. Ao invés de lutar como de costume, fugiu olhando pra trás de vez em quando, correu pra longe e não, não contou pra ninguém. Durante dez dias as dores invisíveis foram sentidas em pequenas marcas pontuais, palavras foram decoradas no espelho e o escuro foi interligando os fatos nas noites que ficavam cada vez mais curtas. Por fim estava lá, como o combinado, esperando nos intermináveis minutos de coração disparado. Mas, quando chegou mesmo a hora os olhinhos foram enchendo, se desculpou por ter agora um monte de medo preso no peito, engoliu o choro e escondeu metade do rosto molhado no monte de travesseiros amassados num canto da cama recém arrumada.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Oh

Nada é muito risada,
é mais o nervoso.
No seu esplendor
vira um altar.
Suntuoso como não
deveria ser e jamais foi.
Fico imaginando
que acreditei.
As historias alheias
que apenas bajulam.
Que bobeira
de adulto que virei.

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Então,
ouviu-se
meu
coração
pulando
uma
batida,
por
você.
O ócio que permeia decisões prorrogadas,
a maldita mania de bater os pés no chão
esperneando pra você mesmo
que o mundo conspira e essa baboseira,
por mais que não seja, parece que é,
então de novo e de novo,
tenho preguiça e prefiro dormir
com nosso ar de auto-piedade pairando,
entre nós dois, preenchendo o que falta,
a primeira vista um sonho a parte,
a segunda, a necessidade por inteiro
da decisão certeira e agora,
ou tudo,
ou fora.

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Sobe um ar 
gelado na espinha,
a nuca força o olhar pro chão,
parece até 
de propósito,
mas, juro, 
juro mesmo,
que é incontrolável,
e olha que não sou
de jurar e prometer,
mas, o coração bate 
que quase não aguenta,
e...
presunção da minha parte,
me parece que 
sempre 
sempre esteve assim,
esperando,
sem luz.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

São apenas coisas
pra se esperar,
e eu espero
muito bem, obrigada,
consigo não me mexer
no enquanto.
Fico apenas ouvindo o leve
virar de pagina,
bater de xicaras na mesa,
voar do lado de dentro
preso no canto esquerdo,
batento violentamente contra o virdo,
veja bem, me sôa violento apenas
por que estou parada olhando.
Eu mesmo não faço barulho,
talvez de coração e
cigarro demais fazendo efeito
na traqueia cheia do ar pesado,
mas, nada que abafe
a mosca violenta, tentando
fugir de um torrão de açucar.
Ela grita de pavor e ninguem
ninguem ouve, o dia de vida
único prestes a acabar,
pro dia seguinte virar,
junto com pó da tarde, lixo.

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Do you mind?

A pesquisa foi em vão,
de certo que sem afinco,
mas, a idéia continuou,
...
então
...
um dia alguem disse
que quando se apaixonasse
não conseguiria mais fazer arte
...
e não é!?

quarta-feira, novembro 20, 2013

o céu se transformou em um teto almofadado de umidade densa,
com botõezinhos de luz logo acima da minha cabeça,
amarelo, azul, rosa, laranja, verde, tudo em tons pasteis,
como se um gigante de luz usasse uma roupa muito fofa,
e estivesse deitado em cima da gente com o seu casaco úmido,
tentando desesperadamente sair dele e iluminar tudo,
nisso ele umedecia em volta e a cidade perdeu suas luzes pontuais,
tudo ficou difuso e lindo, nossa, ficou lindo mesmo.

segunda-feira, novembro 11, 2013

Então achou que mudaria alguma coisa testada,
aquela que se preparou por anos até que tivesse coragem,
decidiu e ponto, soou como uma coisa bem mais definida,
diferente aos olhos, menos carnal talvez,
mas, percebeu que o escrito estava errado,
que a interpretação dos fatos valeu mais do que
o que, poderia ser chamado de feitos, o que
uma simples receita para deixar seu estomago
mais confortavel a todas as coisas que entram borbulhando,
gases acidos subindo dentro do pescoço,
os ossos esmigalhando de trás do rosto vermelho esquentando,
incontrolável e já se passaram das duas,
todas as coisas que achou que falaria e não.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Entre esses pequenos lapsos de uma memória roubada dos conhecidos,
atenuo meu lado sadico, olhando enquanto acha que sabe do que tá falando,
por que é ingenuo o outro achar que não olham enquanto olham pra baixo,
disfarçando o desespero de cada palavra jogada, transpirando,
sim, o suor escorre pelos lados do seu rostinho bonito, feito em casa,
na tentativa desesperada de parecer demais dentro dos seus jeans, normal,
traduz traços rudes de quem não sabe o que faz, de quem não sabe o que precisa fazer,
assim vai fazendo qualquer coisa-copia dos sordidos movimentos da tevê,
e a risada me ecoa por dentro que quase vaza, reparei pelas frestinhas dos olhos,
quando achou que eles estavam fechados, que quase me viu rir,
você me perguntou o por que do quase-riso, respondi entredentes,
segurando mais forte, que era nada, nada não.

domingo, outubro 13, 2013

Foi tocando os mesmos sons.

O barulho do ventilador oscilando de leve,
quando entra algum plastico de cigarro,
aquele que sempre acaba voando 
pra algum lugar que a gente nunca acha.

Um suspiro ou outro entre os intervalos
de algum filme plano de fundo qualquer na televisão.

O latidinho do cachorro sonhando a tarde ensolarada,
do domingo cheio de gente, com mesa farta, 
olhinhos fechando cansados, 
de amor e a quase satisfação. 

A luz mudando aos poucos de uma ventania clara
praquelas lampadas de luz amarela,
refletindo na parede branca,
entardecendo a sala junto.

Mais convidativo pra ficar mais,
uma horinha quem sabe...
Até ficar de noite e as luzes parecerem apenas abajures 
de um lugar que deveria ser mais claro. 

A fumaça foi com a exaustão do ar,
passando direto por mim, cheia de sustos com pulos,
fechando um dos olhos de vez em quando,
a visão escurecendo nas bordas,

e esse medo de não ver mais.

terça-feira, abril 30, 2013

Sono

No fim é apenas a sensação de perda de algo que nem se quer... o choro sem emoção apenas pela coisa em si ter um ar de acabado... o falso desespero pra sentir algo a mais... evito, desconsidero, sigo escondida fingindo que me veem. .. me vem a cabeça um leve ar resoluto e pronto...durmo

segunda-feira, abril 29, 2013

Desculpe a má educação, mas...cê tem que ver que foda-se.

quinta-feira, abril 18, 2013

Descobri que meu limite são três drinks, mas, tem que ser aqueles na taça, pra fingir o glamour da minha própria depressão, convenhamos, fica muito pior tomar drinks em canecas em baixo de um cobertor, mesmo por que, nessa situação o limite teria que diminuir.

domingo, abril 14, 2013

outch

Não sei o que senti, talvez outros textos meus se comparem melhor ao que sinto toda vez que isso acontece, e isso sempre acontece, a minha vontade é contar como tudo isso me muda por dentro, toda a necessidade de ser alguma coisa a mais, sempre me fez sentir que preciso de algo a mais no quem eu sou, no quem pareço ser, e não preciso ouvir muito, por que os momentos de silencio dizem mais do que os momentos de constrangimento e palavras erradas, movimentos errados, olhares pro chão e chutes em pedrinhas imaginarias sem saber o que passa pela cabeça, sem saber o que falar, e nisso tudo, acabo por ser perfeitamente educada e lisonjeira, hah, e fico triste a noite inteira, pensando o que não foi suficiente, por que não é e por que eu quero que seja, agora, mas, como eu fico triste com frequencia e todos os minimos detalhes me importam mais do que o total, vou acabar deixando pra lá, como sempre, por você.

quarta-feira, abril 10, 2013

Sobre encontros inesperados.

O que dizer das horas em que não dá mais pra falar nada... Um monte de verdades jogadas na cara e alfinetes maldosos fincados nos espaços entre os dedos... traz sua pior personalidade à tona, não é mesmo queridinha?! É mesmo.

terça-feira, abril 09, 2013

O.O

Não sei,  não sei me diz você,
é que dormir virou mais um luxo
do que uma necessidade,
que acontece toda noite
só no clareando do dia,
as luzes entrando pelas frestas
das cortinas mal fechadas
por quem não sabe o que é
domir só no claro,
cinco, seis, sete da manhã,
e o despertador toca,
eu tampo os ouvidos
e continuo sonhando
que tá de noite.

domingo, março 03, 2013

Damn, girl!

Nada com unhas e dentes faz mais sentido.... meu unico, e solitario, amigo.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Tadá

Gosto de assistir trailers de filmes que nunca verei,
só pra imaginar como eu viveria a história, daí,
sempre se tornam um drama romântico de merda,
e no final todo mundo morre, fim.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Passou um bom tempo
As coisas continuam iguais
É só cutucar a ferida
Que tudo volta no lugar
Com o tempo..é  o que dizem
Por aí para o consolo alheio
Misto de compaixão com deixa disso
Bem misturado mesmo
Pra não dizer que um pouco de cada um não tem
É o que dizem

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Gastura

Tenho uma preguiça dessa cultura de ir pro bar e tomar cerveja (ofendam-se e não me chamem),
É só não ter esse combinado diário que as pessoas já começam a se coçar de nervoso, frescura.
Dessa necessidade de ingerir uma quantidade baixíssima de alcool num aguado ruim até não caber.
Dá até enjôo, e não é a ânsia do vômito, é o gosto no fundo da garganta, que dá depois, enjoando.
O abafado que é nesse país, a bexiga inchando rapidamente sem sentido, misturado me dá vertigem.
Pisco devagar, tenho sede, fome e desconforto, isso que me dá. Que preguiça...prefiro vagar pra casa.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

wearing old hoodies

Arde forte na barriga,
dá pra ouvir barulhos,
nervosismo, ansiedade,
tenho calor e frio invertidos,
de tanto, mas, tanto...
medo acho, achado,
não fecho mais os olhos,
no susto deixo-os abertos,
vejo cada detalhe,
por pior que seja, e é,
cada detalhe pior,
roubam coisas de casa,
mas, depois devolvem,
é tipo pegar emprestado,
só que não,
me força a decorar,
todos os objetos de valor,
sentimental barato,
todas as nuances e tons,
pra bater o olho e perceber,
alguma cor faltando,
nunca percebi nada,
nunca decorei nada,
na da verdade,
na da mentira,
decoro nada mesmo,
só acredito.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Porém...

Engraçado o meu contar de tempo nos textos,
pois se fazia comum no horário da publicação.
Em poucos dias, num filtro amadurecido,
(entenda-se também como loucura),
tirei de circulação os que incomodavam.
E as datas todas mudaram, e agora
só recordo dos mais importantes.
Perdi a referência do tempo e espaço
dos últimos 6 anos e todos se confundiram.
Depois de pensar em datas e horas,
lembrar vagamente dos meses,
percebi que nisso tudo,
tudo me parece igual.

quinta-feira, julho 26, 2012




Já é tarde demais e o tom amarelo do meio dia invadia minha sala, deixei todas as portas e cortinas abertas pra luz entrar, assim eu não precisava acender nenhuma lâmpada, do chuveiro não ouço quase nada no resto da pequena casa, mas, numa fração de segundo me transportei e quando percebi estava ouvindo a música que cantaram naquela manhã, e tive quase certeza que.... era verdade... mas, a brisa estava um pouco diferente, mais intensa talvez, e estava menos frio do que sempre esteve, e meu violão não era afinado a meses....enfim, estive com essa melodia o dia todo na cabeça, fiquei cantarolando pelos cantos, pareceu muito bonito pra quem ouviu... mas, é uma música muito, muito triste.

sexta-feira, julho 06, 2012

Muitas as noites que me revirei pensando na obrigação,

essa cobrança pra que eu fosse mais do que. 

Precisei jogar migalhas no chão, 

ensinar meu caminho aos poucos.

Por que foi a única coisa que conseguiram,

ver as migalhas que sobraram.

E a culpa aumentando,

por não trazer comigo.

... mas, sabe ...

Era eu quem estava seguindo,

deixando tudo de mim pelo caminho.

E essa minha presença incessante,

só perceberam quando se esvaiu.

A culpa continua sendo minha,

assim consigo ver a tal luz no fim do túnel

Pelo menos ... ou mais.

quinta-feira, julho 05, 2012

Finco as garras pra não deixar,
rasga a pele violentamente,
sangra a carne fresca,
sofrido não?

segunda-feira, julho 02, 2012

Tenho um problema grave de falta de pontuação na fala, provavelmente se estende para outros aspectos, que seja, acaba confundindo todos que ouvem enquanto faz os pontos finais soarem como reticências causando expressões de expectativa... sempre me obriga anunciar o fim da sentença ¬¬ 

terça-feira, junho 05, 2012

Ah, a semelhança,
me fez (e faz) gargalhar,
do formato do olho,
às poses pra gente,
quase ouço os suspiros,
vindo de mim e saindo dela,
nela, a trela daquelas,
que não é só pra olhar.

quinta-feira, maio 31, 2012

Estranho, certas coisas têm de acontecer,
mais ainda, o como é necessário lembrá-las.

De vez em quando, enquanto e quanto,
esmagando o ar que aquece meus pulmões.

Tudo vêm parecendo tão claro,
claro demais, embaçado nos cantos.

Vai arredondando, rolando fácilmente,
rapidamente dominando de novo.

Lembro-me das mãos tão bem, nunca achei 
que seria assim e assim ainda lembro.

Dessas coisas que nunca (ou sempre) 
vão se auto-sobrepor ... ah!

Se a necessidade da dor não fosse,
como eu queria que não fosse tanta.

quarta-feira, maio 02, 2012

Enquanto o frio dói no osso, continuo com os pés pra cima.
É realmente uma pose de descanso...mesmo com todas esses hematomas latejando.
Estranho só não conseguir dormir com tanto sono e cobertor.
Acho que é a falta do meu cachorro ao pé.

sexta-feira, abril 06, 2012

convenhamos

a música começou lenta,
veio um gosto doce
que adormeceu-me a boca,

agarrei cada frase assertiva,
e, duvidando da letra,
separei todas do contexto,

só percebi os cigarros
se acumulando no cinzeiro,
passaram quantas horas? três? cinco?

(...)
acho que se passaram mais,
bem mais.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

E quem diria, poderia ter sido eu mesmo.
Mas as lacunas que faltavam eu não fazia questão.
Viu?! Pode deixar aí ou embala pra mais tarde.
Dá muito frio isso, esse tal de ... Deus me livre,
vou te falar que consciente evito falar isso.
Invento um quem sabe pra sempre.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Meu coração tá pegando fogo .... alguem faz o favor de apagar pra mim?

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Sempre prestes a acabar

já é de manhã de novo

 o futuro ficando mais 

próximo de mim

do que o presente.

terça-feira, janeiro 24, 2012

Um pouco de açúcar,
as mãos começaram a pesar,
cresciam gigantes,
gordinhas e quentes,
os dedos não dobravam,
mover algum musculo,
parecia impossivel,
as palpebras forçaram dormir,
escurecia e embaçava,
1, 2 e 3 inchando sem parar,
turbulências subiam o estomago,
de subto despertava assustada
não conseguia dormir a noite
mas, pelomenos estava toda doce.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

8H

Reviramos em todos os dias, horário e lugar marcados. Precedemos aquelas poucas horas, arrumando por miúdo os detalhes. Bom que os gestos que apareciam, não pareceram assim tão planejados. Demos com presteza o olhar e despertamos antes do previsto. Diminuímos a dose homeopáticamente com amor. Foi simples pra parar de doer, agradecemos por faze-lo. Por que a dor passou, sim, do jeito mais bonito que já vi.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

há anos

Vem um nó tenso nos ombros
enquanto melodias novas ressoam
no nervosismo que faz bater
em quinas, paredes e portas.

Trombo com o fundo da garganta
respirando com dificuldade,
e cada palavra saindo mais rouca,
louca...pouco.

Volta ao lugar de onde se começa,
esquecendo horários marcados,
jurando tentar saber
por que o agora.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Foi em meados de setembro com a estação mudando,
as flores se abrindo, o verde se espalhando,
o dia esquentando, tudo bem nessa ordem,
com muito detalhe e pouca coisa,
nisso tudo a cor se perdeu com a luz do fim do dia, 
a noite esfriou cinza, pesada e choveu...bonito.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

ler muito me deixa assim

Dirigi como se fosse pra outro lugar,

tentamos umas duas vezes,
a escolhida foi a segunda alternativa,
(na verdade apenas por imprevisto que não foi a primeira)

enfim, chegamos em algum lugar bem agradável,
antes do algum outro lugar,
por que não parar?
andar alguns passos na terra
e sentar num muro de pedra qualquer,

rolha, cigarros e luz da lua,
que lua,
que aparecia de vez em quando
em nuvens cinzas e raios no céu,

só ao longe agora,
e nossos pés pendiam do muro alto
pra um pasto recem molhado,

o nublado deu a impressão que
você me dançava para o fim do amor,
indo ao longe em algum lugar escuro,
umido, cheio de sombras e branco difuso,

o fim do que é, simplemente,

e meu coração encheu de esperança
ao simplemente ver que existe o nada,

depois do fim,
o nada,

que simples deixa de ser algo
e passa a ser conjunto de uma coisa bem maior
perde a existencia pontual
fixa o próprio entendimento
em algo que não precisa se perder
ou entender e perceber alguma coisa que possa ser

e de branco sentava numa cadeira branca,
debaixo de um céu branco e uma tenda branca,
olhava de lá como um faraó olha de dentro
de suas vestes brancas pra um deserto seco,

sem perceber que o verde do ar a circulava inteira,
inteira pendendo levemente pro lado verde,
em todos os lados para qual olhava,

minto, minto,

atras de si estava azul,
como uma miragem bordeada de areia bege e marrom,
por que nas miragens, convenhamos,
tem que ter marrom,

(mesmo se for só aquelas fontes que jorram agua pela boca de um menino pequeno)

pelo menos tinha que ser marrom
parece mais molhado e dificil de atravessar.

quinta-feira, dezembro 15, 2011


uma pura transparência....um reflexo do meu próprio motivo para ser.
sem essa merda de bons costumes pra cima de mim.


...olha só que ridículo!

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Quando percebi a sala estava infestada de grilos,
pulando todos verdes pros tantos lados,
cima, baixo, lado, outro e outro e outro,
a gravidade deixou de existir,
senti meus pés desencostando do chão,
os grilos encostando em mim,
grudavam secos, mil patinhas secas,
me coçavam nas juntas e eu coçava,
até sangrar muito pros tantos lados,
e pulando os grilos ficavam todos vermelhos.

Paciência

-Virtude que faz suportar com resignação a maldade, as injúrias, as importunações etc.
-Perseverança, constância.
-Nome de certo jogo de cartas.

terça-feira, dezembro 13, 2011

fona

Estou na dúvida...
é tanta que fez mudar minha caligrafia.
Estranho ter esse tipo de consequência,
me preocupar em desenhar direito os "As",
escrever os pontos com pequenas bolinhas.
Ao final de cada frase afasto,
um pouco, do papel, o rosto
e vejo o desenho que surge
nas rebuscadas linhas que se entrelaçam
e formam laços com precisão.
Como se estivessem lá antes,
e o que se escreveu foi simplesmente
por ligar os pontos nas palavras
que não significam nada.
Na simplicidade de flutuarem,
e morrerem no ar.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Longo

Estava num apartamento vazio, e incrivelmente, mesmo paracendo o visitar pela primeira vez, sabia como era a vista daquele andar. Dali conseguia ver os trilhos do trem logo ao lado do prédio seguido de um terreno baldio descuidado.

A essa altura a chuva fina que atravessei para chegar tomara forma e formava enxurradas em qualquer sarjeta que encontrasse, os trilhos estavam já alagados e a água levou pouco tempo para arrastar qualquer tipo de coisa que pudesse atrapalhar a mobilidade do trem, e pelo que parecia, não funcionaria hoje de qualquer jeito.

A luz azul pálida que entrava pelas janelas revelava um ambiente vazio, seco e frio, causava um desconforto misturado com arrependimento que não se fazia entender facilmente. Logo abaixo da janela havia somente uma cama de solteiro sem lençol, as manchas secas no colchão mostravam um usual desleixo, como se aquilo estivesse ali para exatamente ser usado em emergências sórdidas.

Você saiu de um dos cômodos ao fundo da estreita sala principal me fazendo virar bruscamente e dar um mau jeito no pescoço, só consegui te ver de costas, você logo entrou na próxima porta, rápido, mas, o suficiente pra esclarecer o que estava acontecendo.

Fomos para nos encontrar, preparar o terreno para alguma coisa maior, seguiria o desfecho maldoso que inventamos. Não fora a primeira vez que estivemos ali, disso tinha certeza, mas qual fora a última vez que estávamos? Qualquer tentativa de lembrar parecia em vão, mas ficou claro que reconhecer aquela vista não era uma coincidência.

Olhei pela janela denovo e me espantei em como a chuva trouxera vários carros pra cima dos trilhos em tão pouco tempo, a quantidade de água era absurda. Pelo visto ficaríamos mais do que o previsto, se realmente tivesse alguma previsão. Mas, da onde vieram todos aqueles carros que eu não tinha notado antes?

Me destraí ao ouvir passos no corredor se aproximando rápido e certeiro da porta da frente, meus músculos se enrijeceram fazendo meu pescoço dar uma pontada, e então, duas batidas pesadas na porta. Hah, eu já suspeitava, mas não, não abri e você pelo visto também não se importou muito em ter qualquer tipo de reação que o revelasse.

Não sei quanto tempo se passou depois disso, pois, na minha paralisia momentânea me pareceu que o tempo nem tinha passado. Finalmente me mexi, o primeiro movimento foi passar a mão pelos cabelos, resolvi tomar um banho.

O banheiro estava bem limpo, água quente, sabonete, shampoo, toalha, tudo ali. E, sem nenhum sinal de vida em volta, simplesmente me deixei esquecer de tudo que nem sabia e fechei os olhos, deixando a quentura da água quase queimar a minha pele. Então engasguei. Me curvei forte pra frente, esquivando minha cabeça da parede por pouco.

Tinha alguma coisa na minha garganta, não me deixava respirar, estava se mexendo lá dentro, uma aflição misturada com ansia me fez abrir os olhos com força, como se isso fosse expulsar o mal dentro de mim.

Lacrimejando olhei em volta, não consegui levantar meu olhar pra mais do que o rodapé. Vi pequenos lagartos marrons no chão de azulejos azuis, mas, bem pequenos mesmo, pareciam brinquedos. Como foram parar ali não importava agora, se eu não fizese nada talvez sufocaria naquele banheiro limpo de um lugar que eu não sei o nome, mas, o que poderia ser feito?

Agarrando a toalha me escorei no chão e de joelhos ainda tentava por pra fora o ar que insistia em não sair, contrações me faziam curvar ainda mais, meus braços tremiam e eu não conseguiria me sustentar por mais tempo, as forças foram sumindo lentamente, cada piscada ficava mais longa.

Numa última tosse desesperada, saiu devagar, era um lagartinho igual aos outros, só que agora morto. Inspirei o mais fundo que consegui, e, atônita olhei, com a visão embaçada pelas lágrimas, o que tinha acabado de sair de mim ... um bicho morto. Todos os outros que estavam no banheiro ficaram me olhando culposamente e na língua dos mini-lagartos gritaram em coro algumas vezes: "assassina".

Onde você estava nessa hora?

segunda-feira, dezembro 05, 2011

autocondescendencia 

terça-feira, novembro 29, 2011

Oh dear!

Não que eu desenhe
corações com seu nome 
nos cantos das página.
Não.
Evito escrevê-lo
...o seu nome. 
Quase nunca te chamei
pelo nome, 
quem dirá denominar.
Chamei-o pelo olhar,
mas, se você não vê 
não tem como invocar
.... sabe? 
Aquilo de fazer presente, 
contar as horas pra chegar, 
e nas horas vagas
citar em seu favor
tudo que adoro falar,
por saber que é seu.
E assim,
suave e melancólico,
te evocar.

segunda-feira, novembro 28, 2011

PSFT

Lembra quando eu levava aquelas revistas de arte pra casa? Aquelas que vinham todas amassadas? Eu folheava no caminho de volta, marcava com uma dobra o canto de cada página que eu achava que você gostaria mais, e depois, mentia que já vieram assim....como se você não soubesse quando estou mentindo.

sexta-feira, novembro 25, 2011

tô num humor cheio de grude,
tudo me dá vontade de encostar.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Olhei,
diretamente
e me assombrei,
cruzei olhares por vezes,

continuava estático,
brilhando ao fundo,
bem ao fundo,
e na frente,

por que,
nisso se tinha
frente e verso
e fundo,

foi ai que me assombrei
e cruzei olhares
com o céu,
pra ter certeza,

refletia de um lugar?
tinha que ter
algum lugar,
mas, não, não tinha,

deixava a névoa,
simplesmente,
ir tomando conta,
transformando

tudo em ...

meu benzinho

São coisas à luz de velas,
daquelas bem clichês,
tipo melancolia de samba,
bom dia e boa tarde, boa noite, não,
por que, de noite já não é,
então, só dorme bem,
e deixa essa saudade que me dá,
pra longe de mim, deixa,
que eu desperto suspirando,
antes da música tocar.

quarta-feira, novembro 16, 2011

3

Eu te disse que essas coisas passam rápido. 
Fluem normalmente por aí sem nada de errado. 
Só parece mais uma página virada e quase nem percebo que virei umas dez. 
Depois que passa sempre dá a impressão que passou rápido demais. 
Bem no finzinho da pra ver aquele volume de folhas frente e verso, com a escrita arrastada, notas de canto de página e setas pra todos os lados. 
Complementando os espaços já preenchidos.
Aquela necessidade de virar um rascunho pra sentir que é mais real.
A esperança de ter uma arte final....até rima de mau gosto.
Claro que daí vem de novo a mesma ladainha.
Toda magia é muito convidativa, mas, sangrar sempre me atraiu mais. 
Saber que de dentro dessas criaturas mágicas verte quente, pulsando, em jatos que chegam longe
... 
não soa obsceno?!
Mas, é só sangue, tem dentro de você também.

segunda-feira, novembro 14, 2011

adoro essas coisas que a gente esconde

domingo, novembro 13, 2011

releitura

Então ela abriu devagar a porta e caminhou até o centro da ante-sala, quer dizer, o que parecia uma ante-sala. Com o ouvido atento a qualquer um daqueles seus suspiros mais altos, nem percebeu à direita uma porta entre aberta e à esquerda uma arandela baixa ao lado de um vaso de flores grande, 
sem flores por sinal, mas, 
com certeza, não era só um vaso decorativo, 
não poderia ser 
....bom, 
poderia. 
Enfim, 
caminhou por um curto corredor e entrou na sala seguinte. Dava pra ver toda a casa dali, quase nenhuma divisão de ambientes, um aquario enorme no meio com peixinhos brilhantes, um piano ao fundo esquerdo.... não é preciso dizer que todo os detalhes daquela sala imensa foram totalmente esquecidos 
na hora 
em que colocou 
os olhos 
naqueles...
Então começou, 
parecia que já tinha até estado naquele lugar antes, de tanta empolgação, 
andou certeira pra cada gaveta e porta que abria. Demorou um tempo pra escolher o que queria realmente usar. Então, com a redinha de peixes, pegou varios por vez e os despejou, ajudando com as mãos, na jarra do liquidificador que tinha separado junto com alguns outros apetrechos. Girou o botão para a opção pulsar por um tempo, só pra saber se teriam consistência a mais por serem vivos 
... e, não é que tinham mesmo?! 
(pausa para mágica)
Liiiin,
de súbito 
largou o botão, 
esfregou os olhos e 
finalmente olhou de longe pro que estava fazendo. 
Não conseguiu entender muito bem, só sabia 
que alguma coisa deveria ser feita. 
Agarrou o liquidificador e saiu correndo para a porta em que tinha entrado, mas, o fio que ainda estava ligado na tomada prendeu na tampa do aquario que tombou violentamente no chão explodindo água, peixe e faiscas azuis. Paralisada, percebeu mais a frente o vaso da ante-sala, nem pensou duas vezes, jogou o suco de peixinhos lá dentro, deixou o liquidificador no chão e saiu. 
Sabia que talvez voltasse ali denovo, 
numa hora mais apropriada 
para uma conversa qualquer
com uma estranha qualquer 
e falar de alguma coisa que fica sem sal, aquele gosto de comida sem sal, que a gente nunca sente, mas, quando sente acha que falta algo e acaba colocando sal, talvez, nem seja sal o que falta e a gente nem saiba o nome.
...mas, não voltou, por que a casa pegou fogo!

quarta-feira, novembro 09, 2011

Deveria interpretar essas frases ou apenas entendê-las simples.
Na vaga interpretação, achou significados muito convidativos, mas, se for simplesmente pra acreditar no que é, provavelmente não quereria. Essa coisa de saber o que sentem ou deixam de sentir vinha um tanto complicada, mas, assumiu que procuraria saber o quanto fosse possível, mesmo que atribuisse um ar 
de perda 
de tempo 
a quase tudo
que existiu. 
Será que pensam antes? 
Será que treinam nos espelhos para saber?
Será que pensam em como pode ser interpretado? 
Será que vão acreditar piamente em cada palavra e todos os dentros vão sair pra fora de desgosto... a palavra é essa... e então achou, desgosto....não sabia se tendia a perder o gosto fisicamente ou psicologicamente, mas, com certeza tinha um bocado dos dois 
aí dentro da mistura. 
Hah! 


domingo, outubro 30, 2011

Se isso está mesmo certo, por que sinto como se estivesse cometendo o maior erro da minha vida?

quarta-feira, outubro 26, 2011

Confissão

Desculpe-me a confusão, 
(e esse desculpe é realmente desses de tirar a culpa), 
sei que isso não se pede, 
mas, 
de repente, toda a vida que conhecia evaporou, 
minto, minto, 
não foi de repente, foi gradualmente, 
evaporando lento e triste, mas, 
uma vez vapor, as coisas foram rapidamente indo, 
uma seguindo a outra, 
sei que é assim mesmo, 
tudo se atropelando
e ... que seja, 
mas, na falta que sinto, 
nesse vazio árido, 
não sei encontrar,
nada,
o sol é muito forte, o chão é muito seco, 
tudo é quente e cheio de miragens,
e eu secando ali,
então, preciso de uma mão,
preciso,
uma mão que me guie para lá, 
pro lugar aonde vida exista, 
onde tenha água,
preciso de umidade,
de reflexo,
e essencialmente,
preciso que essa vida toda,
seja minha.
Segura aí, meu bem, por que acho que agora vai, e me segura forte aí, que na ilusão de ir já comecei a andar e fui, daqui a pouco já estou lá e nem saberei onde estava antes, por que, pro antes prefiro esquecer o caminho, não vou, não entro e não gosto, então, me segura mesmo, antes que você também comece a ir.

terça-feira, outubro 25, 2011


O que você quer
que eu fale,
se tenho nada
pra falar?

Talvez.

Não que não tenha,
mas, sim, que
não queira mais 
ter nada pra falar.

Simples assim,
é fato e sabe-se lá,
esse é o problema:
saber-se lá.

É exato.

Falar das coisas
sem citá-las,
não quer dizer que
não se fale delas.


Apenas, 
cabe a mim 
saber não falar,
e boa sorte.

Sempre.

Você, com certeza,
está pensando
bem diferente
de mim.

são dessas coisas sem pé nem cabeça, que ficam perdidas por aí, pedindo ajuda pra saber onde chegar, e, quando recebem, ouvem completamente errado e fogem pro outro lado rolando... já que não tem pé... nem cabeça... então, paro e me pergunto o por que, realmente, dessa coisa estranha passar aqui e pedir ajuda, quando percebo já tô rolando pra algum outro lugar.

terça-feira, outubro 11, 2011

O que realmente incomoda, nessa falsa solidão, é essa sensação que passo, que eles tem esse poder de confiar plenamente em mim. Isso resguardo, assumo a responsabilidade de que serei deles um eterno confidente e finalizo com um muito obrigada. Por que, realmente me lisonjeio com a sinceridade sórdida, coragem alheia, cumplicidade secreta, ou, qualquer que seja o subjetivo adjetivado. Acolho com entusiasmo e guardo tudo como se fosse meu maior crime, as mentiras reveladas em lágrimas com risos. Mas, a recíproca não é (realmente) algo que seja dito e possa ser feito, pois, a cada vez que tento confidenciar fantasmas guardados eles saem voando depressa pelas janelas, portas e tudo mais em que se for possível passar. O melhor é, estou aprendendo a reconhecer, no brilho trêmulo dos olhos assim que as revelações vão vir à tona, quando falaram demais. Por isso guardo aqui dentro, todas essas estórias que não posso contar somadas à todas as histórias que não devo contar.

segunda-feira, outubro 10, 2011

4

agora que percebi
escrevo,

como se continuasse
um assunto inacabado
que ninguém sabe,

por que
não comecei
do começo,
comecei
do meio,

pra não falar demais
sobre todas as coisas
latentes e ....

agora que percebi
sinto.

Então na dúvida me corroí levemente, mas, sei muito bem que, se realmente aguardasse por algo e isso acontecesse, não saberia o que fazer, como não soube até agora, é muito estranho a reciprocidade me assustar um tanto assim, como se na fuga desesperada do consentimento eu o espera-se mais do que nunca, isso que não chamo pelo nome de Meu por que é Seu.

quinta-feira, outubro 06, 2011

sentir me basta...
o foda é ter essa puta necessidade de falar.

quarta-feira, outubro 05, 2011

acaba nessa falta de cor,
com uma cumplicidade,
incomum e subentendida,
não preciso perguntar,
nem responder nada,
fico parada vagando,
na sua inocência obscura,
sinceramente sorrindo,
aqui dentro de mim,
ai dentro de você.

segunda-feira, outubro 03, 2011

simples assim, deixo-me assustar na simplicidade de parecer com muitos que já pareceram se encaixar na hora e lugar, perfeitamente...mas, dessa vez, tem essa sutil imperfeição somada aos poros, algo que me parece uma simples mentira, que, sem expectativas, sigo fácil. São alguns tons acima ou abaixo, tudo uma questão de ângulo. A verdade é sua, a vontade é minha, assim, simplesmente fazemos uma faísca qualquer, e, por não ter no que devêssemos acreditar, escrevo sobre você quase todos os dias e é simples.

sexta-feira, setembro 30, 2011

seguindo com os olhos

gosto do cinza,
do ar de melancolia,
da falta de coragem,
do guardado por imperfeição,
ou puro perfeccionismo,

me parece tão bonito,
tão real e palpável,
suspirável e engolível,
esse cinza que me preenche,
me esvazia logo em seguida,

e eu duvido...

respiro e reparo,
suspiro e amparo,
retiro e faro,
não é uma porta
em que se entra ou sai,

é apenas estar,
e eu estou
na delícia de doer,
quando olho você indo,
e você não me vê.

segunda-feira, setembro 26, 2011

dor nas costas

quebrei a janela
rearranjando os móveis
de um jeito que nunca esteve,
pra ver se paro de lembrar
de como eram antes,
mas agora, infelizmente,
não paro de pensar
na janela quebrada.

sexta-feira, setembro 23, 2011


é aí que deparo com,
a tentativa histérica,
de preencher algo
que não está vazio.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Fico rolando na cama 
durante horas antes de dormir 
e horas antes de acordar

terça-feira, setembro 20, 2011

tento fugir de mim para reviver o que nunca esteve na memória,
me transporto para um passado dissolvido no inventado,
reconstruo o que quero de volta ao pé do ouvido,
o tempo está parado no momento há anos,
você sai de novo pela minha porta,
e eu tenho tanto medo de você.

PASMO

Não digamos nada,
por que o som da voz
quero de olhos fechados,

nos olhares, me estranho, mas,
se devem constrangedores, pra notar
que o impreciso é prazer do riso guardado,

no impulso calo, aguardo, parece vago, mas,
é de certo um carregado que não deixa claro,
o anseio da aflição incerta é evidente,

não existe e mesmo assim me basta,
em suspiros, palavras sinceras,
e gargalhadas famintas,

de desconcerto.

segunda-feira, setembro 19, 2011

Repito em voz alta que não é real, que não é nada para se preocupar e que será como sempre, com horas a mais na cama, com refeições e quilos perdidos, com alguma olheira visível de longe.

domingo, setembro 18, 2011

extended version

Com uma falta absurda de ar,
não sorriram em retorno hoje,
nenhum reflexo que possa,
ser digno de ser entitulado como,
continuei andando pelo menos,
minuciosamente calculando passos,
a rouquidão da voz...
a pressão no peito...
o tintilar leve entre os suspiros,
traguei um choro forçado,
como uma nevoa densa,
na cor dos teus olhos,
a música ininterrupta ao infinito,
até a exaustão revelar,
indiscretamente,
uma encruzilhada deixada para trás,
onde perdi de vista,
o zelo e brio.
Eu aumento o volume e meus pés começam a seguir o ritmo, fecho meus olhos e prendo a respiração, então consigo ver você me vendo.

ombros

é simples assim, você vai faz de novo e pronto, então resta aquela poeira no ar, cheia de dúvidas e promiscuidade.
Assim se afastava e olhava bem de longe,
percebendo as marcas de expressão se esvaindo,
deixando sombras, as sobras relutantes,
a saudade de um lugar que não existe mais,
ou apenas muita química no sangue,
o que lhe pareceu convidativo, com certeza,
eu convidaria, risadas compradas, por que não,
então voltou a si com a dor presa no peito,
incapacidade ou excesso de iniciativa,
estava ao lado, como antes, como depois,
e mesmo que pareça certo, talvez não esteja,
mas, tem que doer muito até passar de vez.

sinto, sim.

quinta-feira, setembro 08, 2011

1999

Engraçado esse meu jeito falso-super-verdadeiro de tratar as conversas. Parece que sempre quero algo a mais ... ou a menos. Dá pra perceber quando acham que falaram demais, e, pode ser prepotência da minha parte mais uma vez, mas, depois eles vão embora por achar que é muito real pra engolir, tipo uma ostra semi-viva ainda se mexendo no limão...enfim, o negócio é que as coisas sempre se vão. Talvez, e se talvez....Oh, o que será de mim apenas comigo mesmo?!

quarta-feira, agosto 24, 2011

Ela não deveria revelar suas orações escondidas e percebia a cada palavra, soando pesadamente, mesmo assim não conseguia controlar o fluxo que dava voltas em assuntos inexistentes.

Para oferecer algum tipo de esconderijo, ou algo que se transformasse em uma suavidade a mais, se projetava numa repulsa aparente, mais por não querer ser um ponto de fuga do que a existência de um asco qualquer.

Então as palavras se desconectaram e nada mais sobrou para falar, na tentativa de parecer coerente percebeu pela primeira vez que nada ali a completaria por mais que ousasse.

A atenção se perdeu e ela se prendeu em alguns Us das frases, sem perceber deixou ir o enquanto sem nenhuma reação momentânea, e, descobriria depois, que não haveria nenhuma reação nunca mais.

segunda-feira, junho 13, 2011

southern sky


Era uma manhã fria com um céu azul limpo e esbranquiçado, daqueles que você sabe que na sombra fará frio. Todas as pessoas na rua carregavam os seu casacos e usavam óculos escuros, não tinha sol propriamente dito, mas, a claridade realmente incomodava e a essa altura já me arrependia de ter deixado os óculos no criado mudo ao lado da cama.

Lembro-me perfeitamente das lentes viradas para baixo com desleixo, no meio de algumas folhas amareladas e secas do lírio morrendo no vaso. A vontade de fazer algo era tão pouca que até a planta me esquecera de molhar e das 14 flores apenas 3 brotaram e as folhas já caídas combinavam com botões agora murchos e escurecidos.

De qualquer jeito ainda tinha muito para andar e não deveria agora pensar sobre as pendências cada vez maiores na minha rotina forçada. Conseguia resolver tudo ao mesmo tempo pela manhã, mas eu só queria ficar estática na minha cama, abrindo os olhos de tantos em tanto minutos apenas para perceber que a cor do dia já mudará para um azulado quente indicando que eu já deveria ter me levantado há horas e era isso que eu fazia há algum tempo, o que obviamente fazia meu dia ser absurdamente corrido, com algumas pausa para engolir qualquer coisa que me fizesse não ter uma imensa dor de cabeça no fim da tarde.

Por mais descansada que estivesse parecia que minhas pernas tinham um peso gigante, como se eu não as utiliza-se a dias, semanas quem sabe e meus passos eram penosos, a ponto de meu poder de distração com a paisagem ser impossibilitado pelo imenso cansaço de repetidamente ter que me distrair. Poucos pensamentos passavam pela minha cabeça na hora e uns dos únicos que permaneceram após a caminhada árdua era se a minha capacidade de me distrair com coisas simples ainda existia.

Me deu uma saudade intensa dos meus passeios descompromissados em bosques vizinhos, espaços pequenos embaixo de árvores, cafés, museus, cinemas de arte isolados, lugares que eu sabia que nunca encontraria ninguém conhecido e que provavelmente ninguém gostaria de me conhecer, e nisso eu passava horas sozinha conversando com meu cachorro e obtendo respostas consideráveis sobre como as coisas podem ser bem mais calmas e passíveis.

Durante todo o caminho a sensação de uma falsa melancolia me dominava quase por completo, falsa, por que eu tinha a certeza quase palpável de que não existia motivo nenhum para ela acontecer ou se manifestar por razões externas.

Não sei se dias de outono me deixam assim mesmo, enfim, o fato é que meus vinte cigarros diários acabam lá pelo fim do dia me forçando a comprar mais vinte ao voltar parar a casa pelo mesmo caminho que conheço perfeitamente, mas que cada dia mais tem se mostrado invisível, como se eu pegasse um túnel de volta pra casa e não me importasse mais com quase nada externo a mim. Tanto em minha parte racional quanto emocional o classificam como ruim, mas eu não ligo mais ... nem pra isso.


quarta-feira, novembro 03, 2010


Não é bem isso, mas, pode ser alguma coisa chamada de prisão, como se aprisionasse em mim o dever de aprisionar o outro, na imensidão do estar... imensidão não... é mais como saturação,

Isso...saturação, acumulada por dias a fio sem que eu perceba, juntando horas, gestos, palavras, sacrifícios, olhares respondidos com um mau humor repentino seguido de um silencio mortal.

E não se sabe da onde está saindo e muito menos pra onde vai, fico então, extasiada na duvida de não saber o que fazer ou se fazer, tentando convencer a falar ou gritar, ou murmurar, bater, sorrir, chutar chorar, fugir... tanto faz... me fala qualquer coisa PELAMORDEDEUS.

Mas não, fica o maldito silencio, que faz me remoer por dentro, me faz imaginar tudo que pode ser imaginado pelo outro, e na minha imaginação, me encontro sozinha, e livre, sem ter que desvendar nada de ninguém, apenas me deparando com a sinceridade que sempre busquei em alguém.

uma pura transparência....um reflexo do meu próprio motivo para ser.
sem essa merda de bons costumes pra cima de mim.


...olha só que ridículo!

sábado, setembro 18, 2010

 é como se não existisse isso na minha vida e eu convivesse com a possibilidade de, um frio colegial na barriga, como se eu estivesse de vestidinho sexy com um bando de lobos e eu tenho que correr, correr e fugir pra me salvar, só que em câmera lenta e com chuva e com vento sensual, que me dá uma vergonha de falar com vocês que já viram esse filme, como se eu precisasse me esconder pra ter vontade, nessa hora os lobos me alcançam e eu morro estraçalhada enquanto a cena escurece e fiiiiiiiiiiiiiiiiiiim.





é assim que eu acordo.

terça-feira, maio 18, 2010

A luz entra por uma pequena fenda no canto esquerdo da janela, cortinas xadrez de tons escuros, parece que já é tarde demais. Ao meu lado um amontoado de cobertor, branco, rosa, azul, marcando a presença do que acabou de esvair. Escurece nos cantos da visão, então, uns 80 quilos esmagam meus pulmões impedindo movimento algum. Abro os olhos novamente num susto e tudo parece igual. Mas, você passou por aqui, não passou?




dá pra sentir...

sexta-feira, dezembro 18, 2009

ulalá

mas eu volto sempre....
pra matar as saudades com antecedência,
na intensidade que precede a separação,

em todos os casos amo só quando é assim,
aperfeiçoa-me na ideia do felizes para sempre,
no sentimento inacabado esperando reencontro,

me encontro, te encontro nessa histeria,
nessa histérica tentativa de reconhecer,
por dentro o que grita pra sair,

e num disfarce pra não perceberem,
quero que me puxe pra dentro, meu bem,
antes que perceba que era só.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

querido diário ?

"Estou triste."

Por muito tempo não ficava assim, triste ... só brava, descontrolada, explodindo ódio e loucura pelos poros,
isso é algo que não controlo muito.



Mas é, a partir do momentos que vejo que coisas importantes para mim não são as mesmas coisas que importam para os outros,
acabo sentindo que perdeu o sentido.



Não que pessoas sejam recicláveis, elas sempre tem o seu lugar guardado, todo mundo sabe disso, mas é só que ... a impressão de que
passou o momento, e isso passa mesmo por que é algo volúvel.



Na mutação dá pra ver que simplesmente passou, os detalhes lindos se tornam irrelevantes.
Opiniões antes principais acabam caindo num canto muito além do secundário, só pra continuar vivendo sem questionar.


Então perco a vontade de correr atrás, perco a vontade de ligar, de brigar, de chorar, perco a vontade de saber,

fica esse marasmo estático inútil.



E nele consigo ver de fora todo o esforço alheio enfraquecendo, se o momento voltar, quem sabe, poderemos rir de tudo isso,
como se fosse uma história bem bonita desgastada pelo tempo.



Dá pra enquadrar, mas não dá pra viver.

domingo, setembro 20, 2009

a diferença da respiração me entrega, e por mais baixo que esteja, consegue descobrir e me abraça forte...
É como se minha vida fosse inventada e todos os problemas atuais se baseassem nessas invenções,
a cada nova intriga perturbadora houvesse mais um conto de fadas inacabado. . . mal sabem que a bruxa sou eu e a princesinha são todos vocês, sob o controle da minha magia manipuladora:

"TE CONVENÇO PELA MINHA LOUCURA DISFARÇADA DE GRAÇA"

Pare pare e pare.

Arrume tudo no lugar, para convencê-los da rotina incerta e inimaginável, para sobrepor o crime sem testemunhas, para conseguir álibis, os mais confiáveis, e por que não!?

Eu chorarei por mim fingindo que é por você, um tanto quanto confuso, fazendo sentido só no que não foi dito na mentira que cobre minha vida de um jeito muito mais emocionante do que eu pensava.

sexta-feira, setembro 18, 2009

me concentro, desconcerto, conecto na mente coisas ínfimas e crio, destruo todo o resto, acho o significado correto, pensamentos alterados, levanto e saio, respiro ar poluído, volto, sento, espero, passo o tempo, recrio tudo de novo, decido, aviso, crio alibis, explodo, fecho tudo, volto ao trabalho, não consigo, faço um pouco, desconcentro, procuro, evito, procuram, evite evite eu digo, olho pro lados, tento achar palavras, musicas, condiz, tudo sempre condiz, na mente, maldita, desconecto, tudo some, foge do controle, enfim sento e espero o nada, um grande monte de nada que eu mesmo criei, enfim só, como eu quis quero e fim... todo resto é inútil, pra mim, até você é......pare de ler.
Aí tudo acaba decantando,
e falta o silêncio, aquele confortável.
Foda é se acostumar com o contrário
e não saber mais o que pensar sobre.

Não que realmente mude
alguma coisa física, sei lá,
mas é que muda a sensação.
De: não ter problema enquadrar
para: um problema à sobrepor.

E onde fica o tudo nessa história?
Sem nenhuma solução plausível,
além de conversas sem sentido,
por horas ... que chato!!!

Fora do momento nada existe,
já dizia a minha mente há tempos.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009




















Seja sincera com você mesma, seja sincera é como me dizem.

Normalmente não é o que acontece, e quero achar que é o contrário, que tudo isso é manipular os pensamentos para tomar proveito... de mim? Que audácia a minha, ou será que não?! Me sinto mais sincera, falo como se todos entendessem.

E os nós dos dedos apertando, os braços, o rosto, um rosto que eu não conheço, dois, três, quatro deles, não conheço mais nada, mas, me parece tão familiar...

domingo, janeiro 11, 2009

depois do ponto uma letra maiúscula enquanto eu ganho um premio por ser uma pessoa exemplar,
dos meus olhares no espelho para não gaguejar à uma imagem perfeita na tela,
com a vida levemente continuando com nenhum detalhe perceptível,
me dói, e eu adoro!
São como aquelas nuvens de chuva de verão,
muito muito escuras e passam chovendo em tudo
uma chuva que dura de 10 a 20 segundos

tudo muito técnico!

sábado, dezembro 06, 2008



E tudo correra bem como combinado, tudo corria extremamente bem com momentos agradáveis mesmo. Pausas para alguns lamentos sob olhares cotidianos com um pouco de falta de controle momentâneo, mas enfim, respirou fundo, fumou mais um cigarro e lágrimas de desespero rolaram escondidas no lado fora.

Então retornou, encarou a situação e as mãos ficaram tão presas que jurou que nunca se soltariam. Mesmo assim, precisava de sorrisos, era o lugar e a hora para isso, então os deu, e deu também o prazer da companhia, deu a leveza de estar somente ao lado num momento marcante, firmemente estacada como mais uma parte de sua vida.

Por alguns segundos, torceu para que não acontecesse, torceu para que não tivesse de deixá-lo ir, mas, como se não tivesse tempo suficiente para lidar com a ideia, abraçou-o ao pé do ouvido, repetiu todo o acostumado diariamente, e ao tentar romper a superfície o tempo acabou.

E percebeu, ao virar-se então, que a imagem embaçara, que talvez não conseguisse segurar. O fato de não ter que falar mais nada ajudou outros sorrisos estampados com marcas de tristeza ao fundo. Ao procurar, cruzou olhares duas ou três vezes com um pesar que nunca vira antes.

E era só a primeira noite.